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A vacina oral contra a poliomielite (OPV — Oral Poliovirus Vaccine), desenvolvida por Albert Sabin, é uma vacina viva atenuada contendo os três serótipos do poliovírus (bivalente bOPV: tipos 1 e 3, após a retirada do tipo 2 em 2016; ou monovalente mOPV2 para resposta a surtos de cVDPV2). As formulações de nova geração (nOPV2) foram desenvolvidas com estabilidade genética acrescida para reduzir o risco de reversão. A OPV foi o pilar da erradicação global da poliomielite, graças à sua facilidade
A vacina oral contra a poliomielite (OPV — Oral Poliovirus Vaccine), desenvolvida por Albert Sabin, é uma vacina viva atenuada contendo os três serótipos do poliovírus (bivalente bOPV: tipos 1 e 3, após a retirada do tipo 2 em 2016; ou monovalente mOPV2 para resposta a surtos de cVDPV2). As formulações de nova geração (nOPV2) foram desenvolvidas com estabilidade genética acrescida para reduzir o risco de reversão.
A OPV foi o pilar da erradicação global da poliomielite, graças à sua facilidade de administração (oral, sem agulhas), baixo custo e capacidade de induzir imunidade mucosa intestinal que bloqueia a transmissão fecal-oral do poliovírus.
Portugal utilizou a OPV no PNV até 2005, quando transitou exclusivamente para a IPV (vacina inativada), seguindo a tendência europeia. A OPV NÃO é utilizada em Portugal desde 2005 e não está disponível nos circuitos normais de vacinação.
A OPV continua a ser utilizada em campanhas de erradicação em países endémicos (Afeganistão, Paquistão) e em resposta a surtos de poliovírus derivados da vacina circulantes (cVDPV) em África e Ásia. A transição global de OPV para IPV é uma das estratégias da fase final da erradicação.
Utilização atual a nível global (NÃO em Portugal):
Campanhas de vacinação em massa em países endémicos de poliomielite (Afeganistão, Paquistão)
Resposta a surtos de cVDPV (mOPV2 ou nOPV2) em África e Ásia
Programas nacionais de vacinação em países de baixo rendimento (onde a IPV é logisticamente ou financeiramente impraticável como vacina exclusiva)
Em Portugal:
A OPV NÃO é utilizada nem recomendada. O PNV utiliza exclusivamente a IPV desde 2005.
Pode ser relevante para profissionais de saúde e viajantes compreenderem a OPV no contexto da erradicação global e dos requisitos de viagem em países que utilizam OPV em campanhas.
Nota:
Contraindicações absolutas:
Imunodeficiência primária (SCID, agamaglobulinemia) — risco de poliomielite paralítica associada à vacina (PPAV)
Imunodeficiência adquirida grave (VIH com imunodepressão severa, quimioterapia)
Terapêutica imunossupressora em curso
Gravidez — contraindicação relativa (vacina viva); preferir IPV
Contraindicações relativas:
Contacto doméstico com imunodeprimido — risco de transmissão do poliovírus vacinal (excreção fecal durante 4–6 semanas). Se necessário, preferir IPV.
Doença diarreica aguda — reduz a eficácia (interferência com absorção)
Nota:
Reações comuns:
Geralmente muito bem tolerada — sem reações locais (via oral)
Febre ligeira (rara)
Diarreia ligeira (rara)
Reação grave — PPAV (Poliomielite Paralítica Associada à Vacina):
Incidência: ~1 caso por 750.000–2.500.000 primeiras doses (risco mais elevado com a 1.ª dose)
Resulta da reversão da estirpe vacinal atenuada para uma forma neurovirulenta
A PPAV é a principal razão para a transição de OPV para IPV em países com eliminação da poliomielite
Poliovírus derivados da vacina circulantes (cVDPV):
Em comunidades com baixa cobertura vacinal, o poliovírus excretado pelos vacinados pode circular, adquirir mutações e tornar-se neurovirulento, causando surtos de poliomielite paralítica
O tipo 2 é o mais frequentemente associado a cVDPV (razão pela qual a OPV tipo 2 foi retirada globalmente em 2016)
Estes riscos NÃO se aplicam à IPV utilizada em Portugal.
Via:
Esquemas (fora de Portugal — países que utilizam OPV):
Esquema misto OMS recomendado: bOPV ao nascimento + bOPV às 6, 10, 14 semanas + IPV às 14 semanas
Campanhas de massa: 2 gotas de bOPV em cada ronda (crianças <5 anos, independentemente do estado vacinal)
Em Portugal:
Eficácia:
Após esquema completo (3+ doses): >95% de proteção contra poliomielite paralítica
1 dose: ~50% de eficácia
A OPV induz excelente imunidade mucosa intestinal, bloqueando a transmissão fecal-oral — vantagem fundamental sobre a IPV para a erradicação
Imunidade de grupo:
nOPV2 (nova OPV tipo 2):
Desenvolvida com estabilidade genética acrescida para reduzir o risco de cVDPV2.
Autorização de uso de emergência pela OMS em 2021. Utilizada em >600 milhões de doses em campanhas de resposta a surtos de cVDPV2.
Papel na erradicação:
A OPV (Sabin) foi responsável pela eliminação da poliomielite em >99% do mundo.
Poliovírus selvagem tipo 2: erradicado (2015). Tipo 3: erradicado (2019). Tipo 1: endémico apenas no Afeganistão e Paquistão.
Fontes: WHO Polio Eradication Strategy 2022–2026, WHO Position Paper 2022, ECDC Polio Surveillance, GPEI (Global Polio Eradication Initiative).
Co-administração:
Pode ser co-administrada com a maioria das vacinas do calendário infantil (DTP, sarampo, BCG, hepatite B).
A OPV pode interferir ligeiramente com outras vacinas orais vivas (rotavírus) se administradas simultaneamente — a OMS recomenda co-administração sem restrição, aceitando possível redução marginal de eficácia.
Amamentação:
Pregnancy: OPV (live attenuated) is generally not recommended during pregnancy in countries using IPV. However, the WHO states that OPV may be given to pregnant women during polio outbreaks or when traveling to endemic/epidemic areas, as the risk of polio disease outweighs theoretical vaccine risks. Decades of OPV use have not demonstrated adverse effects on the fetus. In endemic countries, OPV is part of routine supplementary immunization activities and is given regardless of pregnancy status.
Breastfeeding: OPV is compatible with breastfeeding. While maternal antibodies in breast milk may slightly reduce the infant's immune response to OPV, this effect is not considered clinically significant. The WHO recommends administering OPV to infants regardless of breastfeeding status. Breastfeeding women can receive OPV if indicated (e.g., during outbreak response campaigns). No interruption of breastfeeding is necessary for either the mother or the infant receiving OPV.
Pediatric use: OPV is a mainstay of the Global Polio Eradication Initiative. The WHO recommends a birth dose of OPV followed by doses at 6, 10, and 14 weeks, often with at least one dose of IPV. OPV provides both individual protection and community immunity through secondary spread of vaccine virus. The risk of vaccine-associated paralytic poliomyelitis (VAPP) is approximately 1 per 2.7 million first doses. Countries that have eliminated wild poliovirus have switched to IPV-only schedules. Novel OPV type 2 (nOPV2) has been developed with reduced risk of genetic reversion.
Older adults (≥65 years): OPV is not routinely used in older adults in countries using IPV. If an unvaccinated older adult is traveling to a polio-endemic area, IPV is the preferred vaccine. Adults who completed a primary series may receive a single lifetime IPV booster before travel. OPV should be avoided in immunocompromised elderly individuals due to the risk of vaccine-associated paralytic poliomyelitis (VAPP), which is higher in immunodeficient persons.
Excreção viral:
Os vacinados excretam poliovírus vacinal nas fezes durante 4–6 semanas. Em comunidades com saneamento adequado (como Portugal), o risco de transmissão é mínimo.
Precaução em famílias com membros imunodeprimidos.
Conservação:
Contexto de Portugal:
| Dose | Dias desde a anterior | Faixa etária |
|---|---|---|
| Dose 1 | — | 0 meses+ |
| Dose 1 | — | — |
| Dose 2 | 42d | 1 meses+ |
| Dose 3 | 28d | — |
| Dose 4 | 28d | — |
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