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As vacinas COVID-19 de ARNm (ácido ribonucleico mensageiro) representam uma tecnologia inovadora que instrui as células do vacinado a produzir a proteína spike (S) do SARS-CoV-2, desencadeando uma resposta imunitária sem exposição ao vírus inteiro. A formulação de referência em Portugal é o Comirnaty® (BioNTech/Pfizer), a primeira vacina COVID-19 aprovada pela EMA (dezembro de 2020) e pelo Infarmed. Portugal distinguiu-se a nível internacional pela eficiência da sua campanha de vacinação contra
As vacinas COVID-19 de ARNm (ácido ribonucleico mensageiro) representam uma tecnologia inovadora que instrui as células do vacinado a produzir a proteína spike (S) do SARS-CoV-2, desencadeando uma resposta imunitária sem exposição ao vírus inteiro. A formulação de referência em Portugal é o Comirnaty® (BioNTech/Pfizer), a primeira vacina COVID-19 aprovada pela EMA (dezembro de 2020) e pelo Infarmed.
Portugal distinguiu-se a nível internacional pela eficiência da sua campanha de vacinação contra a COVID-19, alcançando uma das taxas de cobertura mais elevadas do mundo (>95% da população elegível com esquema primário completo). A Task Force para a Vacinação, sob coordenação do Vice-Almirante Henrique Gouveia e Melo, tornou-se um caso de estudo de sucesso em saúde pública.
Desde 2023, a estratégia vacinal portuguesa transitou para um modelo sazonal, com reforços anuais recomendados pela DGS para grupos de risco, em linha com as orientações da EMA e do ECDC. As formulações atualizadas (Comirnaty® adaptada às variantes JN.1 ou XBB.1.5, conforme a estação) são as preferenciais.
O Spikevax® (Moderna) é a alternativa de ARNm autorizada. As vacinas de adenovírus (AstraZeneca Vaxzevria®) foram descontinuadas na UE em 2024.
Recomendações atuais da DGS (campanha sazonal):
Adultos ≥65 anos
Residentes em lares e instituições de cuidados continuados
Profissionais de saúde e de lares
Imunodeprimidos graves (transplantados, oncológicos, VIH com CD4 <200, terapêuticas biológicas)
Grávidas (a partir do 2.º trimestre, ou a qualquer momento se grupo de risco)
Pessoas com comorbilidades crónicas: diabetes, DPOC, insuficiência cardíaca, doença renal crónica, obesidade mórbida, doença hepática crónica
Esquema primário:
Pessoas não vacinadas: 2 doses (intervalo 3–8 semanas) + dose sazonal
A maioria da população portuguesa completou o esquema primário em 2021–2022
Viajantes:
Alguns países podem exigir prova de vacinação COVID-19 para entrada (verificar requisitos atualizados)
O Certificado Digital COVID da UE (EUDCC) emitido pelo SNS 24 permanece válido para viagens
Contraindicações absolutas:
Hipersensibilidade ao ARNm, a lípidos da nanopartícula (ALC-0315, ALC-0159), ao polietilenoglicol (PEG) ou a qualquer excipiente
Reação anafilática documentada a dose anterior de vacina COVID-19 de ARNm
Contraindicações relativas:
Miocardite ou pericardite documentada após dose anterior — contraindicação à revacinação com ARNm (considerar Nuvaxovid® como alternativa se disponível)
Doença aguda febril moderada a grave — adiar
Não constituem contraindicação:
Gravidez — recomendada para grávidas de risco
Amamentação — segura
Imunodepressão — indicada prioritariamente (resposta pode ser atenuada)
Alergia a outros fármacos ou vacinas (exceto alergia ao PEG ou polissorbato 80)
Infeção COVID-19 prévia — a vacinação continua recomendada (intervalo mínimo de 3 meses após infeção)
Reações muito frequentes (≥1/10):
Dor no local da injeção (80–90%)
Fadiga, cefaleia (50–60%)
Mialgia (30–40%)
Artralgias, calafrios (20–30%)
Febre ≥38°C (10–15%, mais frequente após a 2.ª dose)
Reações frequentes:
Náuseas
Eritema e edema no local da injeção
Linfadenopatia axilar ipsilateral (mais frequente com doses de reforço)
Reações raras mas notáveis:
Miocardite e pericardite: incidência estimada de 1–5/100.000 em homens jovens (12–30 anos), tipicamente após a 2.ª dose. Geralmente ligeira, com resolução completa em 90% dos casos. A DGS monitorizou ativamente esta complicação.
Anafilaxia: ~5/1.000.000 doses
Paralisia facial periférica (Bell): incidência ligeiramente superior ao basal (dados inconclusivos quanto à causalidade)
Reações muito raras (farmacovigilância):
Síndrome de Guillain-Barré (associação mais forte com vacinas de adenovírus do que com ARNm)
Trombose com trombocitopenia (VITT): NÃO associada a vacinas de ARNm (apenas a adenovírus)
Notificação ao Infarmed (portal RAM) é essencial para a farmacovigilância continuada.
Via e local:
Via intramuscular (IM), no músculo deltoide.
Volume: 0,3 mL (formulação atual) por dose.
Esquema primário (se não vacinado):
Reforço sazonal:
1 dose anual (outono/inverno), com formulação atualizada para as variantes circulantes.
Elegíveis: grupos de risco definidos pela DGS (ver Indicações).
Imunodeprimidos:
Locais de vacinação:
Centros de saúde do SNS, farmácias comunitárias (protocolo DGS), hospitais.
Agendamento via SNS 24 (portal ou linha telefónica).
Registo:
Eficácia do esquema primário (ensaio pivotal, estirpe original):
Comirnaty®: eficácia de 95% contra COVID-19 sintomática (Polack et al., NEJM 2020)
Proteção contra hospitalização e morte: >97%
Eficácia contra variantes (dados do mundo real):
A eficácia contra infeção sintomática diminuiu com variantes subsequentes (Delta, Omicron) e com o tempo (waning immunity).
Proteção contra doença grave e hospitalização manteve-se robusta (>70–80%) mesmo contra Omicron, especialmente após dose de reforço.
Formulações bivalentes e atualizadas (XBB.1.5, JN.1) restauram a proteção contra variantes circulantes.
Eficácia dos reforços sazonais:
Impacto em Portugal:
A vacinação contra a COVID-19 em Portugal evitou um número estimado de 18.000–25.000 mortes durante a pandemia (modelação IHMT/DGS).
Portugal manteve uma das menores taxas de mortalidade per capita da Europa durante a vaga Omicron, atribuída à elevadíssima cobertura vacinal.
Fontes: RCM Comirnaty® (Infarmed/EMA), WHO SAGE Recommendations 2024, DGS Norma Vacinação COVID-19 Sazonal, ECDC COVID-19 Vaccine Tracker.
Co-administração com vacina da gripe:
Outras vacinas:
As vacinas COVID-19 de ARNm podem ser administradas simultaneamente ou sem intervalo mínimo com qualquer outra vacina (posição da OMS e da DGS desde 2022).
Recomendação prática: administrar em braços diferentes para facilitar a atribuição de eventuais reações locais.
Terapêuticas imunossupressoras:
Pregnancy: Recommended (WHO, ACIP).
COVID-19 mRNA vaccines (Comirnaty, Spikevax) are safe and recommended during pregnancy.
Pregnant women are at increased risk of severe COVID-19, ICU admission, preterm delivery, and maternal death.
Vaccination during pregnancy provides passive antibody transfer to the neonate.
Can be administered at any gestational age. No evidence of teratogenicity or adverse pregnancy outcomes in large observational studies (V-safe, VAERS, global registries).
WHO SAGE and CDC/ACIP both recommend COVID-19 vaccination for pregnant individuals.
Breastfeeding: Safe and recommended.
COVID-19 mRNA vaccines are safe during breastfeeding. mRNA does not enter breast milk in functional form. Antibodies generated by maternal vaccination are detected in breast milk and may provide passive protection to the breastfed infant.
Pediatric use:
Comirnaty (Pfizer-BioNTech): approved from 6 months of age. Age-adjusted doses:
Spikevax (Moderna): approved from 6 months of age. Age-adjusted doses:
Annual updated booster formulations target circulating variants.
Myocarditis risk is lower in children <12 years than in adolescent/young adult males.
Geriatric use: Priority group for vaccination.
Adults ≥65 years are at highest risk of severe COVID-19 outcomes and are a priority group for vaccination and boosters.
Immune response may be lower (immunosenescence), hence the recommendation for regular booster doses.
High-dose and adjuvanted formulations are not available for mRNA vaccines, but additional booster doses compensate.
Adverse event profile is generally milder in older adults compared to younger recipients (less reactogenicity).
Annual updated boosters strongly recommended for all adults ≥65 years.
Observação pós-vacinal:
15 minutos de observação para a generalidade dos vacinados
30 minutos para pessoas com antecedentes de anafilaxia a qualquer causa
Miocardite — vigilância:
Intervalo pós-infeção:
Conservação:
| Dose | Dias desde a anterior | Faixa etária |
|---|---|---|
| Dose 1 | — | 12 anos+ |
| Dose 1 | 365d | 12 anos+ |
| Dose 2 | 21d | — |
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