Visão geral
Flavivírus por mosquitos Culex. Pode causar encefalite.
Sintomas
Sintomas | Frequência | Gravidade | Início |
|---|---|---|---|
| Febre | 95% | Ligeiro | Fase inicial |
| Fadiga | 80% | Ligeiro | Fase inicial |
| Cefaleia | 85% | Ligeiro | Fase inicial |
| Exantema maculopapular | 50% | Ligeiro | Fase inicial |
| Mal-estar | 70% | Ligeiro | Fase inicial |
| Mialgia | 65% | Ligeiro | Fase inicial |
| Artralgia | 40% | Ligeiro | Fase inicial |
| Arrepios | 30% | Ligeiro | Fase inicial |
| Diarreia | 20% | Ligeiro | Fase inicial |
| Dor ocular | 12% | Ligeiro | Fase inicial |
| Perda de apetite | 55% | Ligeiro | Fase inicial |
| Náuseas | 40% | Ligeiro | Fase inicial |
| Gânglios linfáticos inchados | 15% | Ligeiro | Fase inicial |
| Vómitos | 25% | Ligeiro | Fase inicial |
| Alteração da consciência | 1.5% | Crítico | Fase aguda |
| Confusão mental | 2% | Grave | Fase aguda |
| Rigidez da nuca | 3% | Grave | Fase aguda |
| Paralisia | 0.7% | Crítico | Fase aguda |
| Cefaleia intensa | 4% | Grave | Fase aguda |
| Tremor | 1.8% | Moderado | Fase aguda |
| Tonturas | 1.5% | Moderado | Fase aguda |
| Fotofobia | 2.5% | Moderado | Fase aguda |
| Convulsões | 0.8% | Crítico | Fase aguda |
Transmissão
Visão geral
O vírus do Nilo Ocidental (VNO) é um flavivírus transmitido por mosquitos Culex, mantido num ciclo enzoótico mosquito-ave. ~80 % das infeções são assintomáticas; <1 % desenvolve doença neuroinvasiva (meningite, encefalite) com TL de ~10 %.
Visão geral
Causada pelo WNV (Flaviviridae). Transmissão: Culex spp. (noturno). Maioria assintomática. <1% doença neuroinvasiva (encefalite, AFP). Endémica na Europa meridional. Portugal: WNV detetado em cavalos e mosquitos no Alentejo/Algarve. Casos humanos esporádicos documentados (2004, 2015). DDO ao SINAVE.
Sinais de emergência
Cefaleia intensa súbita, rigidez da nuca, alteração do estado de consciência, convulsões, fraqueza assimétrica dos membros, febre >40 °C com sintomas neurológicos. TL da encefalite: 10–15 %; >70 anos: 15–29 %.
Sintomas detalhados
Sinais e sintomas mais comuns
Febre do Nilo Ocidental: febre >39 °C, cefaleia, mialgias, exantema maculopapular (25–50 %), autolimitada em 3–6 dias. Doença neuroinvasiva (<1 %): meningite, encefalite (convulsões, tremor), paralisia flácida aguda assimétrica, frequentemente permanente.
Conhecer os sintomas é o primeiro passo para uma resposta rápida.
Curso da doença
Inoculação por Culex → incubação 2–6 dias → virémia breve → fase febril (3–6 dias, resolução em ~99 %) → fase neuroinvasiva (<1 %): meningite/encefalite/paralisia flácida → recuperação lenta ao longo de 6–12 meses, frequentemente incompleta.
Diagnóstico
Como esta doença é identificada
IgM-ELISA em soro/LCR (padrão de referência), detetável 3–8 dias após início. PRNT confirmatório. RT-PCR na fase precoce. LCR: pleocitose linfocítica. RM: alterações T2/FLAIR nos tálamos e gânglios da base em 50–70 %.
Tratamento
Métodos de tratamento disponíveis
Sem antiviral específico. Tratamento de suporte: hidratação, antipiréticos, monitorização em UCI para doença neuroinvasiva. 10–15 % necessitam ventilação mecânica. Reabilitação para paralisia flácida; recuperação motora completa em <50 %.
A maioria dos casos é tratada eficazmente com um diagnóstico precoce.
Detalhes de prevenção
Como se proteger
Sem vacina humana aprovada. Repelentes com DEET 20–30 %, roupa tratada com permetrina, redes mosquiteiras. Eliminar águas estagnadas. Rastreio NAT de dádivas de sangue. Proteção reforçada ao crepúsculo (atividade máxima de Culex).
A preparação é a melhor proteção.
Conselhos de viagem
Risco: América do Norte (jun–out), Mediterrâneo e SE Europa (jul–out), Médio Oriente, África. Usar DEET, roupa com permetrina, alojamento com ar condicionado e redes. Consultar médico se febre/sintomas neurológicos em 2–14 dias após regresso.
Quão comum é?
Estatísticas e dados geográficos
Arbovírus mais disseminado globalmente. EUA: >55.000 casos desde 1999. Europa: epidemias 2010, 2012, 2018 (2.083 casos). Transmissão sazonal jun–out em zonas temperadas. Alterações climáticas expandem o alcance de Culex para norte.
Fatores de risco
Quem tem mais risco
Zonas endémicas durante época de transmissão, atividades ao ar livre, trabalho agrícola. Risco de doença grave: idade >60 (TL 15–29 % em >70), imunossupressão (transplantados 40× mais risco), diabetes, doença renal crónica.
Detalhes das complicações
Complicações potenciais
Meningoencefalite, paralisia flácida aguda (10–15 % dos neuroinvasivos, por lesão do corno anterior), convulsões. Sequelas crónicas em ~50 %: défice cognitivo, depressão, parkinsonismo, fadiga crónica. Miocardite e coriorretinite raras.
Recuperação e perspetivas
Resultados esperados e recuperação
Febre do Nilo: excelente prognóstico, autolimitada. Doença neuroinvasiva: TL 8–12 %; ~50 % dos sobreviventes com défices neurológicos persistentes (cognitivos, depressão em 75 % ao 1.º ano). Recuperação da paralisia flácida significativa em apenas 30–40 %.
