Visão geral
Infeção bacteriana grave com espasmos musculares fatais. Totalmente prevenível por vacinação.
Sintomas
Sintomas | Frequência | Gravidade | Início |
|---|---|---|---|
| Riso sardónico | 60% | Ligeiro | Fase inicial |
| Trismo | 90% | Moderado | Fase inicial |
| Disfagia | 60% | Moderado | Fase inicial |
| Rigidez da nuca | 70% | Moderado | Fase inicial |
| Dor nas costas | 50% | Moderado | Fase inicial |
| Mialgia | 55% | Moderado | Fase inicial |
| Cefaleia | 30% | Ligeiro | Fase inicial |
| Irritabilidade | 35% | Ligeiro | Fase inicial |
| Rigidez muscular | 90% | Grave | Fase aguda |
| Espasmos musculares | 80% | Grave | Fase aguda |
| Opistótono | 50% | Grave | Fase aguda |
| Diaforese | 40% | Ligeiro | Fase aguda |
| Hipotensão | 25% | Grave | Fase aguda |
| Dispneia | 30% | Grave | Fase aguda |
| Taquicardia | 50% | Moderado | Fase aguda |
| Febre | 40% | Ligeiro | Fase aguda |
| Convulsões | 5% | Moderado | Fase aguda |
| Fadiga | 40% | Ligeiro | Qualquer fase |
Transmissão
Visão geral
O tétano é uma doença infeciosa grave causada pela neurotoxina tetanospasmina, produzida pelo Clostridium tetani, um bacilo gram-positivo anaeróbio esporulado. Os esporos são ubiquitários no solo, poeira e fezes de animais. A toxina bloqueia a libertação de neurotransmissores inibitórios, provocando rigidez muscular e espasmos potencialmente fatais. Não é transmissível entre pessoas. Totalmente prevenível pela vacinação.
Visão geral
O tétano é causado pela toxina tetanospasmina do Clostridium tetani. Esporos ubíquos no solo. Não é transmissível e NÃO confere imunidade natural. O PNV inclui Td/Tdpa com reforços decenais. Portugal regista <5 casos/ano (idosos não vacinados). DDO ao SINAVE.
Sinais de emergência
Trismo + rigidez após ferimento. Espasmos musculares. Dificuldade respiratória. Opistótono. 112 (INEM) — UCI obrigatória.
Sintomas detalhados
Sinais e sintomas mais comuns
Incubação 3–21 dias. Trismo (lockjaw), riso sardónico, rigidez generalizada, opistótono, espasmos paroxísticos (desencadeados por estímulos mínimos), disfunção autonómica (principal causa de morte em UCI). Neonatal: dificuldade em mamar, rigidez, espasmos.
Conhecer os sintomas é o primeiro passo para uma resposta rápida.
Curso da doença
Curso típico da doença (tétano generalizado):
- Período de incubação: 3–21 dias (média 7–10 dias). Incubação mais curta = doença mais grave.
- Início: Rigidez mandibular de início gradual (trismo/"mandíbula trancada"), disfagia, rigidez cervical.
- Espasmos generalizados (dias 2–14): Rigidez progressiva do tronco e membros, riso sardónico (espasmo facial sustentado), opistótono (arqueamento dorsal). Espasmos paroxísticos desencadeados por estímulos sensoriais (ruído, luz, toque). Os espasmos são extremamente dolorosos e podem causar fraturas.
- Disfunção autonómica (semana 2–3): Labilidade da tensão arterial, taquicardia, arritmias cardíacas, sudorese profusa. Principal causa de morte em doentes tratados em UCI.
- Recuperação (semanas 4–8+): Resolução gradual da rigidez e dos espasmos ao longo de semanas. Recuperação completa possível mas prolongada.
Tétano localizado: Rigidez confinada aos músculos próximos da ferida. Pode progredir para a forma generalizada.
Diagnóstico
Como esta doença é identificada
Diagnóstico CLÍNICO. Não existe exame confirmatório rápido. Teste da espátula (sensibilidade 94%, especificidade 100%). Diagnóstico diferencial: meningite, hipocalcémia, reação distónica, estricnina. DDO ao SINAVE.
Tratamento
Métodos de tratamento disponíveis
EMERGÊNCIA — UCI. Imunoglobulina antitetânica (TIG) 3.000–6.000 UI IM. Desbridamento cirúrgico. Metronidazol IV 7–10 dias. Benzodiazepinas (diazepam/midazolam). Sulfato de magnésio IV. BNM se refratário. Suporte ventilatório. Vacinar durante internamento (tétano NÃO confere imunidade).
A maioria dos casos é tratada eficazmente com um diagnóstico precoce.
Detalhes de prevenção
Como se proteger
PNV: DTPa aos 2, 4, 6, 18 meses e 5–6 anos. Td aos 10, 25, 45, 65 anos e depois cada 10 anos. Tdpa: grávidas (cada gravidez, 20–36 semanas). Profilaxia pós-ferimento conforme estado vacinal e tipo de ferida.
A preparação é a melhor proteção.
Conselhos de viagem
Verificar reforço Td <10 anos antes de viagem. O tétano existe em TODO o mundo. Risco em atividades ao ar livre, ferimentos.
Quão comum é?
Estatísticas e dados geográficos
Portugal: <5 casos/ano. Predominância em idosos >65 anos com esquema vacinal ausente. Europa: <100 casos/ano (ECDC).
Fatores de risco
Quem tem mais risco
Vacinação incompleta/ausente (principal fator de risco), feridas contaminadas com solo/fezes, queimaduras, feridas perfurantes, cirurgias não estéreis, UDI, parto em condições não assépticas, idade avançada (imunidade decrescente), doentes com diabetes (úlceras crónicas).
Detalhes das complicações
Complicações potenciais
Laringoespasmo (morte súbita). Rabdomiólise → IRA. Fraturas vertebrais. Disfunção autonómica (arritmias, instabilidade hemodinâmica). Pneumonia de aspiração. TEP. Mortalidade: 10–50% com UCI; 70–100% neonatal sem tratamento.
Recuperação e perspetivas
Resultados esperados e recuperação
Com cuidados intensivos modernos: TL 10–20%.
Sem cuidados intensivos (contextos de recursos limitados): TL 40–60%.
Tétano neonatal: TL 80–90% sem tratamento, 10–50% com tratamento.
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Classificação de gravidade por Ablett: Grau I (ligeiro) a Grau IV (muito grave) com base no trismo, espasmos e disfunção autonómica.
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Idade avançada, período de incubação curto (<7 dias) e intervalo curto entre início e espasmo (<48 horas) predizem piores resultados.
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A recuperação é lenta: 2–4 semanas para casos ligeiros, meses para casos graves. A recuperação completa é possível.
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O tétano NÃO confere imunidade — a vacinação é necessária após a recuperação.
