Visão geral
Doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti com quatro sorotipos. Varia de febre leve a dengue grave (hemorrágica) potencialmente fatal.
Sintomas
Sintomas | Frequência | Gravidade | Início |
|---|---|---|---|
| Artralgia | 55% | Moderado | Fase inicial |
| Dor óssea | 45% | Moderado | Fase inicial |
| Fadiga | 70% | Leve | Fase inicial |
| Febre alta | 97% | Grave | Fase inicial |
| Perda de apetite | 55% | Leve | Fase inicial |
| Mialgia | 85% | Moderado | Fase inicial |
| Náusea | 60% | Leve | Fase inicial |
| Dor retro-orbitária | 70% | Moderado | Fase inicial |
| Cefaleia intensa | 90% | Moderado | Fase inicial |
| Vômitos | 45% | Leve | Fase inicial |
| Dor abdominal | 40% | Leve | Fase inicial |
| Dor de garganta | 35% | Leve | Fase inicial |
| Exantema maculopapular | 50% | Leve | Fase aguda |
| Sangramento gengival | 15% | Grave | Fase aguda |
| Equimoses | 10% | Leve | Fase aguda |
| Hemorragia | 10% | Crítico | Fase aguda |
| Hepatomegalia | 15% | Moderado | Fase aguda |
| Hipotensão | 8% | Crítico | Fase aguda |
| Petéquias | 20% | Grave | Fase aguda |
| Taquicardia | 12% | Grave | Fase aguda |
| Alteração da consciência | 5% | Moderado | Fase aguda |
| Edema | 8% | Moderado | Fase aguda |
| Prurido | 60% | Leve | Fase tardia |
| Linfonodos inchados | 30% | Leve | Qualquer fase |
Transmissão
Visão geral
A dengue é uma doença viral transmitida por mosquitos, que ocorre em regiões tropicais e subtropicais. Pode causar sintomas graves semelhantes aos da gripe e, em alguns casos, complicações potencialmente fatais.
Visão geral
A dengue é causada pelo vírus da dengue (DENV, família Flaviviridae), com 4 sorotipos distintos (DENV-1, 2, 3, 4). A infecção por um sorotipo confere imunidade permanente contra o mesmo sorotipo, mas apenas proteção temporária (~2 anos) contra os demais. A REINFECÇÃO por sorotipo diferente é o principal fator de risco para dengue grave — pelo fenômeno de ADE (antibody-dependent enhancement), onde anticorpos não neutralizantes da infecção anterior facilitam a entrada viral nas células, amplificando a replicação e a resposta inflamatória.
A transmissão ocorre pela picada de mosquitos Aedes aegypti (vetor principal, urbano, diurno) e Aedes albopictus (vetor secundário). O mosquito infecta-se ao picar pessoa virêmica e transmite o vírus após período de incubação extrínseco de 8–12 dias. O Ae. aegypti é peridomiciliar, com atividade predominantemente diurna (pico no início da manhã e final da tarde), reproduzindo-se em água parada limpa.
A dengue é a arbovirose mais prevalente do mundo — ~390 milhões de infecções anuais (96 milhões sintomáticas), com distribuição em >100 países tropicais e subtropicais. A expansão geográfica é impulsionada pela urbanização desordenada, mudanças climáticas e globalização.
O Brasil é o país com MAIOR número de casos de dengue no mundo. Em 2024, o país registrou >6 milhões de casos prováveis e >5.700 óbitos — a pior epidemia da história brasileira, levando à decretação de emergência em saúde pública. Todos os 4 sorotipos circulam no Brasil, com predominância variável por ano e região. A dengue é doença de notificação compulsória imediata (em até 24 horas para óbitos e surtos) ao SINAN.
Sinais de emergência
Procure atendimento médico de emergência imediatamente se:
-
Dor abdominal intensa e contínua — principal sinal de alarme da dengue
-
Vômitos persistentes (≥3 episódios em 1 hora) — incapacidade de manter hidratação
-
Sangramento: gengivorragia, epistaxe, sangramento vaginal anormal, sangue nas fezes ou urina, hematomas espontâneos
-
Queda de pressão arterial com extremidades frias, pulso rápido e fraco, pele pálida — CHOQUE da dengue (EMERGÊNCIA)
-
Letargia, sonolência ou irritabilidade extrema — pode indicar comprometimento neurológico
-
Distensão abdominal — pode indicar derrame peritoneal (ascite)
-
Dificuldade respiratória — pode indicar derrame pleural
-
Piora dos sintomas quando a febre começa a ceder (3º–7º dia) — a FASE CRÍTICA da dengue coincide com a defervescência, NÃO com a febre alta
ATENÇÃO: A dengue mata NÃO pela febre, mas pelo CHOQUE na defervescência. Não abandone o acompanhamento médico quando a febre ceder — este é o momento mais perigoso.
SAMU: 192 | UPA 24h | Procure hidratação ANTES de desenvolver sinais de alarme
Sintomas detalhados
Sinais e sintomas mais comuns
Período de incubação: 4–10 dias (geralmente 5–7 dias) Viremia: 1 dia antes até 5 dias após o início dos sintomas
Dengue clássica (sem sinais de alarme):
-
Febre alta abrupta (39–40°C), de início súbito — marca o início da doença
-
Cefaleia retroorbitária intensa — dor atrás dos olhos que piora ao movimentar o globo ocular (altamente sugestiva)
-
Mialgia intensa — especialmente lombar e membros inferiores ("quebra-ossos")
-
Artralgia — articulações grandes
-
Prostração e fadiga intensa
-
Anorexia, náusea, vômitos
-
Exantema maculopapular — aparece no 3º–4º dia, inicialmente no tronco, podendo generalizar. Característico: "ilhas brancas em mar vermelho" (áreas de pele poupada em fundo eritematoso)
-
Prova do laço positiva — indica fragilidade capilar (>20 petéquias em área de 2,5 cm² após 5 min de manguito inflado)
Dengue com sinais de alarme (atenção — evolução para gravidade): Os sinais de alarme geralmente surgem na defervescência (3º–7º dia), quando a febre começa a ceder:
-
Dor abdominal intensa e contínua (não referida à palpação)
-
Vômitos persistentes (≥3 episódios em 1 hora ou ≥5 em 6 horas)
-
Derrame cavitário (pleural, pericárdico, ascite) — detectado clinicamente ou por US
-
Sangramento de mucosas (gengivorragia, epistaxe, metrorragia)
-
Hepatomegalia >2 cm abaixo do rebordo costal
-
Letargia ou irritabilidade
-
Aumento progressivo do hematócrito (hemoconcentração)
-
Queda abrupta de plaquetas (<100.000/mm³)
Dengue grave:
-
Choque por extravasamento plasmático (síndrome do choque da dengue — SCD): hipotensão, taquicardia, pulso filiforme, extremidades frias, tempo de enchimento capilar >2 segundos. Período crítico: 24–48 horas após defervescência.
-
Hemorragia grave: Hematêmese, melena, sangramento vaginal abundante
-
Comprometimento orgânico grave: Hepatite (ALT/AST >1.000), encefalite, miocardite
Conhecer os sintomas é o primeiro passo para uma resposta rápida.
Curso da doença
Curso típico da doença:
- Período de incubação: 4–10 dias (média de 5–7 dias).
- Fase febril (2–7 dias): Febre alta súbita (40°C), cefaleia intensa (especialmente retro-orbitária), mialgia, artralgia ("febre quebra-ossos"), exantema maculopapular. Leucopenia e trombocitopenia leve.
- Fase crítica (24–48 horas em torno da defervescência, dias 3–7): Período mais perigoso. Pode ocorrer extravasamento plasmático → derrames pleurais, ascite, hemoconcentração. Hematócrito elevado + plaquetas em queda = sinais de alarme. Dengue grave: hemorragia, falência orgânica, choque.
- Fase de recuperação (2–3 dias): Reabsorção do líquido extravasado, estabilização dos sinais vitais, melhora do apetite. Exantema confluente com prurido ("ilhas brancas em um mar vermelho"). Risco de sobrecarga hídrica se os fluidos IV não forem reduzidos.
Sinais de alarme (transição para dengue grave): vômitos persistentes, dor abdominal, sangramento de mucosas, letargia, hepatomegalia >2 cm, hematócrito elevado com plaquetas em queda.
Diagnóstico
Como esta doença é identificada
Diagnóstico clínico (classificação OMS 2009, adotada pelo MS): Caso suspeito: febre (2–7 dias) + ≥2 dos seguintes: cefaleia, dor retroorbitária, mialgia, artralgia, exantema, manifestações hemorrágicas, prova do laço positiva, leucopenia. Diagnóstico diferencial: Zika, chikungunya, malária, leptospirose, hepatite viral, meningococcemia, sarampo.
Confirmação laboratorial:
-
NS1 (antígeno viral): Positivo do 1º ao 5º dia de sintomas. Teste rápido imunocromatográfico disponível amplamente. Sensibilidade: 60–90% (maior em infecção primária). Especificidade >98%.
-
RT-PCR: Sangue, do 1º ao 5º dia. Identifica sorotipo. Padrão-ouro para confirmação precoce.
-
Sorologia IgM anti-dengue (ELISA MAC): Positiva a partir do 6º dia. Padrão-ouro para confirmação tardia. Pode haver reatividade cruzada com Zika (mesma família Flaviviridae).
-
IgG pareada: Aumento ≥4× confirma infecção. Razão IgM/IgG diferencia infecção primária de secundária.
Exames para estadiamento (essenciais para manejo):
-
Hematócrito: Monitorar hemoconcentração (↑ hematócrito = extravasamento plasmático)
-
Plaquetas: Trombocitopenia (<100.000 = sinal de alarme; <20.000 = risco hemorrágico grave)
-
Hemograma completo, ALT/AST, albumina, eletrólitos
-
Ultrassonografia abdominal: Detecta derrames cavitários (ascite, derrame pleural) — evidência de extravasamento plasmático
-
Tipagem sanguínea: Preparar para necessidade de transfusão
Notificação no Brasil: Dengue: notificação compulsória semanal ao SINAN. Dengue grave/óbito: notificação imediata (em até 24 horas).
Tratamento
Métodos de tratamento disponíveis
Manejo baseado na classificação clínica (Protocolo MS 2024):
Grupo A — Dengue sem sinais de alarme, sem comorbidades:
-
Tratamento ambulatorial
-
Hidratação oral: 60–80 mL/kg/dia (1/3 de solução salina oral, 2/3 de líquidos como água, sucos, chás)
-
Antitérmico/analgésico: dipirona ou paracetamol (máx 3g/dia)
-
PROIBIDO: AAS (ácido acetilsalicílico) e AINEs (ibuprofeno, diclofenaco, naproxeno) — aumentam risco de sangramento
-
Retorno ao serviço de saúde se sinais de alarme
Grupo B — Dengue sem sinais de alarme, COM comorbidades ou risco social:
-
Observação em unidade de saúde por 6–8 horas
-
Hidratação oral supervisionada: 60–80 mL/kg/dia
-
Hemograma com hematócrito a cada 12–24 horas
Grupo C — Dengue com sinais de alarme:
-
INTERNAÇÃO HOSPITALAR obrigatória
-
Hidratação IV imediata: SF 0,9% ou Ringer Lactato — 20 mL/kg em 2 horas. Reavaliação clínica e hematócrito a cada 2 horas. Repetir até 3× se necessário.
-
Monitoramento contínuo: sinais vitais, diurese (≥0,5 mL/kg/h), hematócrito seriado
-
Após estabilização: manutenção com 25 mL/kg em 6 horas, depois 25 mL/kg em 8 horas
-
Albumina ou coloides: se refratário a cristaloides
Grupo D — Dengue grave (choque, hemorragia grave, disfunção orgânica):
-
UTI OBRIGATÓRIA
-
Ressuscitação volêmica agressiva: SF 0,9% ou RL — 20 mL/kg em 15–20 min, repetir até 3× (máx 60 mL/kg na 1ª hora)
-
Se refratário: albumina 0,5–1 g/kg IV ou coloides
-
Transfusão de concentrado de hemácias se hemorragia ativa com instabilidade
-
Transfusão de plaquetas: APENAS se sangramento ativo + plaquetas <50.000 (NÃO transfundir profilaticamente apenas por contagem baixa)
-
Vasopressores: se choque refratário a volume
-
Ventilação mecânica se insuficiência respiratória
A maioria dos casos é tratada com eficácia quando diagnosticada precocemente.
Detalhes de prevenção
Como se proteger
Controle vetorial — principal estratégia no Brasil:
-
Eliminação de criadouros de Ae. aegypti (água parada: vasos de plantas, pneus, caixas d'água sem tampa, lixo)
-
Fumigação (nebulização UBV): Útil em surtos, mas efeito temporário
-
Larvicidas biológicos: Bacillus thuringiensis israelensis (Bti)
-
Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD): Agentes comunitários de saúde (ACE) visitam domicílios periodicamente
-
Técnica do inseto estéril e Wolbachia: Programa World Mosquito Program ativo em cidades brasileiras (Niterói, Rio de Janeiro) — mosquitos infectados com Wolbachia reduzem transmissão em ~77%
Vacinação:
-
Qdenga (TAK-003, Takeda): Vacina tetravalente de vírus vivo atenuado. 2 doses SC com intervalo de 3 meses. Aprovada pela ANVISA (2023) e incluída no PNI para crianças de 10–14 anos em áreas prioritárias (2024). Eficácia: ~80% contra hospitalização. NÃO requer teste sorológico prévio (diferente de Dengvaxia). Autorizada para 4–60 anos.
-
Dengvaxia (CYD-TDV, Sanofi): APENAS para soropositivos (risco de ADE em soronegativos). Esquema de 3 doses. Uso restrito.
Proteção individual:
-
Repelentes com DEET (20–30%), icaridina ou IR3535
-
Roupas de mangas longas e calças (especialmente no início da manhã e final da tarde)
-
Telas em janelas e mosquiteiros (embora Aedes seja diurno)
-
Ar-condicionado (mosquitos evitam ambientes climatizados)
Notificação e vigilância:
- Todo caso suspeito de dengue deve ser notificado ao SINAN
A preparação é a melhor proteção.
Conselhos de viagem
Risco para viajantes — ALTO em áreas endêmicas tropicais:
A dengue é a arbovirose mais comum em viajantes retornando de áreas tropicais. Risco especialmente alto durante estação chuvosa.
Antes da viagem:
-
Verificar situação epidemiológica do destino (CDC Travel Notices, MS)
-
Vacina Qdenga (TAK-003): considerar para viajantes 4–60 anos para áreas hiperendêmicas — 2 doses com intervalo de 3 meses (idealmente completar antes da viagem)
-
Adquirir repelente com DEET ≥20%
Destinos de alto risco:
-
Risco muito alto: Brasil (todo o país, especialmente Sudeste e Centro-Oeste durante surtos), Índia, Indonésia, Filipinas, Tailândia, Vietnã, Bangladesh, Colômbia, México, Peru
-
Risco alto: Caribe, América Central, África tropical
-
Risco emergente: Sul da Europa (casos autóctones na Itália e França, Ae. albopictus)
Proteção contra picadas de mosquito (FUNDAMENTAL):
-
Ae. aegypti pica predominantemente durante o DIA (pico: início da manhã e final da tarde)
-
Repelente DEET 20–30% em pele exposta — reaplicar a cada 4–6 horas
-
Roupas claras de mangas longas e calças
-
Permethrin 0,5% em roupas e mosquiteiros
-
Ar-condicionado em acomodações (preferível a ventiladores)
Se desenvolver febre durante ou até 14 dias após viagem:
-
Procure atendimento médico IMEDIATO — dengue grave pode evoluir rapidamente para choque
-
Informe histórico de viagem ao médico
-
NÃO tome AAS (aspirina) ou AINEs — risco aumentado de sangramento
-
Monitorar sinais de alarme a partir do 3º dia de doença
Ao retornar ao Brasil: Se voltar de área COM dengue para área COM Aedes aegypti, e estiver virêmico, pode iniciar transmissão local. Use repelente ao retornar.
Quão comum é?
Estatísticas e dados geográficos
Carga global (OMS 2024):
-
~390 milhões de infecções/ano (96 milhões sintomáticas)
-
~500.000 hospitalizações/ano por dengue grave
-
~25.000 mortes/ano
-
Presente em >100 países tropicais e subtropicais
-
Incidência aumentou 8× nas últimas 2 décadas
-
2024: ano recorde global — >12 milhões de casos notificados mundialmente
Situação no Brasil (epicentro global): O Brasil é o país com MAIOR número absoluto de casos de dengue no mundo:
-
2024: >6,3 milhões de casos prováveis, >5.700 óbitos — pior epidemia da história brasileira. Emergência em saúde pública decretada.
-
2015: >1,6 milhões de casos (epidemia de DENV-1)
-
2019: >1,5 milhões de casos (DENV-2 predominante)
Sorotipos circulantes no Brasil: Todos os 4 sorotipos circulam, com alternância periódica:
-
DENV-1: predominante em 2010–2016
-
DENV-2: predominante em 2019–2024 (maior virulência, maior risco de dengue grave)
-
DENV-3: reintroduzido em 2023–2024 após ausência por ~15 anos — população altamente suscetível
-
DENV-4: circulação menor
Fatores de risco para dengue grave:
-
Infecção secundária (sorotipo diferente do anterior) — mecanismo de ADE
-
Crianças <12 meses, idosos >65 anos
-
Gestantes (risco de hemorragia e parto prematuro)
-
Comorbidades: diabetes, HAS, doenças hematológicas, hepatopatias crônicas
-
Uso de AAS/AINEs
Sazonalidade: Pico nos meses chuvosos e quentes (janeiro–maio no Brasil).
Fatores de risco
Quem tem mais risco
Viagem a áreas endêmicas durante os picos de transmissão, atividades ao ar livre durante os horários de atividade dos mosquitos, falta de uso de repelentes.
Detalhes das complicações
Complicações potenciais
Complicações da dengue — classificação por gravidade:
Complicações por extravasamento plasmático (fase crítica: defervescência):
-
Síndrome do choque da dengue (SCD): 1–5% dos casos hospitalizados. Causada por aumento súbito da permeabilidade vascular → extravasamento plasmático → hipovolemia → choque. Janela crítica: 24–48 horas após defervescência. Sem tratamento adequado: mortalidade >20%. Com hidratação IV precoce: mortalidade <1%.
-
Derrames cavitários: Ascite, derrame pleural, derrame pericárdico — evidência de extravasamento plasmático
-
Edema pulmonar: Pode resultar de hiperidratação na fase de reabsorção (após 48–72 horas) — cuidado com excesso de fluidos IV
Complicações hemorrágicas:
-
Sangramento de mucosas: Gengivorragia, epistaxe, menorragia — relativamente comum (10–25%)
-
Hemorragia digestiva: Hematêmese, melena — grave, pode ser maciça
-
Hematúria
-
Hemorragia intracraniana: Rara mas potencialmente fatal
-
Mecanismo: Trombocitopenia + coagulopatia + fragilidade capilar
Comprometimento orgânico grave:
-
Hepatite/insuficiência hepática: ALT/AST >1.000 UI/L em 3–5% dos casos graves. Risco de encefalopatia hepática.
-
Encefalite/encefalopatia: 0,5–1% dos casos graves. Convulsões, alteração da consciência.
-
Miocardite: Rara; arritmias, insuficiência cardíaca
-
Insuficiência renal aguda: Geralmente por choque prolongado
-
Síndrome hemofagocítica: Rara, potencialmente fatal
Mortalidade:
-
Dengue clássica: <0,1%
-
Dengue com sinais de alarme (tratada adequadamente): <0,5%
-
Dengue grave/SCD (com UTI): 1–5%
-
Dengue grave sem tratamento: 20–50%
-
Brasil 2024: >5.700 óbitos em >6 milhões de casos (~0,09% global, ~2% dos graves)
Recuperação e perspetivas
Resultados esperados e recuperação
Dengue clássica: TL <1% com cuidados de suporte adequados. Autolimitada em 2–7 dias.
Dengue grave (febre hemorrágica da dengue / síndrome do choque da dengue):
-
TL 2,5% com manejo especializado, até 20% sem tratamento adequado.
-
Principais fatores de risco para doença grave: infecção secundária com sorotipo diferente do DENV (facilitação dependente de anticorpos, ADE), idade <15 anos, estado nutricional, doenças crônicas (diabetes, asma), certos tipos de HLA.
-
A recuperação da dengue grave é tipicamente completa, mas a convalescença pode ser prolongada (semanas a meses).
Longo prazo: A infecção com um sorotipo confere imunidade vitalícia para aquele sorotipo, mas apenas proteção cruzada transitória (2–3 meses) contra os outros três sorotipos. A infecção heterotípica subsequente apresenta maior risco de doença grave.
