A vacina inativada contra poliomielite (VIP ou IPV — Inactivated Polio Vaccine) contém os 3 sorotipos do poliovírus (1, 2 e 3) inativados com formaldeído, produzidos em células VERO. Conferem imunidade humoral (IgG sérica) que protege contra paralisia, sem replicação viral no intestino. O Brasil realizou uma das transições mais significativas em seu programa de imunização ao substituir progressivamente a vacina oral contra poliomielite (VOP — Sabin) pela VIP. Desde agosto de 2024, o PNI utiliza
A vacina inativada contra poliomielite (VIP ou IPV — Inactivated Polio Vaccine) contém os 3 sorotipos do poliovírus (1, 2 e 3) inativados com formaldeído, produzidos em células VERO. Conferem imunidade humoral (IgG sérica) que protege contra paralisia, sem replicação viral no intestino.
O Brasil realizou uma das transições mais significativas em seu programa de imunização ao substituir progressivamente a vacina oral contra poliomielite (VOP — Sabin) pela VIP. Desde agosto de 2024, o PNI utiliza exclusivamente VIP para todas as doses do esquema primário e reforços, eliminando completamente a VOP do calendário vacinal. Esta decisão acompanha a diretriz global da OMS de eliminação do uso da VOP para evitar casos de poliomielite associada à vacina (VAPP) e poliovírus derivado de vacina circulante (cVDPV).
O Brasil foi certificado como livre de poliovírus selvagem em 1994 (última caso em 1989, em Souza/PB). No entanto, o risco de importação persiste enquanto houver transmissão ativa no mundo (Afeganistão e Paquistão mantêm transmissão endêmica do poliovírus selvagem tipo 1 em 2024). Surtos de cVDPV2 continuam ocorrendo em vários países da África e Ásia.
Calendário PNI/SUS (esquema exclusivo com VIP desde 2024):
2 meses: VIP (1ª dose, componente da vacina hexavalente ou pentavalente)
4 meses: VIP (2ª dose)
6 meses: VIP (3ª dose)
15 meses: VIP (1º reforço)
4 anos: VIP (2º reforço)
Campanhas de vacinação:
Campanhas nacionais de multivacinação: VIP para crianças com esquema incompleto
A VOP (gotinha) NÃO é mais utilizada em campanhas desde 2024
Viajantes:
Recomendada para viajantes adultos não vacinados ou com esquema incompleto que se deslocam para países com circulação de poliovírus (Afeganistão, Paquistão, países com surtos de cVDPV)
Dose de reforço para adultos vacinados na infância que viajam para áreas de risco (dose única de VIP)
Alguns países podem exigir certificado de vacinação contra polio (conforme RSI/OMS)
Grupos especiais:
Imunossuprimidos que necessitam de vacinação contra polio: SOMENTE VIP (VOP é contraindicada por ser vacina viva)
Contactantes domiciliares de imunossuprimidos: SOMENTE VIP
Contraindicações absolutas:
Reação anafilática documentada a dose anterior de VIP
Hipersensibilidade grave a componentes da vacina (neomicina, estreptomicina, polimixina B — traços residuais do processo de produção)
Precauções:
Doença febril aguda moderada a grave: adiar até recuperação
Infecções leves NÃO constituem contraindicação
Vacina inativada — segura em todos os grupos:
Gestantes (segura em qualquer trimestre)
Lactantes
Imunossuprimidos de qualquer grau (incluindo HIV/AIDS)
Contactantes de imunossuprimidos
Prematuros
Vantagem sobre a VOP: A VIP não pode causar VAPP (poliomielite associada à vacina) nem gerar cVDPV (poliovírus derivado de vacina circulante), tornando-a a opção mais segura.
Reações muito comuns (>10%): Dor no local da injeção (29–50%). Eritema local (até 30%). Induração (até 20%). Irritabilidade em lactentes (até 65%). Sonolência em lactentes.
Reações comuns (1–10%): Febre (1–3% em adultos; até 15% em lactentes — geralmente quando coadministrada com DTPa). Choro prolongado em lactentes.
Reações incomuns a raras (<1%): Cefaleia. Mialgia. Fadiga. Linfadenopatia.
Reações muito raras: Reações alérgicas (urticária, angioedema). Anafilaxia (excepcionalmente rara).
Perfil de segurança excepcional: A VIP é uma das vacinas mais seguras disponíveis. Não causa VAPP (incidência zero, vs. 1:750.000 primeiras doses de VOP). Não gera cVDPV. O perfil de segurança é consistente há >50 anos de uso global.
Esquema PNI/SUS (desde 2024):
2 meses: VIP 0,5 mL IM
4 meses: VIP 0,5 mL IM
6 meses: VIP 0,5 mL IM
15 meses: VIP reforço 0,5 mL IM
4 anos: VIP reforço 0,5 mL IM
Adultos não vacinados:
Via de administração:
Intramuscular (IM): vasto lateral da coxa (lactentes) ou deltoide (crianças maiores e adultos)
Via subcutânea (SC) é aceitável se IM não for possível
Conservação:
+2°C a +8°C (rede de frio)
NÃO congelar
Apresentação líquida ou como componente de vacinas combinadas
Disponibilidade:
PNI/SUS: VIP disponível em todas as UBS (monovalente ou combinada)
Clínicas privadas: disponível em vacinas combinadas (hexa, penta, tetra)
Imunogenicidade: Após 3 doses de VIP, a soroconversão é de 99–100% para os 3 sorotipos de poliovírus (1, 2 e 3). A VIP induz imunidade humoral robusta (IgG sérica) que previne a doença paralítica.
Imunidade de mucosa: A VIP induz imunidade de mucosa intestinal limitada (inferior à VOP). Indivíduos vacinados com VIP podem ser infectados assintomaticamente e excretar poliovírus selvagem nas fezes. Em países com alta cobertura vacinal exclusiva com VIP (países nórdicos, Holanda), não há circulação de poliovírus — indicando que a imunidade humoral é suficiente para interromper a transmissão em contextos de saneamento adequado.
Duração da proteção: A proteção contra doença paralítica persiste por décadas após o esquema primário completo. Estudos em países que utilizam VIP há >40 anos (Escandinávia, Holanda) demonstram proteção sustentada. Reforços na adolescência ou idade adulta são recomendados apenas para viajantes a áreas de risco.
Impacto no Brasil: O Brasil não registra casos de poliomielite por vírus selvagem desde 1989. A certificação de erradicação ocorreu em 1994. A transição para VIP exclusiva (2024) visa eliminar o risco residual de VAPP (~1 caso/ano estimado com esquema misto VIP+VOP) e de geração de cVDPV.
Contexto global: Dos 3 sorotipos de poliovírus selvagem, os tipos 2 e 3 foram certificados como erradicados (2015 e 2019, respectivamente). Apenas o tipo 1 persiste no Afeganistão e Paquistão. A estratégia endgame da OMS prevê transição global para VIP exclusiva.
Coadministração: A VIP pode ser administrada simultaneamente com todas as vacinas do calendário do PNI e vacinas de viajantes. É frequentemente combinada em vacinas multivalentes: hexavalente (DTPa+Hib+HepB+IPV), pentavalente (DTPa+Hib+IPV), tetravalente (DTPa+IPV).
Vacinas combinadas disponíveis no Brasil:
Hexaxim/Infanrix Hexa (DTPa+Hib+HepB+IPV) — clínicas privadas
Pentaxim (DTPa+Hib+IPV) — clínicas privadas
Tetravalente (DTPa+IPV) — reforço
Imunoglobulinas: Não há interferência entre VIP e imunoglobulinas ou hemoderivados.
Imunossupressores: A resposta pode ser reduzida em imunossuprimidos. A VIP permanece segura e indicada (NUNCA utilizar VOP em imunossuprimidos). Considerar esquema com dose adicional.
Pregnancy: Safe.
IPV (inactivated poliovirus vaccine) is safe during pregnancy.
Can be administered if the pregnant woman is at risk of polio exposure (travel to endemic areas: Afghanistan, Pakistan).
No teratogenic effects observed.
Pregnant women who need polio vaccination should receive IPV, never OPV.
Breastfeeding: Safe — no restrictions.
IPV is an inactivated vaccine and is completely safe during breastfeeding. No modification to breastfeeding schedule required.
Pediatric use:
Part of routine childhood immunization schedule worldwide.
Schedule (US/ACIP): 4 doses at 2, 4, 6–18 months, 4–6 years. Often given as part of combination vaccines (hexavalent: DTaP-IPV-Hib-HepB).
Minimum age: 6 weeks.
IPV does not cause vaccine-associated paralytic poliomyelitis (VAPP) — this risk exists only with OPV.
Immunocompromised children must receive IPV (never OPV).
Dose: 0.5 mL IM or SC (all ages).
Geriatric use:
Adults with a completed primary series need only 1 lifetime booster if traveling to polio-endemic areas.
Unvaccinated adults: 3-dose series (0, 1–2, 6–12 months).
No upper age limit. No dose adjustment required.
Polio eradication is near-complete — endemic transmission persists only in Afghanistan and Pakistan (as of 2024).
Transição VOP → VIP no Brasil: Desde 2024, o Brasil utiliza exclusivamente VIP. Crianças que iniciaram esquema com VOP podem completar com VIP sem necessidade de reiniciar a série. A contagem de doses é cumulativa.
Erro vacinal — VOP administrada em imunossuprimido: Se VOP for inadvertidamente administrada a paciente imunossuprimido ou seu contactante: monitorar para VAPP por 4–6 semanas, notificar EAPV, considerar vigilância virológica (pesquisa de poliovírus em fezes).
Viajantes para áreas com circulação de poliovírus: Adultos vacinados na infância devem receber dose de reforço de VIP antes da viagem se não receberem dose nos últimos 10 anos. Alguns países exigem certificado de vacinação contra polio recente (≤12 meses) conforme exigências do RSI.
Conservação da VIP: A VIP é termossensível — manter estritamente entre +2°C e +8°C. Não congelar (perda irreversível de potência). Apresentação líquida, pronta para uso.
| Dose | Marca | Dias desde a anterior | Faixa etária |
|---|---|---|---|
| Dose 1 | IPOL | — | 2 meses+ (max: 2 meses) |
| Dose 2 | IPOL | 60d | 4 meses+ (max: 4 meses) |
| Dose 3 | IPOL | 60d | 6 meses+ (max: 2 anos) |
| Dose 4 | IPOL | 1095d | 4 anos+ (max: 6 anos) |
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