Visão geral
Infecção viral do sistema nervoso central transmitida por mosquitos Culex, principal causa de encefalite viral prevenível por vacina na Ásia.
Sintomas
Sintomas | Frequência | Gravidade | Início |
|---|---|---|---|
| Cefaleia | 90% | Moderado | Fase inicial |
| Calafrios | 45% | Leve | Fase inicial |
| Perda de apetite | 60% | Leve | Fase inicial |
| Mal-estar | 75% | Leve | Fase inicial |
| Náusea | 60% | Leve | Fase inicial |
| Vômitos | 55% | Moderado | Fase inicial |
| Dor abdominal | 25% | Leve | Fase inicial |
| Dor nas costas | 20% | Leve | Fase inicial |
| Diarreia | 20% | Leve | Fase inicial |
| Tontura | 35% | Leve | Fase inicial |
| Mialgia | 50% | Leve | Fase inicial |
| Alteração da consciência | 75% | Crítico | Fase aguda |
| Confusão mental | 65% | Grave | Fase aguda |
| Febre alta | 80% | Grave | Fase aguda |
| Rigidez de nuca | 70% | Moderado | Fase aguda |
| Fotofobia | 50% | Leve | Fase aguda |
| Convulsões | 65% | Crítico | Fase aguda |
| Tremor | 40% | Moderado | Fase aguda |
| Irritabilidade | 55% | Moderado | Fase aguda |
| Paralisia | 30% | Grave | Fase aguda |
| Febre | 95% | Grave | Qualquer fase |
| Fadiga | 70% | Leve | Qualquer fase |
Transmissão
Visão geral
Infecção viral do cérebro transmitida por mosquitos Culex.
Visão geral
A encefalite japonesa (EJ) é causada pelo vírus da encefalite japonesa (JEV, família Flaviviridae), transmitido por mosquitos do gênero Culex (principalmente C. tritaeniorhynchus), que se reproduzem em arrozais alagados e áreas úmidas rurais. O ciclo enzoótico envolve aves aquáticas (reservatório) e suínos (hospedeiro amplificador — viremia alta); os humanos são hospedeiros acidentais (beco sem saída — viremia insuficiente para manter o ciclo).
A EJ é a principal causa de encefalite viral prevenível por vacina na Ásia e no Pacífico Ocidental, causando ~68.000 casos clínicos e ~13.600–20.400 mortes anuais (WHO). Cerca de 99% das infecções são assintomáticas ou causam doença leve. No entanto, quando a encefalite se desenvolve, a mortalidade é de 20–30% e 30–50% dos sobreviventes apresentam sequelas neuropsiquiátricas permanentes.
A EJ é endêmica em >24 países do Leste e Sudeste Asiático e Pacífico Ocidental, desde o Japão e Coreia ao norte até a Austrália (norte de Queensland — detecção em 2022) ao sul, e da Índia a leste. O risco para viajantes é geralmente baixo para viagens urbanas curtas, mas aumenta significativamente em viagens prolongadas a áreas rurais durante a estação de transmissão (monções).
A EJ NÃO ocorre no Brasil e não é endêmica nas Américas. A vacina está disponível nos CRIEs para viajantes.
Sinais de emergência
Procure atendimento médico de emergência imediatamente se, durante ou após viagem à Ásia:
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Febre alta com cefaleia intensa que piora progressivamente
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Alteração da consciência: confusão, sonolência excessiva, desorientação
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Convulsões — especialmente em crianças
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Rigidez de nuca com fotofobia e vômitos
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Tremor, rigidez muscular ou movimentos anormais (sinais parkinsonianos)
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Fraqueza muscular súbita em membros (paralisia flácida)
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Alteração do comportamento: agitação, agressividade, apatia inexplicadas
A encefalite japonesa pode progredir rapidamente para coma. O tratamento precoce de suporte em UTI melhora significativamente a sobrevida.
Informe ao médico: viagem recente à Ásia, estadia em áreas rurais, exposição a mosquitos à noite.
Sintomas detalhados
Sinais e sintomas mais comuns
Período de incubação: 5–15 dias (geralmente 6–8 dias)
Infecção assintomática (>99%): A grande maioria das infecções é assintomática. Estima-se que apenas 1 em cada 250–500 infecções resulte em doença clínica.
Doença febril inespecífica:
- Febre, cefaleia, mal-estar — autolimitada em dias
Encefalite japonesa (forma grave — <1% das infecções): A encefalite pode se instalar subitamente ou progredir de doença febril:
Fase prodômica (2–3 dias):
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Febre alta (39–40°C), cefaleia intensa
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Náusea, vômitos, dor abdominal
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Fotofobia
Fase encefalítica (sinais neurológicos):
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Alteração do nível de consciência: Progressiva — de confusão leve a estupor e coma
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Convulsões: Em 50–85% das crianças e 10–20% dos adultos — frequentemente tônico-clônicas generalizadas
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Sinais parkinsonianos: Tremor de repouso, rigidez, bradicinesia, face em máscara — altamente característicos da EJ (distinguem de outras encefalites virais)
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Paralisia flácida aguda: Em 5–10% dos casos — envolvimento de neurônios motores do corno anterior (polio-like)
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Rigidez de nuca e sinais meníngeos
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Paralisia de nervos cranianos: Especialmente III, VI e VII
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Disfunção autonômica: Taquicardia, hipertensão, sudorese
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Movimentos involuntários: Mioclonias, coreia, distonias
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Psicose aguda, agitação
Evolução: A febre geralmente cede em 5–7 dias. A recuperação neurológica, quando ocorre, é lenta (semanas a meses). A mortalidade é de 20–30%. Sequelas permanentes em 30–50% dos sobreviventes.
Conhecer os sintomas é o primeiro passo para uma resposta rápida.
Curso da doença
Curso típico da doença (forma encefalítica):
- Período de incubação: 5–15 dias.
- Fase prodrômica (1–6 dias): Febre, cefaleia, mal-estar, náusea, vômitos.
- Fase encefalítica (3–14 dias): Alteração do nível de consciência, convulsões (especialmente em crianças), distúrbios do movimento (tremor, parkinsonismo), déficits neurológicos focais, rigidez de nuca.
- Resolução da fase aguda: A febre cede em 1–2 semanas. Déficits neurológicos podem persistir.
- Convalescença (semanas a meses): Recuperação neurológica lenta. Muitos sobreviventes apresentam sequelas permanentes.
Espectro: A infecção varia de viremia assintomática (mais comum) a doença febril leve, meningite asséptica ou encefalite completa. A encefalite se desenvolve em <1% das infecções, mas apresenta consequências devastadoras.
Diagnóstico
Como esta doença é identificada
Diagnóstico clínico: Suspeitar em paciente com encefalite (febre + alteração da consciência + sinais neurológicos focais) com histórico de viagem a área endêmica durante a estação de transmissão. Os sinais parkinsonianos e as convulsões em crianças são altamente sugestivos. Diagnóstico diferencial: malária cerebral, meningite bacteriana, outras encefalites virais (herpes, enterovírus, dengue), tuberculose do SNC.
Confirmação laboratorial:
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IgM anti-JEV no LCR: Padrão-ouro. Confirma infecção do SNC (IgM sérica pode indicar vacinação prévia ou reatividade cruzada com outros flavivírus).
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IgM anti-JEV no soro: Positiva a partir do 4º–7º dia. ATENÇÃO: reatividade cruzada com dengue, Zika, febre amarela, TBE e vacinas contra flavivírus.
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RT-PCR: Do LCR — sensibilidade baixa (viremia curta); positiva em <20% dos casos.
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LCR: Pleocitose linfocitária (10–500 células/mm³), proteínas elevadas, glicose normal.
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Neutralização por redução de placas (PRNT): Confirma especificidade — diferencia JEV de outros flavivírus. Resultado demorado.
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Ressonância magnética (RM): Alterações no tálamo bilateral (sinal altamente sugestivo de EJ), gânglios da base, mesencéfalo, hipocampo.
Tratamento
Métodos de tratamento disponíveis
Tratamento — exclusivamente de suporte (não há antiviral específico):
Cuidados intensivos neurológicos:
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Internação em UTI para casos com alteração da consciência ou convulsões
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Controle de convulsões: diazepam IV (agudo), fenitoína ou levetiracetam (manutenção)
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Controle de edema cerebral: manitol 20% IV, elevação da cabeceira, hiperventilação controlada
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Monitoramento neurológico contínuo (Glasgow, pupilas, reflexos)
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Proteção de vias aéreas: intubação se GCS <8
Suporte geral:
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Antitérmicos (paracetamol)
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Hidratação e equilíbrio eletrolítico
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Nutrição (sonda nasogástrica se disfagia)
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Profilaxia de TVP e úlceras de estresse
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Fisioterapia precoce para minimizar sequelas
Sequelas neuropsiquiátricas (reabilitação):
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Déficits motores (paresia, paralisia), convulsões recorrentes (epilepsia)
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Déficits cognitivos (especialmente em crianças)
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Distúrbios comportamentais e psiquiátricos
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Reabilitação multidisciplinar: fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, neuropsicologia
Prognóstico:
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Mortalidade: 20–30%
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Sequelas permanentes: 30–50% dos sobreviventes
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Recuperação completa: ~30% dos sobreviventes
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Fatores de pior prognóstico: crianças <10 anos, coma profundo, convulsões prolongadas, alta carga viral no LCR
A maioria dos casos é tratada com eficácia quando diagnosticada precocemente.
Detalhes de prevenção
Como se proteger
Vacinação — a medida mais eficaz:
Vacinas disponíveis:
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Ixiaro (Valneva): Inativada (célula Vero, cepa SA 14-14-2). 2 doses IM com intervalo de 28 dias. Booster ≥12 meses após série primária. Idade: ≥2 meses. Seroconversão >96%. A ÚNICA vacina licenciada para viajantes em países ocidentais.
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SA 14-14-2 (CDIBP): Viva atenuada, dose única. Amplamente usada na Ásia (EPI). Não disponível no Ocidente.
Recomendações para viajantes (CDC/WHO):
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Indicada para: Viajantes que permanecerão >1 mês em áreas endêmicas durante a estação de transmissão; viajantes para áreas rurais com arrozais/irrigação; viajantes recorrentes a áreas endêmicas.
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Considerar para: Viajantes com estadias curtas mas com atividades ao ar livre em áreas rurais durante a estação de transmissão.
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Geralmente não indicada para: Viajantes urbanos em estadias curtas (<1 mês), especialmente fora da estação de transmissão.
Disponibilidade no Brasil: A vacina contra EJ NÃO faz parte do PNI. Está disponível nos CRIEs para viajantes e em clínicas privadas de vacinação.
Proteção contra picadas de mosquito:
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Culex pica predominantemente à noite (diferente do Aedes diurno)
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Mosquiteiros impregnados com permetrina
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Repelente DEET à noite em áreas rurais
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Roupas de mangas longas ao anoitecer
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Evitar atividades noturnas próximas a arrozais e áreas alagadas
A preparação é a melhor proteção.
Conselhos de viagem
Risco para viajantes: O risco de EJ é baixo para viajantes urbanos em estadias curtas, mas pode ser significativo para viajantes a áreas rurais com arrozais durante a estação de monções.
Destinos de risco e estação de transmissão:
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Índia: Transmissão durante monções (junho–outubro), especialmente em estados do norte e nordeste (Uttar Pradesh, Assam, Bihar)
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Sudeste Asiático: Transmissão ao longo do ano, com pico nas chuvas
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China/Coreia/Japão: Maio–outubro
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Bali/Indonésia: Risco durante todo o ano (equatorial)
Vacinação — recomendada para:
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Estadias >1 mês em áreas endêmicas durante estação de transmissão
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Viajantes para áreas rurais com arrozais ou criação de suínos
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Viajantes recorrentes à Ásia
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Esquema: Ixiaro — 2 doses IM com intervalo de 28 dias (iniciar ≥6 semanas antes da viagem)
Proteção contra mosquitos (Culex — atividade NOTURNA):
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Mosquiteiros impregnados com permetrina — a medida mais eficaz
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Repelente DEET ao anoitecer
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Evitar áreas rurais com arrozais e suínos ao anoitecer e à noite
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Acomodações com telas nas janelas ou ar-condicionado
A EJ NÃO ocorre no Brasil — a vacina é exclusivamente para viajantes a áreas endêmicas da Ásia e Pacífico.
Quão comum é?
Estatísticas e dados geográficos
Carga global (OMS 2024):
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~68.000 casos clínicos/ano (subnotificação significativa)
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~13.600–20.400 mortes/ano (mortalidade 20–30%)
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24 países endêmicos na Ásia e Pacífico Ocidental
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~3 bilhões de pessoas vivem em áreas de risco
Distribuição geográfica:
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Leste Asiático: China (maior número absoluto de casos, apesar de vacinação), Japão (rara — vacinação universal), Coreia do Sul, Taiwan
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Sudeste Asiático: Vietnã, Camboja, Laos, Mianmar, Tailândia, Malásia, Indonésia, Filipinas
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Sul da Ásia: Índia (maior incidência — estados de Assam, UP, Bihar), Nepal, Bangladesh, Sri Lanka
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Pacífico: Papua Nova Guiné, norte da Austrália (Queensland — primeiros casos humanos em 2022)
Sazonalidade: Pico durante monções (maio–outubro em climas temperados); transmissão contínua em regiões tropicais equatoriais.
Risco para viajantes: Baixo (~1 caso por milhão de viajantes da Ásia), mas consequências graves. A maioria dos casos em viajantes ocorre em visitantes a áreas rurais por períodos prolongados.
Sucesso da vacinação: China reduziu a incidência de >20.000 casos/ano (1970s) para <200/ano com vacinação universal. Japão: <10 casos/ano.
Fatores de risco
Quem tem mais risco
Viagem a áreas endêmicas na Ásia e Pacífico Ocidental durante a estação de transmissão, ambientes rurais e agrícolas próximos a arrozais e criações de suínos, exposição prolongada ao ar livre durante as horas noturnas, falta de vacinação, crianças menores de 10 anos.
Detalhes das complicações
Complicações potenciais
Complicações — predominantemente neurológicas:
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Sequelas cognitivas e comportamentais: 30–50% dos sobreviventes. Déficits de memória, atenção, aprendizado. Alterações comportamentais (agressividade, apatia). Retardo no desenvolvimento neuropsicomotor em crianças.
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Epilepsia: 10–20% dos sobreviventes desenvolvem epilepsia crônica.
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Paralisia flácida residual: 5–10% — semelhante à sequela de poliomielite. Membros superiores frequentemente mais afetados que na pólio.
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Síndrome parkinsoniana: Rigidez, tremor, bradicinesia — pode persistir cronicamente.
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Surdez e cegueira: Raro, mas documentado.
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Pneumonia aspirativa: Frequente em pacientes com disfagia e alteração da consciência.
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Síndrome de secreção inapropriada de ADH (SIADH): Hiponatremia — monitorar eletrólitos.
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Edema cerebral: Pode ser fatal. Herniação transtentorial em casos graves.
Mortalidade: 20–30% (até 60% em crianças <5 anos em áreas sem UTI).
Impacto socioeconômico: A EJ é particularmente devastadora porque afeta predominantemente crianças em áreas rurais pobres — os sobreviventes com sequelas requerem cuidados ao longo da vida, gerando grande ônus familiar e econômico.
Recuperação e perspetivas
Resultados esperados e recuperação
Geral: A maioria das infecções por JEV (>99%) é assintomática. Dos que desenvolvem encefalite:
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TL: 20–30%.
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Sequelas neurológicas permanentes em 30–50% dos sobreviventes (comprometimento cognitivo, déficits motores, epilepsia, sintomas psiquiátricos).
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Crianças <10 anos são desproporcionalmente afetadas e apresentam piores desfechos.
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Não existe tratamento antiviral específico — o manejo é de suporte.
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A recuperação completa ocorre em apenas 20–30% dos casos de encefalite.
