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Quão grave?
Risco de morte
Sim
Vacina disponível?
Tempo até sintomas
Países afetados
Surtos ativos
Altamente contagiosa — transmissão aérea e por contato. Adultos não imunes viajando para áreas com surtos ativos estão em risco particular. Vacinação recomendada para viajantes não imunes.
Doença viral altamente contagiosa que causa erupção vesicular com coceira.
Sintomas | Frequência | Gravidade | Início |
|---|---|---|---|
| Febre | 70% | Leve | Fase inicial |
| Fadiga | 45% | Leve | Fase inicial |
| Cefaleia | 50% | Leve | Fase inicial |
| Perda de apetite | 40% | Leve | Fase inicial |
| Mal-estar | 50% | Leve | Fase inicial |
| Erupção vesicular | 100% | Leve | Fase aguda |
| Mialgia | 30% | Leve | Fase aguda |
| Prurido | 95% | Leve | Qualquer fase |
A varicela (catapora) é uma infecção viral altamente contagiosa causada pelo vírus varicela-zóster (VVZ), um herpesvírus humano (HHV-3) da família Herpesviridae. A transmissão ocorre por via aérea (gotículas e aerossóis) e por contato direto com o líquido vesicular das lesões. O VVZ é um dos patógenos mais contagiosos conhecidos (taxa de ataque secundário domiciliar de 80–90%).
Após a infecção primária (varicela), o vírus permanece latente nos gânglios nervosos sensoriais e pode reativar décadas depois como herpes-zóster (cobreiro). A vacinação reduziu dramaticamente a incidência de varicela nos países com vacinação universal.
Visão clínica geral: Infecção primária pelo VVZ, altamente contagiosa (R₀ 10–12), transmitida por via aérea e contato com vesículas. Incubação de 10–21 dias (média 14). Doença geralmente benigna em crianças imunocompetentes, mas potencialmente grave em neonatos, adultos, gestantes e imunossuprimidos.
A CFR é baixa em crianças saudáveis (1/100.000), mas significativamente maior em adultos (25/100.000) e neonatos (até 30%). Complicações incluem infecção bacteriana secundária, pneumonia varicela e encefalite. Vacina de vírus vivo atenuado (cepa Oka) disponível desde 1995.
Procure atendimento médico de emergência se apresentar: dispneia ou tosse intensa durante varicela (pneumonia varicelosa); febre alta persistente ou recorrente após o 4º dia (infecção bacteriana secundária); cefaleia intensa com vômitos e alteração da consciência (encefalite); sangramento das lesões ou petéquias (púrpura fulminante); lesões com celulite extensa (eritema, calor, dor — fasceíte necrosante); ou varicela em gestante, neonato ou imunossuprimido.
Sinais e sintomas mais comuns
A varicela inicia com pródromo leve (febre baixa, mal-estar, anorexia) por 1–2 dias, seguido do exantema característico: máculas→pápulas→vesículas→pústulas→crostas, em ondas sucessivas ao longo de 3–5 dias, resultando em lesões em diferentes estágios evolutivos simultaneamente (achado patognomônico). As lesões são pruriginosas e predominam no tronco, face e couro cabeludo, com menor acometimento de extremidades.
Em adultos, o quadro tende a ser mais grave, com febre mais alta, maior número de lesões (250–500 vs. 100–300 em crianças) e maior risco de complicações, especialmente pneumonia.
Conhecer os sintomas é o primeiro passo para uma resposta rápida.
Período de incubação: 10–21 dias (média 14). Pródromo (1–2 dias): febre baixa, mal-estar. Fase exantemática (3–5 dias): ondas sucessivas de lesões em diferentes estágios. Novas lesões cessam no 5º–7º dia; formação de crostas em 5–7 dias; crostas caem em 1–2 semanas. Contagiosidade: 1–2 dias antes do exantema até todas as lesões formarem crostas (geralmente 5–7 dias).
Em imunossuprimidos, novas lesões podem continuar surgindo por semanas, com risco de disseminação visceral.
Como esta doença é identificada
O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado no exantema vesicular característico com lesões em diferentes estágios evolutivos. Confirmação laboratorial (quando necessária): PCR do líquido vesicular (padrão-ouro — alta sensibilidade e especificidade); imunofluorescência direta (IFD) de raspados vesiculares; e sorologia (IgM para infecção aguda, IgG para verificação de imunidade). O teste de Tzanck (células gigantes multinucleadas) é inespecífico (positivo também em HSV).
Métodos de tratamento disponíveis
Em crianças saudáveis, o tratamento é sintomático: anti-histamínicos orais para prurido, paracetamol para febre (evitar aspirina — risco de síndrome de Reye; evitar ibuprofeno — associação com fasceíte necrosante é debatida), banhos com aveia coloidal e cuidados locais com as lesões.
Aciclovir oral (20 mg/kg 4×/dia por 5 dias) é recomendado para adolescentes, adultos, gestantes e crianças com doença moderada. Aciclovir intravenoso é indicado para doença grave, pneumonia varicelosa e imunossuprimidos. Imunoglobulina específica (VZIG) é indicada pós-exposição para gestantes, neonatos e imunossuprimidos suscetíveis.
A maioria dos casos é tratada com eficácia quando diagnosticada precocemente.
Como se proteger
A vacinação é a principal medida preventiva. A vacina de vírus vivo atenuado (cepa Oka) é administrada em esquema de 2 doses (12–15 meses e 4–6 anos). Eficácia: ~85% contra qualquer varicela e >95% contra doença grave. A vacina combinada MMRV está disponível. No Brasil, a vacina varicela está no PNI em dose única aos 15 meses (tetraviral — MMRV).
Profilaxia pós-exposição: vacina até 5 dias pós-exposição (idealmente 72h) ou imunoglobulina anti-VVZ (VZIG) para gestantes, neonatos e imunossuprimidos suscetíveis expostos. Isolamento de pacientes até todas as lesões formarem crostas.
A preparação é a melhor proteção.
Viajantes devem verificar imunidade contra varicela (história prévia de doença ou vacinação) antes de viajar, especialmente adultos sem imunidade comprovada. A varicela em adultos é mais grave que em crianças. Mulheres em idade fértil não imunes devem ser vacinadas pelo menos 1 mês antes da viagem (vacina de vírus vivo contraindicada na gestação). A varicela é altamente contagiosa em ambientes fechados (aviões, navios, albergues).
Estatísticas e dados geográficos
A varicela tem distribuição global. Em climas temperados, apresenta sazonalidade no inverno-primavera com pico em crianças de 5–9 anos. Em climas tropicais (incluindo Brasil), a epidemiologia é distinta: maior proporção de casos em adolescentes e adultos, sem sazonalidade marcada. Antes da vacinação, ~4 milhões de casos/ano nos EUA; a vacinação universal reduziu a incidência em >90%. No Brasil, a vacina foi incluída no PNI em 2013 (15 meses). A soroprevalência em adultos brasileiros é de ~90%.
Quem tem mais risco
Os grupos de maior risco para varicela grave incluem: neonatos (especialmente se a mãe desenvolver varicela 5 dias antes a 2 dias após o parto — CFR até 30%); adultos suscetíveis (doença mais grave que em crianças); gestantes (pneumonia varicelosa, síndrome da varicela congênita se no 1º/2º trimestre); imunossuprimidos (HIV, quimioterapia, corticoterapia, transplante — doença disseminada); e indivíduos em uso de aspirina (risco de síndrome de Reye).
Complicações potenciais
As complicações incluem: infecção bacteriana secundária de pele (impetigo, celulite por S. aureus e S. pyogenes — complicação mais comum em crianças); fasceíte necrosante (rara, grave — S. pyogenes); pneumonia varicelosa (mais comum em adultos, gestantes e fumantes — CFR 10–30%); encefalite e ataxia cerebelar (1/4.000 casos — geralmente com boa recuperação); síndrome de Reye (com uso de aspirina); e varicela neonatal disseminada (hepatite, pneumonite, encefalite). Herpes-zóster é sequela tardia da latência do VVZ.
Resultados esperados e recuperação
O prognóstico é excelente em crianças imunocompetentes: doença autolimitada com recuperação completa em 7–10 dias. A CFR é de ~1/100.000 em crianças, ~25/100.000 em adultos e até 30% em neonatos com varicela neonatal disseminada. Pneumonia varicelosa (mais comum em adultos e gestantes) tem CFR de 10–30%. Imunossuprimidos podem ter doença disseminada (hepatite, encefalite, CIVD) com CFR de 15–18%. O VVZ permanece latente indefinidamente, com risco de reativação como herpes-zóster.
Esta doença é prevenível por vacinação. Proteção eficaz está disponível.
Converse com um especialista em medicina de viagem sobre o esquema recomendado antes da sua viagem.
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