A vacina oral contra poliomielite (VOP — Sabin) é uma vacina de vírus vivos atenuados dos poliovírus tipos 1, 2 e 3 (VOP trivalente) ou tipo 2 apenas (nOPV2 — novel OPV type 2). A VOP foi desenvolvida por Albert Sabin nos anos 1950 e foi a base da erradicação da poliomielite na maioria dos países do mundo, incluindo o Brasil. Historicamente, a VOP trivalente ("gotinha") foi a vacina símbolo do PNI brasileiro, associada às campanhas de vacinação com o personagem "Zé Gotinha". O Brasil erradicou
A vacina oral contra poliomielite (VOP — Sabin) é uma vacina de vírus vivos atenuados dos poliovírus tipos 1, 2 e 3 (VOP trivalente) ou tipo 2 apenas (nOPV2 — novel OPV type 2). A VOP foi desenvolvida por Albert Sabin nos anos 1950 e foi a base da erradicação da poliomielite na maioria dos países do mundo, incluindo o Brasil.
Historicamente, a VOP trivalente ("gotinha") foi a vacina símbolo do PNI brasileiro, associada às campanhas de vacinação com o personagem "Zé Gotinha". O Brasil erradicou a poliomielite em 1989 (último caso em Souza/PB) e foi certificado como livre de poliovírus selvagem em 1994.
MUDANÇA IMPORTANTE: Desde agosto de 2024, o PNI brasileiro utiliza EXCLUSIVAMENTE a vacina inativada (VIP/IPV) para todas as doses do esquema contra poliomielite, ELIMINANDO completamente a VOP do calendário vacinal. Esta decisão segue a diretriz global da OMS de retirar progressivamente a VOP para eliminar o risco de poliomielite associada à vacina (VAPP) e poliovírus derivado de vacina circulante (cVDPV).
A VOP permanece relevante apenas em campanhas de resposta a surtos de cVDPV em outros países (utilizando a nOPV2 — vacina oral monovalente tipo 2 geneticamente estabilizada).
NO BRASIL — VOP NÃO É MAIS UTILIZADA (desde agosto 2024):
O PNI utiliza exclusivamente VIP (vacina inativada) para TODAS as doses
A VOP foi retirada do calendário rotineiro e das campanhas de multivacinação
Uso global residual da VOP:
Campanhas de resposta a surtos de cVDPV (utilizando nOPV2)
Programa de erradicação global em países com circulação de poliovírus selvagem (Afeganistão, Paquistão) — VOP bivalente tipos 1 e 3 (bOPV)
Campanhas suplementares em países com risco de importação
Vantagens históricas da VOP:
Via oral (sem agulha) — facilidade logística para campanhas de massa
Baixo custo
Induz imunidade de mucosa intestinal robusta (superior à VIP)
Transmissão do vírus vacinal a contactantes ("imunização passiva")
Desvantagens que levaram à retirada:
Risco de VAPP (1:750.000 primeiras doses)
Geração de cVDPV (poliovírus derivado de vacina circulante)
Contraindicada em imunossuprimidos (vírus vivo)
Contraindicações (relevantes para países que ainda utilizam VOP):
Imunossupressão de qualquer causa (vacina de vírus vivo): HIV/AIDS, quimioterapia, biológicos, imunodeficiências primárias
Contactantes domiciliares de imunossuprimidos (risco de transmissão do vírus vacinal)
Uso de corticosteroides em doses imunossupressoras
Reação anafilática a dose anterior
VOP vs. VIP em imunossuprimidos: Imunossuprimidos NUNCA devem receber VOP. SOMENTE VIP é segura para este grupo. A VOP pode causar VAPP (poliomielite paralítica) em imunossuprimidos, com risco muito superior ao da população geral.
No Brasil (desde 2024): Como a VOP foi retirada do PNI, estas contraindicações não se aplicam mais no contexto rotineiro brasileiro. Todas as crianças recebem VIP (inativada), que é segura para todos.
Reações comuns: A VOP é extremamente bem tolerada. Diarreia leve (1–2%). Febre baixa (rara). Cefaleia (rara).
Reação grave — VAPP (Poliomielite Associada à Vacina): Incidência de ~1 caso por 750.000 primeiras doses (ou 1:2.400.000 doses totais). Manifesta-se como paralisia flácida aguda, indistinguível clinicamente da poliomielite por vírus selvagem. Risco maior em imunossuprimidos (risco até 7.000 vezes maior que na população geral).
cVDPV (Poliovírus Derivado de Vacina Circulante): O vírus vacinal atenuado pode reverter à neurovirulência após replicação prolongada em populações com baixa cobertura vacinal. Surtos de cVDPV2 continuam ocorrendo em vários países da África e Ásia.
Motivo da retirada no Brasil: O risco residual de VAPP (~1 caso/ano estimado) e de geração de cVDPV, em um contexto de circulação zero de poliovírus selvagem no Brasil, tornou a relação risco-benefício desfavorável para a VOP. A VIP oferece proteção equivalente sem estes riscos.
NOTA: VOP NÃO é mais utilizada no PNI brasileiro desde agosto 2024.
Esquema histórico (VOP no PNI — descontinuado):
VOP era administrada como "gotinha" (2 gotas via oral = ~0,1 mL)
Anteriormente usada como reforço aos 15 meses e 4 anos (substituída por VIP)
Campanhas nacionais de multivacinação (substituídas por VIP)
Administração (onde ainda utilizada globalmente):
Via oral: 2 gotas diretamente na boca
Sem necessidade de jejum
Se vômito dentro de 10 minutos: readministrar a dose
Conservação:
+2°C a +8°C (refrigerada)
Pode ser congelada (-20°C) para armazenamento prolongado
Extremamente termossensível — indicador de vial monitor (VVM)
Esquema atual do PNI (VIP exclusiva):
2, 4, 6 meses: VIP 0,5 mL IM
15 meses: VIP reforço
4 anos: VIP reforço
Eficácia da VOP (dados históricos): Soroconversão de 73–100% após 3 doses (variável conforme condições: interferência por enterovírus, diarreia, desnutrição em países tropicais de renda baixa). Em países desenvolvidos: >95% de soroconversão.
Imunidade de mucosa: A grande vantagem da VOP sobre a VIP é a indução robusta de IgA secretória intestinal, que bloqueia a replicação e excreção do poliovírus no intestino. Isto explica o papel fundamental da VOP na erradicação em países com transmissão fecal-oral intensa.
VIP vs. VOP para erradicação: A VOP foi essencial para a erradicação na maioria dos países (incluindo Brasil em 1989). A VIP é suficiente para manter a eliminação em países com saneamento adequado (como demonstrado na Escandinávia e Holanda, que nunca utilizaram VOP). A transição global para VIP exclusiva é a estratégia endgame da OMS.
Impacto no Brasil: A VOP foi a base do programa de erradicação brasileiro. As campanhas de vacinação com VOP ("Dia Nacional de Vacinação", Zé Gotinha) são marcos da saúde pública brasileira. A certificação de erradicação em 1994 é uma das maiores conquistas do PNI.
Desafio atual: Manter coberturas vacinais altas com VIP (que requer injeção, ao contrário da "gotinha") é o principal desafio operacional da transição. O PNI investe em comunicação para assegurar adesão dos pais.
Outras vacinas orais: A VOP pode ser administrada simultaneamente com vacina oral contra rotavírus sem interferência significativa.
Vacinas injetáveis: Pode ser coadministrada com todas as vacinas injetáveis.
Observação importante para viajantes: Viajantes brasileiros vacinados exclusivamente com VIP estão protegidos contra doença paralítica. Em caso de viagem para países que administram VOP em campanhas de massa, NÃO é necessário VOP adicional — a VIP confere proteção individual adequada.
Pregnancy: OPV (live attenuated) is generally not recommended during pregnancy in countries using IPV. However, the WHO states that OPV may be given to pregnant women during polio outbreaks or when traveling to endemic/epidemic areas, as the risk of polio disease outweighs theoretical vaccine risks. Decades of OPV use have not demonstrated adverse effects on the fetus. In endemic countries, OPV is part of routine supplementary immunization activities and is given regardless of pregnancy status.
Breastfeeding: OPV is compatible with breastfeeding. While maternal antibodies in breast milk may slightly reduce the infant's immune response to OPV, this effect is not considered clinically significant. The WHO recommends administering OPV to infants regardless of breastfeeding status. Breastfeeding women can receive OPV if indicated (e.g., during outbreak response campaigns). No interruption of breastfeeding is necessary for either the mother or the infant receiving OPV.
Pediatric use: OPV is a mainstay of the Global Polio Eradication Initiative. The WHO recommends a birth dose of OPV followed by doses at 6, 10, and 14 weeks, often with at least one dose of IPV. OPV provides both individual protection and community immunity through secondary spread of vaccine virus. The risk of vaccine-associated paralytic poliomyelitis (VAPP) is approximately 1 per 2.7 million first doses. Countries that have eliminated wild poliovirus have switched to IPV-only schedules. Novel OPV type 2 (nOPV2) has been developed with reduced risk of genetic reversion.
Older adults (≥65 years): OPV is not routinely used in older adults in countries using IPV. If an unvaccinated older adult is traveling to a polio-endemic area, IPV is the preferred vaccine. Adults who completed a primary series may receive a single lifetime IPV booster before travel. OPV should be avoided in immunocompromised elderly individuals due to the risk of vaccine-associated paralytic poliomyelitis (VAPP), which is higher in immunodeficient persons.
Contexto de transição (Brasil 2024): Crianças que iniciaram esquema com VOP (antes de agosto 2024) podem completar com VIP. As doses de VOP já administradas são contadas normalmente. NÃO é necessário reiniciar o esquema.
Vigilância da poliomielite: O Brasil mantém vigilância ativa de paralisia flácida aguda (PFA) em menores de 15 anos como parte do compromisso global de erradicação. Todo caso de PFA deve ser notificado imediatamente e investigado com coleta de fezes para pesquisa de poliovírus.
Cobertura vacinal: A queda da cobertura vacinal contra poliomielite no Brasil nos últimos anos (de >95% para ~80% em algumas regiões) é motivo de preocupação. A manutenção de coberturas altas com VIP é fundamental para prevenir a reintrodução de poliovírus.
nOPV2 (vacina oral geneticamente estabilizada): A nOPV2 foi desenvolvida para campanhas de resposta a surtos de cVDPV2 com menor risco de reversão à neurovirulência. Autorizada pela OMS para uso emergencial. Não utilizada no Brasil.
| Dose | Dias desde a anterior | Faixa etária |
|---|---|---|
| Dose 1 | — | 0 meses+ |
| Dose 1 | — | — |
| Dose 2 | 42d | 1 meses+ |
| Dose 3 | 28d | — |
| Dose 4 | 28d | — |
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