Visão geral
Infecção viral do fígado transmitida pela via fecal-oral através de água ou alimentos contaminados. Geralmente autolimitada, mas pode causar hepatite fulminante em adultos mais velhos.
Sintomas
Sintomas | Frequência | Gravidade | Início |
|---|---|---|---|
| Dor abdominal | 60% | Moderado | Fase inicial |
| Fadiga | 80% | Moderado | Fase inicial |
| Febre | 70% | Leve | Fase inicial |
| Perda de apetite | 80% | Leve | Fase inicial |
| Mal-estar | 75% | Leve | Fase inicial |
| Náusea | 70% | Moderado | Fase inicial |
| Cefaleia | 50% | Leve | Fase inicial |
| Mialgia | 50% | Leve | Fase inicial |
| Vômitos | 40% | Leve | Fase inicial |
| Urina escura | 80% | Moderado | Fase aguda |
| Hepatomegalia | 60% | Moderado | Fase aguda |
| Icterícia | 70% | Grave | Fase aguda |
| Prurido | 40% | Leve | Fase aguda |
| Perda de peso | 30% | Leve | Fase aguda |
| Artralgia | 15% | Leve | Fase aguda |
| Esplenomegalia | 15% | Leve | Fase aguda |
| Erupção cutânea | 5% | Leve | Fase aguda |
| Diarreia | 20% | Leve | Qualquer fase |
Transmissão
Visão geral
Infecção hepática altamente contagiosa causada pelo vírus da hepatite A.
Visão geral
A hepatite A é causada pelo vírus da hepatite A (HAV, família Picornaviridae, gênero Hepatovirus), um vírus RNA de fita simples, não envelopado e extremamente resistente ao ambiente — sobrevive por semanas a meses em água e superfícies, resiste a pH ácido (estômago), detergentes e temperaturas de até 60°C por 60 minutos. É inativado por fervura (100°C por 5 minutos), cloro (concentrações adequadas) e radiação UV.
A transmissão é predominantemente fecal-oral: ingestão de água ou alimentos contaminados (especialmente frutos do mar crus, vegetais crus irrigados com água contaminada), contato direto pessoa-a-pessoa (baixa higiene), e relação sexual (especialmente oral-anal). Surtos em países de alta renda frequentemente estão associados a alimentos importados contaminados ou transmissão entre HSH (homens que fazem sexo com homens).
A hepatite A é SEMPRE aguda — não causa infecção crônica, e a recuperação confere imunidade vitalícia. A gravidade é fortemente idade-dependente: crianças <6 anos são assintomáticas em ~70% dos casos, enquanto adultos são sintomáticos em >70% e têm maior risco de complicações graves. A mortalidade é baixa globalmente (~0,3%), mas aumenta significativamente em pessoas >50 anos e naquelas com doença hepática crônica preexistente (hepatite B/C, cirrose alcoólica).
No Brasil, a hepatite A é endêmica, com prevalência mais alta nas regiões Norte e Nordeste (associada a condições de saneamento). O PNI incluiu a vacina hepatite A em dose única aos 15 meses desde 2014. É doença de notificação compulsória ao SINAN. A transição epidemiológica (melhoria do saneamento sem vacinação universal) paradoxalmente aumentou a suscetibilidade de adultos jovens em áreas urbanas — que não adquiriram imunidade natural na infância.
Sinais de emergência
Procure atendimento médico urgente se:
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Icterícia rapidamente progressiva com deterioração do estado geral
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Confusão mental, sonolência excessiva ou desorientação — pode indicar encefalopatia hepática (hepatite fulminante — EMERGÊNCIA)
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Vômitos persistentes com incapacidade de manter hidratação oral por >24 horas
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Dor abdominal intensa no hipocôndrio direito com piora progressiva
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Sangramento espontâneo: epistaxe, sangramento gengival, equimoses fáceis — pode indicar coagulopatia por insuficiência hepática
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Urina muito escura (cor de coca-cola) com fezes completamente esbranquiçadas
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Febre alta (>39°C) persistente com icterícia — considerar diagnóstico diferencial
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Desidratação por vômitos repetidos — letargia, oligúria, hipotensão
Grupos de maior risco para hepatite fulminante (procurar avaliação precoce):
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Pacientes >50 anos
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Portadores de hepatite B ou C crônica
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Pessoas com cirrose ou doença hepática crônica de qualquer causa
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Imunossuprimidos
SAMU: 192 | Disque Saúde: 136
Sintomas detalhados
Sinais e sintomas mais comuns
Período de incubação: 15–50 dias (média 28–30 dias) Transmissibilidade: 2 semanas antes até 1 semana após o início da icterícia (pico de excreção viral nas fezes: 2 semanas antes dos sintomas)
Fase prodrômica/pré-ictérica (5–14 dias):
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Fadiga acentuada e mal-estar geral (frequentemente o sintoma mais precoce e incapacitante)
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Anorexia intensa (pode ser o sintoma predominante)
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Náusea e vômitos (50–80%)
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Dor em hipocôndrio direito ou epigástrio (dor hepática surda)
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Febre baixa a moderada (38–39°C) — mais frequente em crianças
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Mialgia e artralgia (10–15%)
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Cefaleia
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Aversão ao tabaco e ao café (sinal clínico clássico)
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Diarreia (em crianças mais frequente que em adultos)
Fase ictérica (2–8 semanas — pode estar ausente em crianças):
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Icterícia: Amarelamento progressivo de escleróticas e pele — presente em >70% dos adultos mas em apenas ~30% das crianças <6 anos
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Colúria (urina escura "cor de chá ou coca-cola") — frequentemente precede a icterícia por 1–5 dias
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Acolia fecal (fezes esbranquiçadas/claras) — por obstrução biliar intrahepática
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Hepatomegalia dolorosa à palpação — presente em ~80% dos casos ictéricos
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Esplenomegalia — em ~15% dos casos
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Prurido — variável
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mais intenso na forma colestática
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Os sintomas prodrômicos geralmente melhoram com o início da icterícia
Fase de convalescença (1–3 meses):
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Resolução gradual da icterícia
-
Fadiga pode persistir por semanas a meses
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Normalização das transaminases em 1–3 meses (até 6 meses em formas prolongadas)
Formas especiais:
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Hepatite colestática: Icterícia prolongada >3 meses, prurido intenso
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prognóstico bom
-
Hepatite recidivante (bifásica): 3–20% dos casos
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recorrência de sintomas após melhora inicial
-
resolução completa
-
Infecção assintomática: ~70% em crianças <6 anos
-
<30% em adultos
Conhecer os sintomas é o primeiro passo para uma resposta rápida.
Curso da doença
Curso típico da doença:
- Período de incubação: 15–50 dias (média de 28 dias).
- Fase prodrômica (5–7 dias): Fadiga, mal-estar, anorexia, náusea, vômitos, febre (38–39°C), dor no quadrante superior direito.
- Fase ictérica (1–3 semanas): Icterícia, urina escura, fezes acólicas. ALT atinge pico de 500–5.000 UI/L. Os sintomas tipicamente melhoram quando a icterícia aparece. Crianças <6 anos: 70% são anictéricas.
- Convalescença (semanas a meses): Resolução gradual. Recuperação completa da função hepática em 2–6 meses.
Apresentação dependente da idade:
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Crianças <6 anos: majoritariamente assintomáticas (70%), mas altamente infecciosas.
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Adultos: sintomáticos em >70%, com icterícia em 40–70%.
Infectividade: Máxima durante as 2 semanas antes do início da icterícia. Excreção fecal do vírus: 1–3 semanas antes a 1 semana após a icterícia.
Diagnóstico
Como esta doença é identificada
Diagnóstico clínico: Suspeitar em paciente com icterícia aguda, especialmente com história de exposição a alimentos/água contaminados, viagem a área endêmica, ou contato com caso confirmado. Diagnóstico diferencial: hepatites B, C e E
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leptospirose
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mononucleose infecciosa
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hepatite medicamentosa
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colecistite
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obstrução biliar.
Confirmação laboratorial (obrigatória no Brasil):
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IgM anti-HAV (padrão-ouro): Positiva do início dos sintomas até 3–6 meses. Confirma infecção aguda. Sensibilidade e especificidade >99%.
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IgG anti-HAV: Indica infecção prévia ou vacinação (imunidade). Permanece positiva por toda a vida.
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Provas de função hepática:
- ALT/AST: elevadas, frequentemente >1.000 UI/L na fase aguda (ALT geralmente > AST — diferencial com hepatite alcoólica)
- Bilirrubinas: total elevada (predominantemente direta na fase ictérica)
- Fosfatase alcalina e GGT: elevadas na forma colestática
- Tempo de protrombina/INR: normal na maioria
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INR prolongado sugere hepatite grave
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Hemograma: Leucopenia com linfocitose relativa em ~50% dos casos
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RT-PCR para HAV-RNA: Detecta vírus nas fezes e sangue
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raramente necessária para diagnóstico clínico
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útil em investigação de surtos para genotipagem
Notificação no Brasil: Doença de notificação compulsória semanal ao SINAN. Confirmação: caso com IgM anti-HAV reagente.
Tratamento
Métodos de tratamento disponíveis
Tratamento — suporte (não há antiviral específico; doença autolimitada):
Medidas gerais:
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Repouso relativo conforme sintomas — NÃO há necessidade de repouso absoluto
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Hidratação adequada oral (preferir líquidos não gasosos, água de coco, isotônicos)
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Dieta conforme tolerância — NÃO há restrição dietética específica comprovada; evitar gorduras em excesso apenas se causar náusea
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Afastamento de atividades laborais/escolares na fase de transmissibilidade (até 1 semana após icterícia)
Evitar hepatotóxicos (FUNDAMENTAL):
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Álcool: Abstinência absoluta por 6 meses após resolução (fígado em regeneração)
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Paracetamol: Reduzir dose (<2 g/dia) ou evitar — metabolismo hepático comprometido
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Evitar medicamentos não essenciais metabolizados pelo fígado
Manejo sintomático:
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Náusea/vômitos: ondansetrona (antiemético seguro)
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Prurido intenso (forma colestática): colestiramina 4–8 g/dia, anti-histamínicos (hidroxizina, dexclorfeniramina)
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Febre: dipirona (preferível ao paracetamol na vigência de hepatite)
Critérios de internação hospitalar:
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Vômitos persistentes impedindo hidratação oral
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Sinais de hepatite grave: INR >1,5, encefalopatia, hipoglicemia
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Desidratação moderada a grave
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Doença hepática crônica preexistente
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Imunossupressão
Hepatite fulminante:
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Insuficiência hepática aguda com encefalopatia e INR >1,5 — mortalidade de 50–70% sem transplante
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Transferência imediata para centro com programa de transplante hepático
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Suporte em UTI: controle de edema cerebral, correção de coagulopatia, manejo de encefalopatia (lactulose, rifaximina)
A maioria dos casos é tratada com eficácia quando diagnosticada precocemente.
Detalhes de prevenção
Como se proteger
Vacinação — a medida mais eficaz e duradoura:
A vacina contra hepatite A é inativada (vírus inteiro purificado), com eficácia >95% após dose única e ~100% após esquema completo.
Calendário PNI (SUS — gratuito):
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15 meses: Dose única de vacina hepatite A (PNI desde 2014)
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Nota: O PNI oferece apenas 1 dose; a 2ª dose (6–12 meses após) é recomendada na rede privada para proteção de longa duração (provavelmente vitalícia com 2 doses)
Vacinas disponíveis:
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Monovalente: Havrix (GSK), Vaqta (Merck), Avaxim (Sanofi) — 2 doses (0, 6–12 meses)
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Combinada Hep A+B: Twinrix (GSK) — 3 doses (0, 1, 6 meses) ou esquema acelerado (0, 7, 21 dias + booster 12 meses)
Viajantes — prioridade vacinal:
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Vacinar TODOS os viajantes para áreas endêmicas de hepatite A, independente do destino
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A 1ª dose confere proteção em 2–4 semanas (suficiente para a maioria das viagens)
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Viajantes de última hora: vacinar mesmo no dia da partida — a proteção é tão rápida que a imunoglobulina não é mais considerada necessária para a maioria
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Mesmo hotéis de luxo NÃO protegem — surtos de HAV documentados em estabelecimentos 4–5 estrelas
Profilaxia pós-exposição (PEP):
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Vacina dentro de 2 semanas da exposição: eficaz em pessoas saudáveis de 1–40 anos
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Imunoglobulina humana (IG): 0,1 mL/kg IM — para contactantes >40 anos, imunossuprimidos, doença hepática crônica, ou quando não é possível vacinar
Medidas de higiene alimentar e hídrica:
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Lavar as mãos com água e sabão após usar o banheiro e antes de manipular alimentos
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Consumir água tratada, filtrada ou fervida
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Evitar alimentos crus (saladas, frutas não descascáveis, frutos do mar crus) em áreas endêmicas
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Regra do viajante: "cozinhe, ferva, descasque ou esqueça"
A preparação é a melhor proteção.
Conselhos de viagem
Risco para viajantes — ALTO em destinos endêmicos:
A hepatite A é a infecção prevenível por vacina #1 adquirida por viajantes. O risco existe em TODOS os destinos fora da Europa Ocidental, América do Norte, Japão e Oceania.
Antes da viagem:
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Vacinação é a recomendação mais importante. Mesmo para viagens de última hora, vacinar no dia da partida oferece proteção significativa.
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Verificar sorologia (IgG anti-HAV) antes de vacinar só é custo-efetivo em adultos >40 anos nascidos em áreas endêmicas (provável imunidade natural)
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Considerar Twinrix (hep A+B combinada) — protege contra ambas com esquema acelerado (0, 7, 21 dias + 12 meses)
Destinos de alto risco:
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Toda a África, toda a Ásia (incluindo destinos turísticos populares: Índia, Tailândia, Indonésia, Egito, Marrocos)
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América Central e do Sul (incluindo México, Peru, Brasil-interior)
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Oriente Médio
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Cruzeiros com escalas em portos de áreas endêmicas
Precauções alimentares durante a viagem (complementam, NÃO substituem a vacina):
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"Cozinhe, ferva, descasque ou esqueça" — regra de ouro
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Evitar: saladas cruas, frutas que não possam ser descascadas pelo próprio viajante, frutos do mar crus (especialmente ostras e mexilhões), gelo de procedência desconhecida, sucos frescos de vendedores ambulantes
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Beber apenas água engarrafada (verificar lacre), filtrada ou fervida
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Cuidado com hotéis e restaurantes aparentemente "seguros" — surtos documentados em estabelecimentos de alto padrão
Ao retornar ao Brasil: Se desenvolver icterícia, colúria ou sintomas compatíveis em até 50 dias após viagem, procure atendimento médico e informe histórico de viagem.
Quão comum é?
Estatísticas e dados geográficos
Carga global (OMS 2024): A OMS estima ~159 milhões de infecções por HAV e ~39.000 mortes em 2019 (últimos dados completos). A hepatite A é a principal causa de hepatite viral aguda mundialmente.
Classificação de endemicidade:
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Alta: África, partes da Ásia, América Central — infecção quase universal na infância (maioria assintomática); seroprevalência >90% até os 10 anos
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Intermediária: Brasil (heterogêneo), Europa Oriental, partes do Oriente Médio, Sudeste Asiático — transição epidemiológica (paradoxo do saneamento)
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Baixa: Europa Ocidental, América do Norte, Japão, Austrália — surtos pontuais, adultos amplamente suscetíveis
Paradoxo da transição epidemiológica: Melhoria do saneamento SEM vacinação universal = menos exposição na infância (quando a doença é leve/assintomática) + acúmulo de adultos suscetíveis (quando a doença é grave). Este fenômeno explica surtos em adultos em países de renda média.
Situação no Brasil: O Brasil apresenta distribuição heterogênea:
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Norte e Nordeste: Alta endemicidade — a maioria adquire imunidade natural na infância
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Sul, Sudeste, Centro-Oeste: Endemicidade intermediária a baixa — bolsões significativos de adultos suscetíveis
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Incidência notificada (SINAN 2022): ~7.000 casos/ano
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A introdução da vacina no PNI (2014) está mudando o perfil epidemiológico, com redução significativa da incidência em <5 anos
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Surtos recentes: Associados a alimentos contaminados e transmissão entre HSH (São Paulo 2017)
Hepatite A em viajantes: A hepatite A é a infecção prevenível por vacina MAIS FREQUENTE em viajantes para países em desenvolvimento. Risco estimado: 3–5/1.000 viajantes/mês em destinos de alta endemicidade (sem profilaxia).
Fatores de risco
Quem tem mais risco
Viagem a áreas endêmicas, consumo de alimentos ou água contaminados, práticas de higiene inadequadas.
Detalhes das complicações
Complicações potenciais
Complicações (raras — a hepatite A é geralmente benigna):
Formas clínicas incomuns:
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Hepatite colestática prolongada: Icterícia persistente por >3 meses com prurido intenso. Ocorre em ~5% dos adultos. Bilirrubinas podem permanecer elevadas por 6 meses. Prognóstico excelente — recuperação completa.
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Hepatite recidivante (bifásica): 3–20% dos casos. Após melhora clínica e laboratorial inicial (2–6 semanas), recorrência de sintomas, icterícia e elevação de transaminases. Pode haver múltiplas recidivas. Recuperação completa é a regra.
Complicações graves:
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Hepatite fulminante (insuficiência hepática aguda): A complicação mais temida. Incidência: ~0,015–0,5% dos casos ictéricos em adultos. Mais frequente em:
- Pacientes >50 anos: risco 5–10× maior
- Doença hepática crônica preexistente (hepatite B/C crônica, cirrose alcoólica): risco extremamente elevado — indicação absoluta de vacinação
- Mortalidade da hepatite fulminante: 50–70% sem transplante hepático; ~30% com transplante
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Insuficiência renal aguda: Rara; geralmente associada à hepatite fulminante (síndrome hepatorrenal)
Manifestações extra-hepáticas (raras):
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Artrite reativa: 5–10% (mais comum em mulheres)
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Vasculite crioglobulinêmica
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Pancreatite aguda
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Mielite transversa, síndrome de Guillain-Barré — excepcionalmente raras
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Anemia aplástica: raríssima
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Erupção cutânea, urticária
O que a hepatite A NÃO causa:
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Hepatite crônica (NUNCA cronifica — diferentemente de B e C)
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Cirrose
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Carcinoma hepatocelular
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Estado de portador crônico
Mortalidade:
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Global: ~0,3% (OMS estima ~39.000 mortes/ano em 2019)
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<5 anos: mortalidade quase nula
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15–39 anos: 0,2%
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≥50 anos: 1,8–2,1%
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Com doença hepática crônica: 3–5%
Recuperação e perspetivas
Resultados esperados e recuperação
Prognóstico geral: Excelente. Sem infecção crônica. Recuperação completa em >99% dos casos.
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TL: geral <0,1% em crianças, 0,3% em adultos <40 anos, aumentando para 1,8% em adultos ≥50 anos.
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Hepatite fulminante: rara (<0,5%), mais comum em pacientes com doença hepática preexistente (HBV ou HCV crônicos).
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Hepatite recidivante: 3–20% dos casos apresentam recidiva 1–4 meses após a aparente recuperação (autolimitada).
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Hepatite colestática: icterícia prolongada (>3 meses) em <5% — resolve sem sequelas.
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Sem estado de portador. Imunidade vitalícia após infecção natural.
