Visão geral
Infeção respiratória com acessos de tosse paroxística e "guincho" inspiratório. Perigosa para lactentes.
Transmissão
Visão geral
A tosse convulsa é uma infeção respiratória altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis. Caracteriza-se por paroxismos de tosse violenta seguidos de inspiração sibilante («guincho»). Particularmente perigosa em lactentes <6 meses, nos quais pode ser fatal. R₀ de 12–17. Estima-se ~24 milhões de casos e ~160 000 óbitos/ano em crianças <5 anos (OMS).
Visão geral
A tosse convulsa é causada por Bordetella pertussis. Taxa de ataque domiciliar: 80–90%. Mais perigosa em lactentes <6 meses (90% dos óbitos). Ressurgimento global desde 2010 (declínio da imunidade com vacinas acelulares). Portugal: PNV com DTPa + Tdpa gestante desde 2017. DDO ao SINAVE.
Sinais de emergência
Apneia/cianose em lactente. Convulsões. Incapacidade de alimentar-se. Febre >38,5°C com tosse (pneumonia). 112 (INEM).
Sintomas detalhados
Sinais e sintomas mais comuns
Incubação 5–21 dias. Fase catarral (1–2 semanas): indistinguível de constipação. Fase paroxística (2–8 semanas): paroxismos de tosse + guincho inspiratório + vómitos pós-tussígenos. Apneia em lactentes (sem guincho). Fase de convalescença (2–6 semanas). Em adultos: tosse prolongada >2 semanas sem guincho.
Conhecer os sintomas é o primeiro passo para uma resposta rápida.
Curso da doença
Curso típico da doença:
- Período de incubação: 7–10 dias (intervalo 5–21 dias).
- Fase catarral (1–2 semanas): Tosse ligeira, rinorreia, febre baixa. Indistinguível de uma constipação comum. Período mais infeccioso.
- Fase paroxística (2–8 semanas): Paroxismos característicos de acessos de tosse rápidos seguidos de inspiração tipo "guincho" (mais pronunciado em crianças; frequentemente ausente em adultos e lactentes). Vómito pós-tússico. Os paroxismos podem ser desencadeados por comer, beber ou bocejar. Entre paroxismos, o doente aparenta estar bem.
- Fase de convalescença (semanas a meses): Redução gradual da frequência e gravidade da tosse. Infeções respiratórias intercorrentes podem desencadear recorrência temporária da tosse paroxística.
Apresentações atípicas: Adultos e crianças vacinadas apresentam frequentemente tosse prolongada sem guincho clássico. Lactentes <3 meses podem apresentar apneia em vez de tosse.
Diagnóstico
Como esta doença é identificada
PCR (zaragatoa nasofaríngea) — método preferido. Cultura (Regan-Lowe). Serologia IgG anti-toxina pertussis (adultos >2 semanas de tosse). Hemograma: linfocitose marcada em lactentes. DDO ao SINAVE.
Tratamento
Métodos de tratamento disponíveis
Azitromicina 5 dias (1.ª linha, segura <1 mês). Claritromicina 7 dias. Eritromicina 14 dias (NÃO <1 mês — risco de estenose pilórica). Internamento de todos os lactentes <6 meses. Monitorização contínua (apneia). Oxigénio, aspiração de secreções. Profilaxia de TODOS os contactos domiciliares.
A maioria dos casos é tratada eficazmente com um diagnóstico precoce.
Detalhes de prevenção
Como se proteger
PNV: DTPa aos 2, 4, 6, 18 meses e 5–6 anos. Tdpa: grávidas a CADA gravidez (20–36 semanas) — proteção do RN por anticorpos maternos. Estratégia cocoon. Profilaxia pós-exposição: antibiótico para todos os contactos domiciliares.
A preparação é a melhor proteção.
Conselhos de viagem
Verificar Tdpa atualizada. Grávidas: Tdpa obrigatória. Lactentes <6 meses não totalmente protegidos — evitar exposição a pessoas com tosse prolongada.
Quão comum é?
Estatísticas e dados geográficos
Portugal: ~200–500 casos/ano. Picos em 2012 e 2015. Vacinação gestante com Tdpa (desde 2017) reduziu significativamente casos em <3 meses.
Fatores de risco
Quem tem mais risco
Lactentes <6 meses (antes da imunização completa — grupo de maior risco de morte), vacinação incompleta/ausente, imunidade decrescente (>5–10 anos após vacinação), contacto domiciliário com caso, profissionais de saúde, profissionais de creche/escola, adolescentes/adultos como fonte de infeção para lactentes.
Detalhes das complicações
Complicações potenciais
Pneumonia (5–10% — principal causa de morte). Apneia (50–60% lactentes hospitalizados). Encefalopatia (0,1–0,3%). Fraturas de costela. Hemorragia subconjuntival. Prolapso rectal. Mortalidade: ~1% lactentes <2 meses.
Recuperação e perspetivas
Resultados esperados e recuperação
Lactentes <6 meses: Maior morbilidade e mortalidade. TL 1–3% em lactentes não vacinados. Principal causa de morte por tosse convulsa.
Crianças mais velhas e adultos: Raramente fatal, mas causa morbilidade prolongada. "Tosse dos 100 dias."
Complicações:
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Pneumonia (causa mais comum de morte em lactentes): 5–10%.
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Convulsões: 1–2%, habitualmente febris.
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Encefalopatia: 0,1–0,3%.
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Fraturas costais, hérnias, hemorragia subconjuntival (por tosse violenta).
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A hipersensibilidade da tosse pós-tosse convulsa pode persistir durante meses.
Imunidade: A infeção natural confere 7–20 anos de proteção. A imunidade induzida pela vacina diminui ao longo de 5–10 anos.