Visão geral
Doença respiratória aguda altamente contagiosa causada pelos vírus influenza A e B.
Sintomas
Sintomas | Frequência | Gravidade | Início |
|---|---|---|---|
| Febre | 95% | Moderado | Fase inicial |
| Mialgia | 85% | Moderado | Fase inicial |
| Calafrios | 85% | Leve | Fase inicial |
| Tosse | 75% | Leve | Fase inicial |
| Fadiga | 80% | Moderado | Fase inicial |
| Cefaleia | 90% | Moderado | Fase inicial |
| Congestão nasal | 50% | Leve | Fase inicial |
| Náusea | 30% | Leve | Fase inicial |
| Rinorreia | 40% | Leve | Fase inicial |
| Dor de garganta | 60% | Leve | Fase inicial |
| Falta de ar | 15% | Moderado | Fase aguda |
Transmissão
Visão geral
A influenza (gripe) é uma infecção respiratória aguda causada por vírus influenza da família Orthomyxoviridae. Dois tipos causam epidemias sazonais em humanos: influenza A (subtipos H1N1 e H3N2 em circulação) e influenza B. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias e aerossóis, além de contato com superfícies contaminadas.
Estima-se 1 bilhão de infecções, 3–5 milhões de casos graves e 290.000–650.000 óbitos respiratórios anuais globalmente. A doença apresenta sazonalidade no inverno em regiões temperadas e circula o ano todo nos trópicos. A variação antigênica (drift e shift) dos vírus influenza A explica as epidemias anuais e as pandemias periódicas.
Visão geral
Visão clínica geral: Infecção respiratória viral prevenível por vacinação, com período de incubação de 1–4 dias. Curso autolimitado (3–7 dias) na maioria dos indivíduos saudáveis, mas pode causar complicações graves em grupos de risco: idosos (≥65 anos), crianças <5 anos, gestantes e portadores de doenças crônicas.
A CFR geral é <0,1%, mas alcança 2–3% entre hospitalizados. Nos EUA, estima-se 140.000–710.000 hospitalizações e 12.000–52.000 óbitos anuais. A vacinação anual é a principal medida preventiva.
Sinais de emergência
Procure atendimento médico de emergência se apresentar: dispneia ou dificuldade respiratória; dor torácica persistente; confusão mental ou alteração do nível de consciência; febre persistente >3 dias sem melhora; cianose (lábios ou unhas arroxeados); desidratação grave (ausência de urina por >8 horas); ou piora abrupta após melhora inicial (sugere pneumonia bacteriana secundária). Em crianças: recusa alimentar, irritabilidade extrema, convulsão febril.
Sintomas detalhados
Sinais e sintomas mais comuns
O início é caracteristicamente abrupto, com febre alta (38–40°C), calafrios, cefaleia intensa, mialgia, artralgia e prostração. Sintomas respiratórios (tosse seca, odinofagia, congestão nasal) surgem simultaneamente ou logo após. Diferencia-se do resfriado comum pela intensidade dos sintomas sistêmicos.
Em crianças, sintomas gastrointestinais (náusea, vômito, diarreia) são mais frequentes. Idosos podem apresentar quadro atípico (confusão mental, descompensação de doenças crônicas) sem febre proeminente. A tosse pode persistir por 2–3 semanas após a resolução dos demais sintomas.
Conhecer os sintomas é o primeiro passo para uma resposta rápida.
Curso da doença
Período de incubação: 1–4 dias (média 2 dias). Início abrupto de febre e sintomas sistêmicos. A febre dura 3–5 dias; sintomas respiratórios persistem por 5–7 dias; a tosse pode durar 2–3 semanas. O período de transmissibilidade vai de 1 dia antes até 5–7 dias após o início dos sintomas (mais longo em crianças e imunossuprimidos).
Complicações (pneumonia, exacerbação de doenças crônicas) tipicamente surgem nos dias 4–7. A fadiga pós-gripal pode durar semanas.
Diagnóstico
Como esta doença é identificada
O diagnóstico pode ser clínico durante epidemias sazonais. A confirmação laboratorial é feita por RT-PCR (padrão-ouro — alta sensibilidade e especificidade, resultado em 1–6 horas) em swab nasofaríngeo. Testes rápidos de antígeno (15–30 minutos) têm sensibilidade de 50–70% (falsos negativos frequentes). Testes rápidos moleculares (NAAT point-of-care) oferecem melhor desempenho que os antigênicos. A cultura viral é usada para vigilância e caracterização de cepas, não para diagnóstico clínico.
Tratamento
Métodos de tratamento disponíveis
Os inibidores de neuraminidase são recomendados para pacientes de alto risco ou com doença grave: oseltamivir (75 mg 2×/dia por 5 dias VO — disponível no SUS brasileiro) é a primeira linha; zanamivir inalatório e peramivir IV são alternativas. Baloxavir marboxil (dose única oral) é opção para casos não complicados. O benefício é máximo quando iniciado nas primeiras 48 horas de sintomas, mas ainda indicado em casos graves mesmo após esse período.
Tratamento de suporte: repouso, hidratação, analgésicos/antipiréticos (paracetamol, ibuprofeno — evitar aspirina em crianças pelo risco de síndrome de Reye).
A maioria dos casos é tratada com eficácia quando diagnosticada precocemente.
Detalhes de prevenção
Como se proteger
A vacinação anual é a medida preventiva mais eficaz. Vacinas sazonais (inativadas trivalentes/tetravalentes ou recombinantes) são recomendadas para toda a população ≥6 meses, com prioridade para grupos de risco. A eficácia varia de 40–60% dependendo da correspondência com as cepas circulantes. No Brasil, a campanha anual do SUS é gratuita para grupos prioritários.
Medidas complementares: higiene das mãos (álcool gel 70%), etiqueta respiratória (cobrir boca/nariz ao tossir), distanciamento de sintomáticos e quimioprofilaxia com oseltamivir em contextos específicos.
A preparação é a melhor proteção.
Conselhos de viagem
Viajantes devem estar com a vacinação contra influenza atualizada, especialmente ao viajar para o hemisfério oposto durante sua temporada gripal (invertida em relação ao hemisfério de origem). Cruzeiros e grandes aglomerações (peregrinações, festivais) aumentam o risco. Viajantes para regiões tropicais devem considerar vacinação em qualquer época do ano (circulação contínua). Leve antiviral (oseltamivir) prescrito se pertencer a grupo de risco e for viajar para áreas remotas.
Quão comum é?
Estatísticas e dados geográficos
A influenza causa epidemias sazonais anuais em todo o mundo: inverno no hemisfério norte (novembro–março), inverno no hemisfério sul (maio–setembro) e circulação contínua nos trópicos. Pandemias ocorrem em intervalos irregulares: 1918 (H1N1, ~50 milhões de óbitos), 1957 (H2N2), 1968 (H3N2) e 2009 (H1N1pdm09). No Brasil, estima-se milhares de óbitos anuais por influenza, com pico entre maio e agosto.
Fatores de risco
Quem tem mais risco
Os grupos de maior risco para complicações incluem: idosos ≥65 anos (maior mortalidade); crianças <5 anos (especialmente <2 anos); gestantes e puérperas; portadores de doenças crônicas (cardiopatias, pneumopatias, diabetes, doença renal, hepatopatias); imunossuprimidos (HIV, transplante, quimioterapia); obesos (IMC ≥40); e residentes de instituições de longa permanência. Profissionais de saúde têm risco ocupacional elevado.
Detalhes das complicações
Complicações potenciais
As complicações incluem: pneumonia viral primária (infiltrados bilaterais, SDRA — principal causa de óbito); pneumonia bacteriana secundária (S. pneumoniae, S. aureus — piora após melhora inicial); miocardite e pericardite; encefalite e síndrome de Guillain-Barré (raras); exacerbação de doenças crônicas (DPOC, asma, insuficiência cardíaca); e síndrome de Reye (encefalopatia hepática em crianças tratadas com aspirina). Superinfecção bacteriana é a complicação tratável mais importante.
Recuperação e perspetivas
Resultados esperados e recuperação
A maioria dos casos é autolimitada (3–7 dias), com recuperação completa. A CFR geral é <0,1%, mas aumenta significativamente em grupos de risco: 2–3% em hospitalizados, até 10% em pacientes em UTI. Fatores de mau prognóstico: idade ≥65 anos, doença cardíaca ou pulmonar crônica, imunossupressão, obesidade (IMC ≥40) e atraso no tratamento antiviral. A mortalidade varia conforme a cepa circulante e a cobertura vacinal.