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Quão grave?
Risco de morte
Sim
Vacina disponível?
Tempo até sintomas
Países afetados
Surtos ativos
Incluída na vacina tríplice viral (SCR) — verifique se tem 2 doses antes de viajar. O risco é baixo para viajantes totalmente vacinados. Surtos ocorrem em ambientes de contato próximo (dormitórios, navios). Se desenvolver inchaço das glândulas salivares com febre, procure avaliação médica.
Infecção viral que afeta principalmente as glândulas salivares, causando inchaço facial doloroso. Amplamente prevenida pela vacinação com tríplice viral (SCR).
A caxumba (parotidite epidêmica) é causada pelo vírus da caxumba (paramixovírus). Característica: inflamação das glândulas parótidas (parotidite). Complicações: orquite (adultos), meningite asséptica, surdez neurossensorial. Doença prevenível por vacinação (tríplice viral — MMR).
A caxumba (parotidite epidêmica) é causada pelo vírus da caxumba (Mumps rubulavirus, família Paramyxoviridae), um vírus RNA de fita simples com envelope. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias, contato direto com saliva infectada e fômites contaminados com saliva. O período de incubação é de 12–25 dias (mediana 16–18 dias), e a transmissibilidade se estende de 7 dias antes até 5 dias após o início da tumefação parotídea.
A caxumba é caracterizada pela tumefação dolorosa das glândulas salivares, principalmente as parótidas, embora até 30–40% das infecções sejam assintomáticas ou se apresentem apenas com sintomas respiratórios inespecíficos. Antes da vacinação, a caxumba era uma das infecções infantis mais comuns mundialmente. A introdução da vacina tríplice viral (SCR) reduziu dramaticamente a incidência, mas surtos continuam ocorrendo mesmo em populações vacinadas — particularmente em adultos jovens em ambientes de convívio próximo (universidades, quartéis militares), sugerindo declínio (waning) da imunidade ao longo do tempo.
No Brasil, a caxumba é monitorada pelo MS/SVS, embora não seja doença de notificação compulsória individual (apenas surtos devem ser notificados). O PNI disponibiliza a vacina SCR gratuitamente pelo SUS. Apesar da vacinação ampla, surtos esporádicos ocorrem em cidades universitárias e aglomerados populacionais com cobertura vacinal heterogênea.
Procure atendimento médico urgente se apresentar:
Dor testicular intensa com edema escrotal — pode indicar orquite (necessidade de descartar torção testicular, emergência cirúrgica)
Sinais meníngeos: dor de cabeça intensa e progressiva, rigidez de nuca, fotofobia, vômitos em jato, letargia
Confusão mental, convulsões ou alteração do nível de consciência — pode indicar encefalite
Dor abdominal intensa com vômitos persistentes — pode indicar pancreatite
Dificuldade respiratória ou dor torácica — pode indicar miocardite
Perda auditiva súbita — surdez neurossensorial; encaminhar para avaliação otorrinolaringológica urgente
Tumefação bilateral rápida e intensa com dificuldade para respirar ou engolir — risco de obstrução das vias aéreas (raro)
Desidratação: incapacidade de manter hidratação oral, ausência de urina por >6 horas, letargia
Em homens pós-púberes com dor testicular aguda: procurar emergência IMEDIATAMENTE — torção testicular é diagnóstico diferencial que requer intervenção cirúrgica em até 6 horas.
Sinais e sintomas mais comuns
Período de incubação: 12–25 dias (mediana 16–18 dias)
Fase prodrômica (1–2 dias):
Mal-estar geral, cefaleia, mialgia e febre baixa (<39°C)
Anorexia
Otalgia unilateral precedendo a tumefação
Parotidite (5–10 dias — manifestação clássica):
Tumefação parotídea unilateral (inicialmente), tornando-se bilateral em 70–80% dos casos em 1–3 dias
Dor intensa à mastigação e palpação, com deslocamento do lóbulo da orelha para cima e para fora
Trismo (dificuldade para abrir a boca)
Disfagia (dor ao engolir, especialmente alimentos ácidos que estimulam salivação)
Edema submandibular e sublingual pode ocorrer (10–15%)
A tumefação atinge pico em 1–3 dias e resolve em 7–10 dias
O ducto de Stensen (orifício do ducto parotídeo) pode apresentar eritema e edema na mucosa bucal — sinal clínico útil
Manifestações extra-glandulares (podem ocorrer sem parotidite):
Orquite: 15–30% dos homens pós-púberes (unilateral em 60–83%). Dor testicular intensa, edema, febre alta. Surge 4–8 dias após a parotidite. Atrofia testicular em 50% dos afetados; infertilidade rara (<5%).
Ooforite: 5% das mulheres pós-púberes. Dor pélvica, não causa infertilidade.
Meningite asséptica: 1–10% dos casos (até 50% apresentam pleocitose no LCR sem sintomas clínicos). Geralmente benigna com resolução completa em 3–10 dias.
Pancreatite: 2–5% dos casos. Dor epigástrica, náusea, vômitos, amilase elevada.
Surdez: Perda auditiva neurossensorial unilateral em 1/20.000 casos; geralmente permanente.
Infecção assintomática: 30–40% dos infectados não apresentam sintomas ou apenas sintomas respiratórios inespecíficos.
Conhecer os sintomas é o primeiro passo para uma resposta rápida.
Curso típico da doença:
Infecção assintomática: 20–30% das infecções por caxumba são subclínicas. Outros 40–50% apresentam apenas sintomas respiratórios inespecíficos.
Como esta doença é identificada
Diagnóstico clínico: A parotidite bilateral em paciente com história de exposição é altamente sugestiva. No entanto, o diagnóstico diferencial inclui: parotidite supurativa bacteriana (S. aureus), sialolitíase, tumores parotídeos, síndrome de Sjögren, infecção por outros vírus (parainfluenza, EBV, HIV, influenza, coxsackievírus), e reação medicamentosa. A parotidite unilateral isolada exige diagnóstico diferencial mais amplo.
Confirmação laboratorial:
RT-PCR: De swab bucal (esfregaço do ducto de Stensen) coletado nos primeiros 3 dias — método mais sensível. Também pode ser feito em urina, sangue ou LCR. Permite genotipagem.
Sorologia IgM anti-caxumba: Positiva em ~60-70% dos não vacinados; sensibilidade reduzida (~30-50%) em previamente vacinados (resposta anamnéstica rápida de IgG pode suprimir IgM). Portanto, IgM negativa NÃO exclui caxumba em vacinados.
Sorologia IgG pareada: Aumento de ≥4× no título entre amostras com intervalo de 2–3 semanas confirma infecção recente.
Cultura viral: Possível mas raramente necessária na prática clínica.
Amilase e lipase: Elevadas na pancreatite por caxumba. A isoamilase salivar diferencia da pancreática.
Notificação no Brasil: A caxumba não é de notificação compulsória individual, mas surtos (≥2 casos vinculados epidemiologicamente) devem ser notificados ao SINAN para investigação e medidas de controle.
Métodos de tratamento disponíveis
Tratamento — exclusivamente de suporte (não há antiviral específico):
Medidas gerais:
Isolamento respiratório por 5 dias após o início da tumefação (CDC/MS — o paciente é transmissível durante este período)
Repouso relativo conforme sintomatologia
Hidratação adequada com líquidos em temperatura ambiente
Dieta pastosa, evitando alimentos ácidos ou cítricos (estimulam salivação e aumentam dor)
Compressas mornas ou frias na região parotídea para alívio da dor e edema
Manejo da dor e febre:
Analgésicos/antitérmicos: paracetamol ou ibuprofeno (evitar AAS em crianças — síndrome de Reye)
AINEs (ibuprofeno, naproxeno) são preferidos na orquite pelo efeito anti-inflamatório
Manejo de complicações específicas:
Orquite: Repouso no leito, suporte escrotal (suspensório), aplicação de gelo, AINEs. Corticosteroides NÃO demonstraram benefício em ensaios clínicos. Avaliação urológica se dor intensa ou dúvida diagnóstica (descartar torção testicular).
Meningite: Geralmente autolimitada. Internação para hidratação IV, controle de cefaleia, monitoramento neurológico. Punção lombar quando necessário para diagnóstico diferencial.
Pancreatite: Jejum, hidratação IV, analgesia. Monitorar amilase/lipase.
Surdez: Encaminhamento audiológico urgente; geralmente permanente. Implante coclear pode ser considerado em casos bilaterais.
Prognóstico: Recuperação completa na grande maioria dos casos em 1–2 semanas. Complicações graves são raras com cuidado de suporte adequado.
A maioria dos casos é tratada com eficácia quando diagnosticada precocemente.
Como se proteger
Vacinação — principal medida de prevenção:
A vacina tríplice viral (SCR — sarampo, caxumba, rubéola) contém a cepa Jeryl Lynn do vírus da caxumba (atenuado) e confere eficácia de 78% após 1 dose e 88% após 2 doses contra a caxumba (menor que para sarampo e rubéola).
Calendário PNI (SUS — gratuito):
1ª dose (SCR): 12 meses de idade
2ª dose (tetra viral — SCR + varicela): 15 meses
Reforço: Adultos até 29 anos devem ter 2 doses documentadas; 30–59 anos, pelo menos 1 dose
Profissionais de saúde: 2 doses obrigatórias, independentemente da idade
Terceira dose em surtos:
Profilaxia pós-exposição:
A vacina SCR aplicada após exposição NÃO previne a doença com eficácia comprovada (ao contrário do sarampo), mas é recomendada para proteger contra exposições futuras
Não há imunoglobulina específica contra caxumba disponível
Isolamento:
Isolamento respiratório por 5 dias após o início da tumefação parotídea
Afastamento escolar/laboral durante o período de transmissibilidade
Imunidade pós-infecção:
Limiar de imunidade coletiva: ~86–92% de cobertura vacinal necessária (R0 = 4–7).
A preparação é a melhor proteção.
Risco para viajantes: O risco de caxumba para viajantes é moderado, sendo maior em destinos com cobertura vacinal heterogênea e em ambientes de convívio próximo (dormitórios, acampamentos, cruzeiros).
Antes da viagem:
Verifique documentação de 2 doses de SCR antes de qualquer viagem internacional
Adultos nascidos antes de 1960 geralmente são considerados imunes (infecção natural), mas documentação de vacina é preferível
Viajantes para programas de intercâmbio universitário, trabalho voluntário ou missões humanitárias: garantir 2 doses
Durante a viagem:
Evite contato próximo com pessoas com tumefação facial ou parotídea
Higiene respiratória: cobrir boca e nariz ao tossir/espirrar, lavar as mãos frequentemente
Caso desenvolva tumefação parotídea com febre durante a viagem, procure atendimento médico e mantenha isolamento por 5 dias após o início dos sintomas
Populações especiais em viagem:
Homens pós-púberes não vacinados: risco significativo de orquite (15–30%)
Gestantes suscetíveis: vacina SCR é contraindicada na gestação — evitar viagens a áreas de surto se não vacinada
Profissionais de saúde: 2 doses obrigatórias antes de missões em áreas endêmicas
Estatísticas e dados geográficos
Carga global: Antes da vacinação, a caxumba era universal na infância, com pico de incidência entre 5–9 anos. A introdução da vacina SCR reduziu a incidência em >95% nos países com programas de vacinação estabelecidos. Entretanto, a OMS não possui um sistema de vigilância global dedicado à caxumba, dificultando estimativas precisas de carga global. Estima-se centenas de milhares a milhões de casos anuais mundialmente.
Surtos em populações vacinadas: Desde 2006, surtos recorrentes em universidades e comunidades com alta cobertura vacinal vêm sendo documentados nos EUA, Europa e Ásia. A explicação predominante é o declínio da imunidade (waning immunity) — a eficácia da vacina diminui ao longo do tempo, especialmente para o componente caxumba (mais do que para sarampo e rubéola). A cepa Jeryl Lynn pode conferir proteção subótima contra genótipos heterólogos (especialmente genótipo G, predominante em surtos recentes).
Situação no Brasil: O Brasil incluiu a SCR no PNI em 1992. A incidência caiu drasticamente, mas surtos esporádicos continuam sendo registrados, especialmente em adolescentes e adultos jovens em ambientes de convívio próximo. Em 2019, surtos foram notificados em universidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A cobertura com a 2ª dose de SCR permanece abaixo de 95% em muitos municípios, especialmente no Norte e Nordeste.
Sazonalidade: Pico no final do inverno e início da primavera em climas temperados; sem sazonalidade clara em regiões tropicais.
Quem tem mais risco
Ausência/esquema vacinal incompleto, imunidade pós-vacinal em declínio, alojamento coletivo, idade pós-púbere (risco de orquite).
Complicações potenciais
Complicações — estratificadas por frequência e gravidade:
Frequentes (>5% dos casos):
Orquite/epididimite: 15–30% dos homens pós-púberes (unilateral em 60–83%). Atrofia testicular em até 50% dos afetados
oligospermia transitória é comum, mas infertilidade completa é rara (<5% dos casos bilaterais, que representam 15–30% das orquites).
Meningite asséptica: 1–10% clinicamente aparente
até 50% apresentam pleocitose no LCR sem sintomas meníngeos. Prognóstico excelente — resolução completa em 3–10 dias na maioria.
Moderadamente frequentes (1–5%):
Ooforite: ~5% das mulheres pós-púberes. Não causa infertilidade.
Pancreatite: 2–5% dos casos. Geralmente leve e autolimitada. Associação com diabetes tipo 1 é controversa e provavelmente não causal.
Miocardite: 3–15% apresentam alterações eletrocardiográficas (inversão de onda T, prolongamento de PR), mas miocardite clinicamente significativa é rara (<1%).
Raras (<1%):
Encefalite: 1 em 6.000 casos (0,02%). Mortalidade de 1–1,5%
sequelas neurológicas em 25% dos sobreviventes (convulsões, hidrocefalia, paralisia de nervos cranianos).
Surdez neurossensorial: 1 em 20.000 casos. Unilateral na grande maioria
geralmente permanente. Era a principal causa de surdez adquirida em crianças antes da vacinação.
Artrite: 0,4% — poliarticular, migratória, autolimitada em 2–4 semanas.
Nefrite: Rara
geralmente transitória com recuperação completa.
Tiroidite: Rara
associada a tirotoxicose transitória.
Paralisia de nervos cranianos: Especialmente VII (facial) e VIII (vestibulococlear). Geralmente transitória.
Mielite transversa: Extremamente rara.
Caxumba na gestação:
Primeiro trimestre: aumento do risco de aborto espontâneo (taxa variável, 25–27% em estudos antigos — dados limitados)
Associação com fibrose endocárdica fetal sugerida mas não confirmada
NÃO há evidência de teratogenicidade
Mortalidade: 1,6–3,8 por 10.000 casos (principalmente por encefalite). Extremamente rara com cuidado de suporte moderno.
Resultados esperados e recuperação
Geral: Excelente prognóstico. TL ~0,01%. Autolimitada na grande maioria.
Complicações:
Orquite (inflamação testicular): 15–30% dos homens pós-púberes. Bilateral em 15–30% dos casos de orquite. Subfertilidade é rara (<5%); esterilidade completa é extremamente rara.
Ooforite: 5% das mulheres pós-púberes.
Meningite asséptica: 1–10% (geralmente benigna, resolve em 3–10 dias).
Surdez neurossensorial: 1 em 20.000 (geralmente unilateral, pode ser permanente).
Pancreatite: 4% (geralmente leve, autolimitada).
Imunidade: Vitalícia após infecção natural. A imunidade induzida por vacina pode diminuir (falha vacinal secundária contribuindo para surtos em populações vacinadas).
Esta doença é prevenível por vacinação. Proteção eficaz está disponível.
Converse com um especialista em medicina de viagem sobre o esquema recomendado antes da sua viagem.
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Source: WHO GHO OData ↗
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