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A vacina injetável contra a febre tifoide contém o polissacárido capsular Vi purificado de Salmonella enterica serovar Typhi (estirpe Ty2). A formulação disponível em Portugal é o Typhim Vi® (Sanofi Pasteur), autorizada pelo Infarmed. Cada dose de 0,5 mL contém 25 µg de polissacárido Vi. A febre tifoide é uma doença sistémica grave causada por S. Typhi, transmitida por via fecal-oral através de água e alimentos contaminados. A OMS estima 9–11 milhões de casos anuais e 110.000–130.000 mortes, co
A vacina injetável contra a febre tifoide contém o polissacárido capsular Vi purificado de Salmonella enterica serovar Typhi (estirpe Ty2). A formulação disponível em Portugal é o Typhim Vi® (Sanofi Pasteur), autorizada pelo Infarmed. Cada dose de 0,5 mL contém 25 µg de polissacárido Vi.
A febre tifoide é uma doença sistémica grave causada por S. Typhi, transmitida por via fecal-oral através de água e alimentos contaminados. A OMS estima 9–11 milhões de casos anuais e 110.000–130.000 mortes, concentrados no Sul e Sudeste Asiático e na África subsaariana.
Em Portugal, a febre tifoide é uma doença de declaração obrigatória (DDO), com uma incidência muito baixa (<5 casos/ano), quase exclusivamente importada por viajantes. A DGS recomenda a vacinação para viajantes com destino a zonas endémicas, especialmente quando a estadia inclua áreas rurais, alimentação em condições de higiene precária ou duração superior a 2–4 semanas.
A vacina Vi polissacárida não é conjugada, pelo que não induz memória imunológica dependente de células T e não é eficaz em crianças com menos de 2 anos. Novas vacinas conjugadas Vi-TT (Typbar-TCV®) aprovadas pela OMS oferecem vantagens, mas ainda não estão comercializadas em Portugal.
Viajantes (indicação principal em Portugal):
Viajantes com destino ao subcontinente indiano (Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal) — região de maior risco
Destinos em África subsaariana, Sudeste Asiático, América Central e do Sul com saneamento deficiente
Viajantes que visitem zonas rurais, participem em voluntariado ou missões humanitárias
Viajantes aventureiros ou mochileiros com alimentação em mercados locais
Grupos de risco específicos:
Profissionais de laboratório que manuseiem culturas de S. Typhi
Militares em missão em zonas endémicas
Viajantes que visitem familiares em países de origem endémicos (VFR — Visiting Friends and Relatives) — risco frequentemente subestimado
Profilaxia combinada:
A DGS enfatiza que a vacinação não substitui as medidas de higiene alimentar e hídrica (princípio "boil it, cook it, peel it, or forget it")
A vacina protege apenas contra S. Typhi (não contra S. Paratyphi A, B ou C)
Contraindicações absolutas:
Hipersensibilidade conhecida ao polissacárido Vi ou a qualquer excipiente da vacina
Reação grave documentada a dose anterior
Contraindicações relativas:
Doença febril aguda — adiar a vacinação até resolução
Crianças com menos de 2 anos de idade — a vacina polissacárida Vi não é imunogénica nesta faixa etária (antigénio T-independente)
Não constituem contraindicação:
Gravidez — dados limitados, mas não há evidência de risco; administrar se o benefício justificar
Amamentação
Imunodepressão — vacina inativada, segura; a resposta pode ser atenuada
Terapêutica antibiótica em curso
Reações muito frequentes (≥1/10):
Dor no local da injeção (até 90%), geralmente ligeira e transitória (24–48 h)
Eritema e induração no local da injeção (15–20%)
Reações frequentes (≥1/100 a <1/10):
Cefaleia
Mialgia
Febre (≥38°C) — geralmente nas 24 horas pós-vacinação
Mal-estar geral, astenia
Reações pouco frequentes a raras:
Náuseas, diarreia, dor abdominal
Artralgias
Erupção cutânea, prurido
Linfadenopatia regional
Reações muito raras:
Reações de hipersensibilidade: urticária, angioedema, anafilaxia (<1/1.000.000)
Síndrome do tipo doença do soro
O perfil de segurança é globalmente favorável. A vacina Vi polissacárida é uma das vacinas de viajante mais bem toleradas. Notificar reações adversas graves ao Infarmed (portal RAM).
Via e local de administração:
Via intramuscular (IM) ou subcutânea (SC), no músculo deltoide.
Volume: 0,5 mL (dose única).
Esquema posológico:
Dose única, a administrar pelo menos 2 semanas antes da exposição.
Revacinação: dose única de reforço de 3 em 3 anos, se exposição mantida.
Idade mínima:
Nota prática:
Eficácia clínica:
Eficácia protetora contra a febre tifoide confirmada por cultura: 50–72% nos 3 anos seguintes à vacinação, em ensaios clínicos randomizados (Klugman et al., 1996; ensaio na África do Sul).
A eficácia diminui progressivamente e é negligenciável após 3 anos (justificando a revacinação trienal).
Imunogenicidade:
Seroconversão (elevação ≥4× dos anticorpos anti-Vi) em 85–95% dos adultos após dose única.
A resposta é inferior em crianças <5 anos e em imunodeprimidos.
Limitações conhecidas:
Eficácia inferior à das vacinas conjugadas Vi-TT (Typbar-TCV®): 81% em ensaio randomizado no Nepal (Shakya et al., NEJM 2019).
Não induz imunidade mucosa (ao contrário da vacina oral Ty21a).
Não protege contra S. Paratyphi.
Comparação com vacina oral:
Typhim Vi® (injetável): dose única, eficácia ~55–72%, reforço trienal, sem restrição com antibióticos.
Vivotif® (oral): 3–4 doses, eficácia ~50–67%, reforço de 5 em 5 anos (3 em 3 anos nos EUA), interação com antibióticos e antipalúdicos.
Fontes: RCM Typhim Vi® (Infarmed), WHO Position Paper 2018, DGS Orientação Técnica Viajante.
Co-administração com outras vacinas:
Pode ser administrada simultaneamente com todas as vacinas do calendário de viajante (hepatite A, hepatite B, febre amarela, raiva, meningocócica, gripe) em locais anatómicos separados.
Dados clínicos confirmam ausência de interferência imunológica relevante com a vacina contra a hepatite A (Twinrix® ou formulações monovalentes).
Profilaxia antipalúdica:
Antibióticos:
Imunossupressores:
Pregnancy: Safe if travel warrants vaccination.
Injectable typhoid ViCPS (Vi polysaccharide) vaccine is an inactivated subunit vaccine and is considered safe during pregnancy when the risk of typhoid fever warrants vaccination.
Limited formal studies in pregnancy, but extensive post-marketing experience with no safety signals.
Preferred over oral Ty21a (live vaccine) during pregnancy.
WHO recommends vaccination for pregnant travelers to highly endemic areas (South Asia in particular).
Breastfeeding: Safe — no restrictions.
Injectable typhoid ViCPS vaccine is inactivated and poses no risk during breastfeeding. No modification to breastfeeding or vaccination schedule is required.
Pediatric use:
Injectable ViCPS: licensed from 2 years of age.
Children <2 years: ViCPS is not effective due to T-cell-independent polysaccharide response immaturity.
Typhoid conjugate vaccine (TCV, e.g., Typbar-TCV): licensed from 6 months — preferred for young children in endemic settings (WHO prequalified).
Single 0.5 mL IM dose. Revaccinate every 2–3 years if continued exposure.
Geriatric use:
No specific age-related concerns. Standard dose and schedule apply.
Immune response may be slightly reduced in elderly adults, but clinically protective levels are typically achieved.
Food and water precautions remain essential regardless of vaccination status.
Antes da vacinação:
Confirmar o itinerário e a duração da viagem para avaliar a indicação.
Informar o viajante que a proteção não é absoluta (50–72%) e que as medidas de higiene alimentar e hídrica são essenciais.
A vacinação deve ser realizada pelo menos 2 semanas antes da partida.
Revacinação:
Limitações da vacina:
Não protege contra febre paratifoide (S. Paratyphi A, B, C) nem contra outras salmoneloses não tifoides.
A eficácia é inferior em zonas de exposição muito intensa ou em crianças jovens.
Conservação:
Não existem dados de esquema disponíveis.
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