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Quão grave?
Risco de morte
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Tempo até sintomas
Países afetados
Surtos ativos
O risco aumenta com atividades em água doce (natação, caiaque, rafting) em regiões tropicais, especialmente após chuvas fortes ou inundações. Evite andar em águas de enchente. Cubra cortes e escoriações. Procure atendimento médico para febre com dor muscular após exposição à água.
Zoonose bacteriana transmitida por água/solo contaminados com urina de animais infectados, especialmente ratos.
Sintomas | Frequência | Gravidade | Início |
|---|---|---|---|
| Conjuntivite | 40% | Leve | Fase inicial |
| Calafrios | 70% | Leve | Fase inicial |
| Febre | 97% | Moderado | Fase inicial |
| Cefaleia | 98% | Moderado | Fase inicial |
| Febre alta | 75% | Moderado | Fase inicial |
| Mialgia | 90% | Moderado | Fase inicial |
| Dor nas costas | 50% | Leve | Fase inicial |
| Perda de apetite | 65% | Leve | Fase inicial |
| Mal-estar | 65% | Leve | Fase inicial |
| Náusea | 60% | Leve | Fase inicial |
| Dor retro-orbitária | 35% | Leve | Fase inicial |
| Vômitos | 50% | Leve | Fase inicial |
| Erupção cutânea | 10% | Leve | Fase inicial |
| Icterícia | 10% | Grave | Fase aguda |
| Oligúria | 15% | Grave | Fase aguda |
| Urina escura | 12% | Moderado | Fase aguda |
| Hemoptise | 3% | Crítico | Fase aguda |
| Hemorragia | 5% | Grave | Fase aguda |
| Hepatomegalia | 25% | Leve | Fase aguda |
| Hipotensão | 8% | Grave | Fase aguda |
| Falta de ar | 8% | Grave | Fase aguda |
| Petéquias | 8% | Leve | Fase aguda |
| Esplenomegalia | 15% | Leve | Fase aguda |
| Dor abdominal | 40% | Leve | Qualquer fase |
| Tosse | 25% | Leve | Qualquer fase |
| Diarreia | 30% | Leve | Qualquer fase |
| Taquicardia | 30% | Leve | Qualquer fase |
A leptospirose é uma zoonose bacteriana causada por espiroquetas patogênicas do gênero Leptospira, com mais de 300 sorovares identificados. A transmissão ocorre por contato de mucosas ou pele lesionada com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados (principalmente ratos, mas também cães, bovinos e suínos).
É considerada a zoonose mais disseminada globalmente, com incidência estimada em >1 milhão de casos graves e ~60.000 óbitos anuais. A doença é especialmente prevalente em regiões tropicais e subtropicais, com picos após enchentes e chuvas intensas.
A leptospirose é uma zoonose causada por espiroquetas do gênero Leptospira (>250 sorovares patogênicos), transmitida pelo contato com água, solo ou alimentos contaminados com urina de animais infectados — principalmente ratos (Rattus norvegicus, o principal reservatório urbano). As leptospiras penetram por pele lesada, mucosas ou pele íntegra macerada pela imersão prolongada em água contaminada.
A doença é um importante problema de saúde pública no Brasil, especialmente durante as enchentes urbanas. Em períodos de chuvas intensas (verão brasileiro), inundações carreiam urina de ratos para ruas, residências e locais de trabalho, gerando surtos. O espectro clínico varia de doença febril leve (~90%) até a forma grave — doença de Weil (icterícia + insuficiência renal + hemorragias) com mortalidade de 10–50%, e a síndrome de hemorragia pulmonar (SPHS) com mortalidade >50%.
A OMS estima ~1 milhão de casos graves e ~58.900 mortes/ano globalmente. No Brasil, são notificados ~3.500–4.000 casos/ano (SINAN), com letalidade de ~10%. A leptospirose é doença de notificação compulsória ao SINAN. Os estados mais afetados são São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Acre.
Procure atendimento de emergência se apresentar: icterícia (pele e olhos amarelados), diminuição da produção de urina (oligúria), hemoptise ou sangramento pulmonar (escarro rosado/sanguinolento), dispneia intensa, sangramento de gengivas ou petéquias difusas, ou confusão mental com febre — especialmente após exposição a enchentes ou água contaminada. A síndrome hemorrágica pulmonar pode ser fatal em horas.
Sinais e sintomas mais comuns
Período de incubação: 2–30 dias (geralmente 7–14 dias)
Fase leptospirêmica/anictérica (~90% dos casos):
Febre alta de início abrupto (39–40°C), calafrios
Cefaleia intensa — bifrontal, com dor retroorbitária
Mialgia intensa — especialmente de PANTURRILHAS (sinal altamente sugestivo — quase patognomônico em contexto epidemiológico adequado)
Sufusão conjuntival (hiperemia conjuntival sem exsudato) — achado bastante sugestivo, presente em 30–40%
Náusea, vômitos, diarreia, dor abdominal
Artralgia, prostração
Exantema em ~10%
Resolução em 5–7 dias na maioria
Doença de Weil — fase imune/grave (~5–10%): Após breve melhora (1–3 dias), reaparição de febre com:
Icterícia rubínica ("amarelo-alaranjado" — bilirrubina direta + hemólise; patognomônico)
Insuficiência renal aguda: Oligúria, creatinina elevada — frequentemente não oligúrica (leptospira causa nefrite intersticial com perda de potássio)
Hemorragias: Epistaxe, gengivorragia, hematúria, hemorragia digestiva, petéquias
Hepatomegalia dolorosa
Meningite asséptica (em até 25%)
Miocardite: Arritmias, insuficiência cardíaca
Síndrome de Hemorragia Pulmonar da Leptospirose (SPHS):
Hemoptise maciça, insuficiência respiratória aguda — mortalidade >50%
Pode ocorrer SEM icterícia (forma pulmonar isolada)
Mecanismo: capilarite pulmonar imunomediada
Conhecer os sintomas é o primeiro passo para uma resposta rápida.
Período de incubação: 2–30 dias (tipicamente 7–12). Evolução bifásica: fase septicêmica (3–7 dias) com febre, mialgia e leptospiremia, seguida de breve remissão (1–3 dias) e fase imune com manifestações específicas de órgãos. A doença de Weil desenvolve-se na 2ª semana.
A recuperação de formas leves ocorre em 1–3 semanas. Formas graves requerem semanas a meses de convalescência. A função renal geralmente se normaliza completamente. Leptospirúria pode persistir por semanas a meses.
Como esta doença é identificada
Diagnóstico clínico (suspeitar em contexto epidemiológico!): Febre + mialgia de panturrilhas + cefaleia + exposição a enchentes/água contaminada/ratos → TRATAR EMPIRICAMENTE.
Confirmação laboratorial:
MAT (microaglutinação): Padrão-ouro. Soro pareado com aumento ≥4× do título. Resultado demorado (laboratório de referência — Fiocruz/IAL).
ELISA IgM: A partir do 5º–7º dia. Teste de triagem. Disponível no SUS.
PCR: Sangue (primeiros 10 dias) ou urina (2ª–4ª semana). Mais rápido e sensível.
Cultura: Meio EMJH. Resultado em 2–6 semanas — não é para diagnóstico de urgência.
Exames complementares:
Hemograma: leucocitose com neutrofilia e desvio à esquerda (diferencial com dengue que cursa com leucopenia!)
Bilirrubinas: elevadas (direta predominante)
CPK: elevada (rabdomiólise)
Creatinina, ureia: elevadas (IRA)
Potássio: pode ser NORMAL ou BAIXO apesar de IRA (nefrite com perda de K+ — característica!)
Notificação: Compulsória semanal ao SINAN. Surtos: notificação imediata.
Métodos de tratamento disponíveis
Antibioticoterapia (iniciar na SUSPEITA — não aguardar confirmação):
Formas leves: Doxiciclina 100 mg VO 12/12h por 5–7 dias; OU Amoxicilina 500 mg 8/8h
Formas graves (Weil/SPHS): Penicilina G cristalina 1,5 milhão UI IV 6/6h por 7 dias; OU Ceftriaxona 1g IV 1×/dia por 7 dias
Iniciar ATB idealmente até o 5º dia — benefício reduzido após esse período, mas tratar mesmo se tardio
Suporte na forma grave (UTI):
Hemodiálise precoce (IRA com oligúria ou hipercalemia)
Ventilação mecânica protetora (SPHS — ventilação com baixos volumes)
Correção de coagulopatia
Suporte hemodinâmico
Quimioprofilaxia (pós-exposição):
A maioria dos casos é tratada com eficácia quando diagnosticada precocemente.
Como se proteger
Controle de roedores e saneamento:
Desratização em áreas urbanas
Saneamento básico (esgoto, drenagem de águas pluviais)
Acondicionamento adequado de lixo
Evitar acúmulo de entulho
Proteção individual (enchentes):
EVITAR contato com água de enchentes — a principal mensagem de saúde pública
Se contato inevitável: botas de borracha, luvas, proteção de ferimentos
Higiene rigorosa após exposição
Quimioprofilaxia:
NÃO existe vacina humana amplamente disponível (vacinas veterinárias para cães e bovinos existem)
A preparação é a melhor proteção.
Risco: Viajantes de aventura (rafting, canyoning, trilhas em rios), voluntários em respostas a desastres, turistas em áreas de enchentes tropicais. Risco durante enchentes no Brasil e SE Asiático.
Precauções: Evitar água de enchentes, rios e lagos potencialmente contaminados. Usar calçados fechados. Se exposição prolongada inevitável: considerar doxiciclina profilática.
Se febre + mialgia de panturrilhas após exposição a enchente/água contaminada: procurar atendimento URGENTE — a leptospirose é tratável mas pode ser rapidamente fatal se não diagnosticada.
Estatísticas e dados geográficos
A leptospirose é a zoonose mais prevalente mundialmente, com >1 milhão de casos graves e ~60.000 óbitos anuais estimados (OMS). A maior incidência ocorre em regiões tropicais: Sudeste Asiático, América Latina (especialmente Brasil), Oceania e África Subsaariana. No Brasil, milhares de casos são notificados anualmente, com picos durante a estação chuvosa e após enchentes urbanas. Surtos associados a enchentes, desastres naturais e eventos esportivos aquáticos são frequentes.
Quem tem mais risco
Os principais fatores de risco incluem: exposição ocupacional (trabalhadores de esgoto, mineradores, agricultores, veterinários, militares); exposição recreativa a água doce contaminada (natação, canoagem, rafting); enchentes em áreas urbanas com alta população de roedores; moradia precária com infestação de ratos; e viagem de aventura para regiões tropicais. Homens e adultos jovens são desproporcionalmente afetados.
Complicações potenciais
Doença de Weil (icterícia + IRA + hemorragia): Mortalidade 10–50%
SPHS (hemorragia pulmonar): Mortalidade >50%
Insuficiência renal: 15–40% das formas graves; hemodiálise em ~30%
Miocardite: Arritmias, IC — contribui para mortalidade
Meningite asséptica: Geralmente autolimitada
Uveíte (tardia): Semanas a meses após infecção; pode causar perda visual
Pancreatite: Rara
Mortalidade Brasil: ~10% dos casos notificados (SINAN). SPHS: >50%.
Resultados esperados e recuperação
A maioria dos casos (90%) é autolimitada com recuperação completa em 1–3 semanas. A doença de Weil tem CFR de 5–15% mesmo com tratamento, chegando a 50% com insuficiência renal dialítica. A síndrome hemorrágica pulmonar tem CFR >50%. Fatores de mau prognóstico: idade >40 anos, oligúria, hipercalemia, hemorragia pulmonar e alteração do sensório. A insuficiência renal da leptospirose é tipicamente não oligúrica e reversível.
O conteúdo desta página tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui aconselhamento médico, diagnóstico ou recomendações de tratamento. Em caso de problemas de saúde, consulte um profissional de saúde qualificado. O Medova não é um prestador de serviços médicos.
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