Apenas para fins informativos — não constitui aconselhamento médico
Receba gratuitamente um guia de vacinação e recomendações de clínicas — direto no seu e-mail.
Quão grave?
Risco de morte
Sim
Vacina disponível?
Tempo até sintomas
Países afetados
Surtos ativos
Verifique se o reforço da dTpa está em dia (a cada 10 anos). A coqueluche é endêmica globalmente e surtos ocorrem em todos os países. Especialmente importante se viajar com ou visitar bebês pequenos. A "tosse dos 100 dias" pode impactar significativamente seus planos de viagem.
Infecção respiratória bacteriana altamente contagiosa caracterizada por acessos de tosse paroxística seguidos de "guincho" inspiratório. Especialmente perigosa para lactentes.
A coqueluche é causada pela Bordetella pertussis. Altamente contagiosa (R₀ 12–17). Caracterizada por tosse paroxística com guincho inspiratório ("tosse comprida"). Especialmente perigosa para lactentes <6 meses. ~160.000 óbitos/ano (principalmente lactentes em países de baixa renda). Doença prevenível por vacinação (DTPa/dTpa).
A coqueluche (pertussis, "tosse comprida") é causada pela bactéria Bordetella pertussis, um cocobacilo Gram-negativo aeróbico estrito, exclusivamente humano. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias durante tosse, espirro ou fala, com taxa de ataque secundário de 80–90% em contactantes domiciliares suscetíveis — uma das doenças bacterianas mais contagiosas. O período de incubação é de 5–21 dias (geralmente 7–10 dias).
A doença é classicamente dividida em três fases clínicas: catarral, paroxística e de convalescença, com duração total de 6–10 semanas. O nome popular "tosse dos 100 dias" reflete a duração prolongada. A toxina pertussis (TP) e outras toxinas bacterianas causam necrose do epitélio ciliar respiratório e estimulação do sistema nervoso central (centro da tosse), produzindo os paroxismos de tosse característicos.
A coqueluche é mais perigosa em lactentes <6 meses — faixa etária com maior mortalidade (90% dos óbitos) e risco de apneia. A estratégia de vacinação materna com dTpa no 3º trimestre de cada gestação é fundamental para proteção passiva do recém-nascido por anticorpos maternos transplacentários.
No Brasil, a coqueluche é doença de notificação compulsória ao SINAN. Apesar da alta cobertura vacinal com pentavalente (DTP-HB-Hib), a doença ressurgiu mundialmente desde os anos 2010 — fenômeno atribuído ao declínio da imunidade (waning) com vacinas acelulares (aP) e à acumulação de adultos/adolescentes suscetíveis que servem como reservatório e fonte de infecção para lactentes não ou parcialmente vacinados.
Procure atendimento médico de emergência imediatamente se:
Apneia em lactente: Pausa respiratória, cianose (lábios/unhas azulados), palidez — EMERGÊNCIA COM RISCO DE MORTE
Cianose durante paroxismos de tosse — indica hipóxia
Convulsões associadas a episódios de tosse
Incapacidade de alimentar-se — vômitos pós-tussígenos persistentes impedindo nutrição
Desidratação — ausência de urina, choro sem lágrimas, letargia
Febre alta (>38,5°C) com tosse produtiva — pode indicar pneumonia secundária
Sangramento: Hemorragia subconjuntival, epistaxe persistente, petéquias — sinais de pressão venosa elevada
Letargia ou irritabilidade extrema em lactente
TODO LACTENTE <6 MESES COM TOSSE PAROXÍSTICA DEVE SER INTERNADO para monitoramento contínuo — apneia pode ocorrer sem aviso.
SAMU: 192 | Disque Saúde: 136
Sinais e sintomas mais comuns
Período de incubação: 5–21 dias (geralmente 7–10 dias)
Fase catarral (1–2 semanas) — altamente contagiosa, clinicamente inespecífica:
Coriza (rinorreia aquosa), espirros
Febre baixa ou ausente
Tosse leve, inicialmente indistinguível de resfriado comum
Lacrimejamento, mal-estar leve
Esta fase é a mais contagiosa e a mais difícil de diagnosticar — frequentemente confundida com IVAS
Fase paroxística (2–8 semanas) — quadro clássico:
Paroxismos de tosse: Acessos de 5–10 ou mais tossidas consecutivas, violentas, sem inspiração entre elas, seguidos de um "guincho" inspiratório (whoop) característico — resultado da inspiração forçada através de uma glote parcialmente fechada
O guincho pode estar ausente em lactentes <6 meses (que apresentam apneia e cianose em vez de guincho), adultos vacinados e idosos
Vômitos pós-tussígenos: Muito característicos — vômitos ao final dos paroxismos (não confundir com doença gastrointestinal)
Os paroxismos são tipicamente piores à noite e podem ser desencadeados por alimentação, choro, atividade física
Entre os paroxismos, o paciente pode parecer relativamente bem
Hemorragias subconjuntivais, petéquias faciais, epistaxe: Resultam da pressão venosa elevada durante paroxismos violentos
Cianose durante paroxismos em casos graves
Apneia em lactentes: O sinal mais perigoso — pode ocorrer sem tosse paroxística evidente
Fase de convalescença (2–6 semanas ou mais):
Diminuição gradual da frequência e intensidade dos paroxismos
Tosse pode persistir por semanas a meses
"Recaídas" dos paroxismos podem ser desencadeadas por infecções respiratórias subsequentes por meses
Coqueluche em adultos/adolescentes vacinados:
Frequentemente atípica — tosse prolongada (>2 semanas) sem guincho, sem febre, sem vômitos
Principal importância: fonte de infecção para lactentes suscetíveis
Conhecer os sintomas é o primeiro passo para uma resposta rápida.
Curso típico da doença:
Apresentações atípicas: Adultos e crianças vacinadas frequentemente apresentam tosse prolongada sem o guincho clássico. Lactentes <3 meses podem apresentar apneia em vez de tosse.
Como esta doença é identificada
Diagnóstico clínico (suspeitar em toda tosse >2 semanas): Caso clássico: tosse paroxística com guincho inspiratório e/ou vômitos pós-tussígenos em criança não ou parcialmente vacinada. Em adultos/vacinados: tosse prolongada (>2 semanas) sem outra causa identificada. Diagnóstico diferencial: infecção por B. parapertussis, adenovírus, Mycoplasma, Chlamydia, vírus respiratórios, corpo estranho, refluxo gastroesofágico.
Confirmação laboratorial:
Cultura de nasofaringe (padrão-ouro): Swab nasofaríngeo com Dacron/rayon (NÃO algodão) em meio de Regan-Lowe ou Bordet-Gengou. Sensibilidade ~50-60% nas primeiras 2 semanas; cai dramaticamente após início de antibióticos ou após 3 semanas de doença. Especificidade 100%.
PCR (método preferido na prática): De swab ou aspirado nasofaríngeo. Sensibilidade 70–99%, resultado em horas. Positiva por mais tempo que a cultura (até 4 semanas). ATENÇÃO: pode ser falso-positiva em vacinados recentemente.
Sorologia IgG anti-toxina pertussis: Útil em adolescentes/adultos com tosse >2 semanas sem outra causa. Título único elevado (>100 UI/mL) ou aumento ≥4× em amostras pareadas. Não é útil em crianças vacinadas recentemente.
Hemograma: Linfocitose acentuada (15.000–100.000/mm³) — achado clássico em lactentes não vacinados. Pode ser tão acentuada que simula leucemia linfocítica.
Notificação no Brasil: Doença de notificação compulsória semanal ao SINAN. Em surtos e óbitos: notificação imediata.
Métodos de tratamento disponíveis
Antibioticoterapia: Os antibióticos NÃO encurtam significativamente a fase paroxística se iniciados após 3 semanas de sintomas, mas erradicam B. pertussis da nasofaringe e reduzem a transmissão — esta é a principal indicação.
Primeira linha:
Azitromicina: 10 mg/kg/dia (máx 500 mg) VO por 5 dias — preferida em <1 mês de idade (não causa estenose hipertrófica de piloro, ao contrário da eritromicina)
Claritromicina: 15 mg/kg/dia (máx 1g) dividida em 2 doses, VO por 7 dias — ≥1 mês de idade
Eritromicina: 40–50 mg/kg/dia (máx 2g) dividida em 4 doses, VO por 14 dias — NÃO recomendada <1 mês (risco de estenose pilórica)
Alternativa (se intolerância a macrolídeos):
Tratamento de suporte (fundamental em lactentes):
Internação hospitalar: Obrigatória para todos os lactentes <6 meses e casos com apneia, cianose, dificuldade alimentar ou pneumonia
Monitoramento contínuo: Oximetria de pulso, monitor cardiorrespiratório — apneia é imprevisível
Aspiração de secreções nasofaríngeas
Oxigenoterapia se saturação <92%
Nutrição: Pequenas refeições frequentes; sonda nasogástrica se vômitos persistentes impedem alimentação adequada
Hidratação IV se desidratação por vômitos repetidos
Ventilação mecânica em casos graves com apneia recorrente ou insuficiência respiratória
Profilaxia de contactantes:
Antibiótico profilático (mesmos esquemas do tratamento) para TODOS os contactantes domiciliares, independente do estado vacinal
Prioridade máxima: lactentes <12 meses e gestantes no 3º trimestre
A maioria dos casos é tratada com eficácia quando diagnosticada precocemente.
Como se proteger
Vacinação — principal medida de prevenção:
Tipos de vacina:
wP (pertussis de célula inteira): Usada na pentavalente do PNI (DTP-HB-Hib). Mais reatogênica mas possivelmente mais duradoura. Usada nas doses primárias no Brasil.
aP (pertussis acelular): Componente da dTpa. Menos reatogênica. Usada em reforços para adolescentes, adultos e gestantes. Imunidade declina mais rapidamente (~5–7 anos).
Calendário PNI (SUS — gratuito):
2, 4, 6 meses: Vacina pentavalente (DTPw-HB-Hib) — série primária com pertussis de célula inteira
15 meses: 1º reforço com DTP (tríplice bacteriana celular)
4 anos: 2º reforço com DTP
Gestantes: dTpa (tríplice bacteriana acelular do adulto) a CADA gestação, preferencialmente entre 20ª e 36ª semana. ESTRATÉGIA FUNDAMENTAL: anticorpos maternos transplacentários protegem o recém-nascido nos primeiros 2–3 meses de vida, antes que ele possa ser vacinado.
Profissionais de saúde: dTpa (se não vacinados com dTpa previamente)
Estratégia cocoon (ninho): Vacinar todos os contactantes próximos de recém-nascidos (pais, avós, cuidadores) com dTpa — protege indiretamente o lactente nos primeiros meses.
Profilaxia pós-exposição:
Antibiótico (azitromicina/claritromicina) para TODOS os contactantes domiciliares de caso confirmado, INDEPENDENTE do estado vacinal
Vacinar contactantes com esquema incompleto ou desatualizado
Eficácia da vacinação:
Série primária (3 doses wP): 80–85% de proteção
Após 5º dose (DTP 4 anos): >90% de proteção
Imunidade declina ao longo do tempo — eis porque adultos não vacinados com dTpa podem adoecer e transmitir
Marco brasileiro: Desde 2014, o Brasil oferece dTpa gratuita para gestantes pelo SUS — uma das políticas mais avançadas mundialmente para proteção neonatal contra coqueluche.
A preparação é a melhor proteção.
Risco para viajantes: A coqueluche tem distribuição global — o risco existe em qualquer destino. O risco é especialmente relevante para lactentes não vacinados ou parcialmente vacinados que viajam, e para adultos/adolescentes que podem adquirir a infecção e transmiti-la a lactentes ao retornar.
Antes da viagem:
Verificar esquema vacinal atualizado com reforços de dTpa
Adultos que nunca receberam dTpa: tomar 1 dose antes da viagem
Gestantes: garantir dTpa entre 20–36 semanas de cada gestação (protege o RN nas primeiras semanas de vida)
Lactentes <6 meses: não estão totalmente protegidos — a mãe deve ter recebido dTpa na gestação
Precauções durante a viagem:
Evitar contato de lactentes com pessoas com tosse prolongada
Higiene respiratória (cobrir tosse e espirros)
Caso desenvolva tosse persistente >2 semanas, especialmente com paroxismos noturnos ou vômitos pós-tussígenos, procure atendimento médico
Ao retornar ao Brasil: Se apresentar tosse com paroxismos >2 semanas após viagem, procure avaliação médica — diagnóstico e tratamento precoce reduzem a transmissão para contactantes vulneráveis (especialmente lactentes).
Estatísticas e dados geográficos
Carga global: A OMS estima 24,1 milhões de casos e ~160.000 mortes por coqueluche anualmente, predominantemente em crianças <5 anos em países de baixa renda. A doença é subnotificada mundialmente — muitos casos em adolescentes e adultos não são diagnosticados.
Ressurgimento global: Desde os anos 2010, surtos de coqueluche vêm ocorrendo em países com alta cobertura vacinal (EUA, Austrália, Reino Unido, Holanda). Causas prováveis:
Declínio da imunidade com vacinas acelulares (aP) mais rápido que com celulares (wP)
Acúmulo de coortes de adolescentes/adultos com imunidade decrescente
Melhoria do diagnóstico (PCR amplamente disponível)
A vacina acelular previne doença mas pode não prevenir colonização/transmissão
Situação no Brasil: O Brasil experimentou picos em 2011–2014 (>8.000 casos/ano em 2014), seguidos de declínio com a implementação da vacinação materna com dTpa (2014). Em 2019: ~2.100 casos. Em 2020–2021: queda significativa (medidas contra COVID-19). Em 2022–2023: retomada gradual (~1.500–2.000 casos/ano).
Perfil epidemiológico brasileiro:
Lactentes <6 meses: grupo mais afetado e com maior mortalidade
Mães e pais não vacinados com dTpa: principal fonte de infecção para lactentes
Cobertura com pentavalente: ~76% em 2023 (meta: ≥95%)
Cobertura com dTpa gestante: ~65% em 2023
Sazonalidade: Pico no final da primavera e verão em climas temperados; menos marcada em regiões tropicais.
Quem tem mais risco
Lactentes não vacinados/com esquema incompleto, imunidade em declínio (5–10 anos após a vacinação), contato domiciliar com pessoa infectada, aglomeração.
Complicações potenciais
Complicações — mais graves e frequentes em lactentes <6 meses:
Complicações respiratórias:
Pneumonia: Principal causa de morte por coqueluche. Ocorre em 5–10% dos casos. Pode ser primária (B. pertussis) ou secundária (superinfecção bacteriana com S. pneumoniae, H. influenzae).
Atelectasia: Colapso pulmonar por tampões de muco espesso
Pneumotórax e enfisema subcutâneo: Raros; causados por pressão intratorácica elevada durante paroxismos
Apneia: O sinal mais ameaçador em lactentes — pode causar morte súbita ou dano cerebral hipóxico. Ocorre em 50–60% dos lactentes hospitalizados <6 meses.
Complicações neurológicas:
Encefalopatia pertussis: 0,1–0,3% dos casos em lactentes. Causada por hipóxia durante apneia/paroxismos prolongados, ou raramente por hemorragia intracraniana (pressão venosa elevada). Convulsões, alteração da consciência. Sequelas em 30% dos sobreviventes.
Convulsões: 1–2% dos casos. Febrís ou por hipóxia.
Hemorragia intracraniana (subdural, subaracnoide): Rara; pela pressão venosa durante paroxismos
Complicações mecânicas (pela pressão dos paroxismos):
Hemorragias subconjuntivais (25–30% dos casos paroxísticos)
Epistaxe, petéquias faciais
Fratura de costela (rara, especialmente em idosos)
Prolapso retal (raro)
Hérnia inguinal ou umbilical
Incontinência urinária
Hiperleucocitose em lactentes:
Mortalidade:
Global: 0,5–1% dos casos notificados (predominantemente lactentes <6 meses — 90% dos óbitos)
Lactentes <2 meses: mortalidade de 1–3%
Brasil (2019): 3 óbitos em 2.140 casos notificados
Adultos: mortalidade praticamente nula, mas morbidade significativa (tosse por meses)
Resultados esperados e recuperação
Lactentes <6 meses: Maior morbidade e mortalidade. TL 1–3% em lactentes não vacinados. Principal causa de óbito por coqueluche.
Crianças maiores e adultos: Raramente fatal, mas causa morbidade prolongada. "Tosse dos 100 dias."
Complicações:
Pneumonia (causa mais comum de óbito em lactentes): 5–10%.
Convulsões: 1–2%, geralmente febris.
Encefalopatia: 0,1–0,3%.
Fraturas de costela, hérnias, hemorragia subconjuntival (por tosse violenta).
Hipersensibilidade da tosse pós-coqueluche pode persistir por meses.
Imunidade: A infecção natural confere 7–20 anos de proteção. A imunidade induzida por vacina diminui ao longo de 5–10 anos.
Esta doença é prevenível por vacinação. Proteção eficaz está disponível.
Converse com um especialista em medicina de viagem sobre o esquema recomendado antes da sua viagem.
Encontrar uma clínica de vacinação →O conteúdo desta página tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui aconselhamento médico, diagnóstico ou recomendações de tratamento. Em caso de problemas de saúde, consulte um profissional de saúde qualificado. O Medova não é um prestador de serviços médicos.
Termos de uso completosRecent epidemiological data from the World Health Organization Global Health Observatory.
Source: WHO GHO OData ↗
This data is provided for informational purposes. Please consult official WHO sources for the most current information.
View WHO data source →Sabe qual vacina precisa? Ótimo. Não tem certeza? Basta informar seu destino — encontraremos as vacinas adequadas e uma clínica. Grátis, sem compromisso.