Visão geral
Infeção viral geralmente ligeira com exantema. Risco de síndrome de rubéola congénita (SRC) em grávidas não vacinadas.
Transmissão
Visão geral
A rubéola é uma infeção viral contagiosa causada pelo vírus da rubéola (família Togaviridae). Geralmente ligeira em crianças e adultos, com exantema maculopapular e febre baixa. A principal preocupação de saúde pública é a infeção durante a gravidez: no primeiro trimestre, o risco de síndrome da rubéola congénita (SRC) atinge 85%, causando cataratas, cardiopatia congénita, surdez neurossensorial e microcefalia. A vacinação com VASPR reduziu drasticamente a incidência.
Visão geral
A rubéola é causada pelo Rubella virus (família Matonaviridae). Doença geralmente benigna em crianças e adultos, mas devastadora quando ocorre na gravidez — a Síndrome da Rubéola Congénita (SRC) causa surdez, cardiopatias congénitas, cataratas e atraso do desenvolvimento. O risco de SRC é de 85–90% nas primeiras 8–10 semanas e ~30–50% nas semanas 11–12 de gestação.
Portugal foi certificado como tendo eliminado a rubéola em 2015. O PNV inclui VASPR aos 12 meses e 5 anos. Todas as mulheres em idade fértil devem ter imunidade documentada (IgG anti-rubéola). A rubéola e a SRC são DDO ao SINAVE.
Sinais de emergência
Grávida com contacto suspeito de rubéola: investigação serológica urgente. Exantema em grávida. Petéquias/púrpura. RN com sinais de SRC. 112 (INEM).
Sintomas detalhados
Sinais e sintomas mais comuns
Incubação: 14–21 dias. Fase prodrômica: febre baixa, mal-estar, linfadenopatia retroauricular/suboccipital (sinal mais precoce e característico). Exantema maculopapular rosado, não confluente, 3 dias ("sarampo de 3 dias"). Artralgia/artrite em 60–70% das mulheres adultas. 25–50% assintomáticos.
Conhecer os sintomas é o primeiro passo para uma resposta rápida.
Curso da doença
Curso típico da doença (pós-natal):
- Período de incubação: 14–21 dias (média 16–18 dias).
- Fase prodrómica (1–5 dias, mais proeminente em adultos): Febre baixa, mal-estar, conjuntivite ligeira, linfadenopatia (retroauricular, cervical posterior, suboccipital — característica).
- Exantema (3 dias — "sarampo de 3 dias"): Exantema maculopapular fino rosado, com início na face, disseminando-se para o tronco e extremidades em 24 horas. Desvanece-se pela mesma ordem. O exantema não é tão confluente como o do sarampo.
- Resolução: O exantema resolve em 3 dias. A linfadenopatia pode persistir 1–2 semanas. A artralgia em adultos (especialmente mulheres) pode durar 1–4 semanas.
Característica-chave: Até 50% das infeções por rubéola são subclínicas — a serologia é necessária para confirmar o diagnóstico. O exantema é inespecífico e pode ser confundido com muitos outros exantemas virais.
Diagnóstico
Como esta doença é identificada
IgM anti-rubéola (padrão-ouro). IgG pareada. RT-PCR. Avidez de IgG (diferencia infeção recente de antiga — crucial em grávidas). DDO IMEDIATA ao SINAVE. Investigação de SRC: IgM no RN.
Tratamento
Métodos de tratamento disponíveis
Suporte. AINEs para artralgia. Grávidas: acompanhamento ecográfico intensificado. SRC: abordagem multidisciplinar (cardiologia, oftalmologia, ORL, neuropediatria). Não existe antiviral.
A maioria dos casos é tratada eficazmente com um diagnóstico precoce.
Detalhes de prevenção
Como se proteger
PNV: VASPR aos 12 meses e 5 anos. Mulheres em idade fértil: verificar IgG antes da conceção; vacinar se suscetível (aguardar 30 dias antes de engravidar). A vacina é contraindicada na gravidez, mas vacinação inadvertida NÃO é indicação de interrupção. Eficácia: >97% com 1 dose.
A preparação é a melhor proteção.
Conselhos de viagem
Verificar imunidade antes de viagem. Grávidas suscetíveis: EVITAR viagem a áreas endémicas. Vacinar pós-parto imediato (seguro durante amamentação).
Quão comum é?
Estatísticas e dados geográficos
Portugal: eliminação certificada em 2015. Europa: endémica no SE Asiático e África. Global: ~24.000 casos notificados em 2023 (subnotificação significativa).
Fatores de risco
Quem tem mais risco
Ausência de vacinação/imunidade, viagem a países endémicos, convivência em espaços fechados, profissionais de saúde/educação. Fator de risco crítico: Gravidez em mulher não imune — risco de SRC varia com a idade gestacional: ~85% no 1.º trimestre, ~50% às 13–16 semanas, diminui significativamente após as 20 semanas.
Detalhes das complicações
Complicações potenciais
SRC (85–90% se infeção no 1.º trimestre): surdez (80%), cardiopatias congénitas (50–70%), cataratas (25–50%), atraso mental. Artrite (60–70% mulheres adultas). Trombocitopénia (1/3.000). Encefalite (1/5.000–6.000, mortalidade 20–50%). Mortalidade pós-natal: praticamente nula.
Recuperação e perspetivas
Resultados esperados e recuperação
Rubéola pós-natal: Benigna. Autolimitada em 3–5 dias. Complicações raras em crianças. Os adultos podem apresentar artralgia transitória (especialmente mulheres, 70%).
Síndrome de Rubéola Congénita (SRC) — a preocupação crítica:
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Infeção materna no primeiro trimestre: 80–90% de risco de SRC.
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Manifestações da SRC: surdez neurossensorial (60–75%), defeitos cardíacos congénitos (PCA, estenose pulmonar), cataratas/glaucoma, défice intelectual, hepatoesplenomegalia, púrpura trombocitopénica (exantema "muffin de mirtilo").
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A SRC acarreta morbilidade significativa ao longo da vida e mortalidade de 10–20% no primeiro ano.
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Infeção no segundo trimestre: risco desce para 10–20%. Terceiro trimestre: a SRC é rara.
A nível global: A eliminação da rubéola foi alcançada nas Américas (2015). Os programas de vacinação reduziram dramaticamente a SRC a nível mundial.
