Visão geral
Infeção viral das glândulas salivares causando tumefação facial dolorosa. Prevenida pela vacina VASPR.
Transmissão
Visão geral
A papeira é uma infeção viral aguda causada pelo vírus da papeira (género Rubulavirus, família Paramyxoviridae). Caracteriza-se por tumefação dolorosa das glândulas parótidas (parotidite). Geralmente autolimitada, mas pode causar complicações como orquite, meningite e surdez. A vacinação com VASPR reduziu drasticamente a incidência, embora surtos continuem a ocorrer em populações com imunidade decrescente.
Visão geral
A parotidite epidémica (papeira) é causada pelo Mumps rubulavirus (família Paramyxoviridae). A transmissão ocorre por gotículas respiratórias e contacto direto com saliva. 30–40% das infeções são assintomáticas. A doença é caracterizada pela tumefação dolorosa das glândulas parótidas, que pode ser unilateral ou bilateral. A complicação mais temida é a orquite em homens pós-púberes (15–30%).
Em Portugal, a parotidite está incluída na vacina VASPR (PNV). A cobertura vacinal é elevada (>95% para VASPR1), mas surtos esporádicos ocorrem em adultos jovens, sugerindo declínio da imunidade. A parotidite é DDO ao SINAVE.
Sinais de emergência
Dor testicular intensa (descartar torção — urgência cirúrgica). Sinais meníngeos (cefaleias, rigidez da nuca, fotofobia). Confusão ou convulsões. Dor abdominal intensa (pancreatite). Perda auditiva súbita. 112 (INEM).
Sintomas detalhados
Sinais e sintomas mais comuns
Incubação: 12–25 dias. Fase prodrômica (1–2 dias): Mal-estar, cefaleias, febre baixa. Parotidite (5–10 dias): Tumefação parotídea dolorosa (unilateral → bilateral em 70–80%), dor à mastigação. Trismo. Orquite (15–30% homens pós-púberes): Dor testicular intensa, edema, febre. Atrofia testicular em 50%. Meningite asséptica (1–10%): Geralmente benigna. Pancreatite (2–5%). Surdez (1/20.000): Neurossensorial, geralmente permanente.
Conhecer os sintomas é o primeiro passo para uma resposta rápida.
Curso da doença
Curso típico da doença:
- Período de incubação: 16–18 dias (intervalo 12–25 dias).
- Fase prodrómica (1–2 dias): Febre baixa, mal-estar, cefaleia, mialgias, anorexia.
- Parotidite (pico dia 2–3, duração 5–10 dias): Tumefação da glândula parótida inicialmente unilateral, depois frequentemente bilateral. Dor agravada pela mastigação ou ingestão de alimentos ácidos. Otalgia. Pico da tumefação no dia 2–3, depois resolução gradual.
- Janela de complicações (dias 5–14): A orquite desenvolve-se tipicamente 4–8 dias após o início da parotidite. A meningite pode ocorrer antes, durante ou após a parotidite.
- Recuperação: A parotidite resolve em 7–10 dias. A orquite resolve em 1–2 semanas.
Infeção assintomática: 20–30% das infeções por papeira são subclínicas. Outros 40–50% apresentam apenas sintomas respiratórios inespecíficos.
Diagnóstico
Como esta doença é identificada
RT-PCR (zaragatoa bucal — canal de Stensen) — método mais sensível. IgM anti-papeira — sensibilidade reduzida em vacinados (~30–50%). IgG pareada. Cultura viral. DDO ao SINAVE.
Tratamento
Métodos de tratamento disponíveis
Suporte: isolamento 5 dias, analgésicos/antipiréticos (paracetamol, ibuprofeno), compressas na parótida, dieta pastosa. Orquite: repouso, suporte escrotal, AINEs. Meningite: hidratação, analgesia. Pancreatite: jejum, hidratação IV.
A maioria dos casos é tratada eficazmente com um diagnóstico precoce.
Detalhes de prevenção
Como se proteger
PNV: VASPR aos 12 meses e 5 anos. Eficácia: 78% (1 dose), 88% (2 doses). 3.ª dose em surtos (CDC: redução de 78% em surtos universitários). PEP: VASPR não previne doença após exposição mas protege contra exposições futuras. Isolamento: 5 dias após início da tumefação.
A preparação é a melhor proteção.
Conselhos de viagem
Verificar 2 doses de VASPR antes de viagem. Risco em dormitórios universitários (intercâmbio Erasmus). Homens pós-púberes não vacinados: risco de orquite.
Quão comum é?
Estatísticas e dados geográficos
Surtos recorrentes em populações vacinadas (universidades, quartéis) devido a declínio da imunidade. Portugal: casos esporádicos. Europa: surtos no Reino Unido, Irlanda, Holanda em adultos jovens.
Fatores de risco
Quem tem mais risco
Vacinação incompleta (1 dose apenas), imunidade decrescente (>10 anos após vacinação), convivência em espaços fechados (universidades, quartéis, internatos), viagem a regiões com surtos ativos, ausência de vacinação.
Detalhes das complicações
Complicações potenciais
Orquite (15–30% homens pós-púberes): atrofia em 50%, infertilidade rara (<5%). Ooforite (5% mulheres). Meningite asséptica (1–10%): benigna. Encefalite (1/6.000): mortalidade 1–1,5%. Surdez (1/20.000): permanente. Pancreatite (2–5%). Artrite (0,4%). Mortalidade: 1,6–3,8/10.000.
Recuperação e perspetivas
Resultados esperados e recuperação
No geral: Excelente prognóstico. TL ~0,01%. Autolimitada na grande maioria.
Complicações:
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Orquite (inflamação testicular): 15–30% dos homens pós-pubertários. Bilateral em 15–30% dos casos de orquite. A subfertilidade é rara (<5%); a esterilidade completa é extremamente rara.
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Ooforite: 5% das mulheres pós-pubertárias.
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Meningite assética: 1–10% (habitualmente benigna, resolve em 3–10 dias).
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Surdez neurossensorial: 1 em 20.000 (habitualmente unilateral, pode ser permanente).
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Pancreatite: 4% (habitualmente ligeira, autolimitada).
Imunidade: Vitalícia após infeção natural. A imunidade induzida pela vacina pode diminuir (falência vacinal secundária contribuindo para surtos em populações vacinadas).
