Visão geral
Febre hemorrágica viral grave pelo vírus Ébola. Vacina Ervebo disponível.
Sintomas
Sintomas | Frequência | Gravidade | Início |
|---|---|---|---|
| Fadiga | 76% | Ligeiro | Fase inicial |
| Febre | 87% | Moderado | Fase inicial |
| Arrepios | 40% | Ligeiro | Fase inicial |
| Cefaleia | 53% | Ligeiro | Fase inicial |
| Perda de apetite | 65% | Ligeiro | Fase inicial |
| Mal-estar | 70% | Ligeiro | Fase inicial |
| Mialgia | 49% | Ligeiro | Fase inicial |
| Dor de garganta | 44% | Ligeiro | Fase inicial |
| Artralgia | 39% | Ligeiro | Fase inicial |
| Diarreia | 66% | Moderado | Fase aguda |
| Vómitos | 68% | Moderado | Fase aguda |
| Dor abdominal | 44% | Ligeiro | Fase aguda |
| Conjuntivite | 30% | Ligeiro | Fase aguda |
| Náuseas | 55% | Ligeiro | Fase aguda |
| Erupção cutânea | 25% | Ligeiro | Fase aguda |
| Taquicardia | 30% | Moderado | Fase aguda |
| Hemorragia gengival | 12% | Moderado | Fase tardia |
| Sangue nas fezes | 6% | Grave | Fase tardia |
| Hemorragia | 18% | Crítico | Fase tardia |
| Soluços | 15% | Ligeiro | Fase tardia |
| Hipotensão | 15% | Grave | Fase tardia |
| Petéquias | 15% | Moderado | Fase tardia |
| Choque | 20% | Crítico | Fase tardia |
| Confusão mental | 15% | Grave | Fase tardia |
Transmissão
Visão geral
A doença por vírus Ébola (DVE) é uma febre hemorrágica viral grave causada pelo vírus Ébola (género Ebolavirus, família Filoviridae). Seis espécies identificadas, sendo a Zaire ebolavirus a mais letal (TL 25–90%). Transmissão por contacto direto com sangue e fluidos corporais de doentes ou animais infetados (morcegos frugívoros, primatas). Surtos recorrentes na África Central e Ocidental, incluindo o maior surto da história na África Ocidental (2014–2016, >28 000 casos).
Visão geral
Causada por Ebolavirus (Filoviridae). CFR ~50%. Endémica em África Central/Ocidental. Vacina Ervebo disponível. NÃO ocorre em Portugal. Risco para viajantes: extremamente baixo. DDO IMEDIATA.
Sinais de emergência
Febre + hemorragia + viagem a África → EMERGÊNCIA. Isolamento. EPIs. DDO IMEDIATA. 112 (INEM).
Sintomas detalhados
Sinais e sintomas mais comuns
Febre, fadiga, mialgias → vómitos, diarreia → hemorragias, falência múltipla.
Conhecer os sintomas é o primeiro passo para uma resposta rápida.
Curso da doença
Curso típico da doença:
- Período de incubação: 2–21 dias (média 8–10 dias).
- Início (dias 1–3): Febre súbita, cefaleia intensa, mialgias, fadiga, odinofagia.
- Fase gastrointestinal (dias 3–7): Diarreia aquosa profusa, vómitos (frequentemente >5L/dia de perda hídrica), dor abdominal. Perdas maciças de líquidos e eletrólitos.
- Pico da doença (dias 7–12): Disfunção multiorgânica. Manifestações hemorrágicas em 30–50% (hemorragia mucosa, petéquias, equimoses, hematémese). Acidose metabólica, insuficiência renal, insuficiência hepática. CID.
- Recuperação ou morte (dias 10–14): Casos fatais: morte tipicamente por choque hipovolémico e falência multiorgânica. Sobreviventes: a febre cede por volta do dia 10, melhoria gradual ao longo de semanas.
Infeciosidade: Não infeccioso durante a incubação. A infeciosidade aumenta com a progressão da doença. Os fluidos corporais de doentes falecidos são altamente infecciosos.
Diagnóstico
Como esta doença é identificada
RT-PCR sangue, ELISA. BSL-4. Notificação imediata.
Tratamento
Métodos de tratamento disponíveis
Suporte intensivo: hidratação IV. Inmazeb/Ebanga (anticorpos monoclonais). Ervebo (vacina em anel).
A maioria dos casos é tratada eficazmente com um diagnóstico precoce.
Detalhes de prevenção
Como se proteger
Vacina Ervebo (rVSV-ZEBOV). Evitar contacto com sangue/fluidos. Evitar bushmeat. EPIs completos.
A preparação é a melhor proteção.
Conselhos de viagem
Evitar viagem a áreas com surtos ativos (consultar OMS). Se viagem essencial: vacinar com Ervebo.
Quão comum é?
Estatísticas e dados geográficos
Surtos recorrentes África. 2014–2016: >28.000 casos.
Fatores de risco
Quem tem mais risco
Contacto direto com fluidos corporais de doentes/cadáveres (profissionais de saúde sem EPI, prestadores de cuidados domiciliários, participantes em rituais funerários), contacto com animais selvagens/carne de caça em zonas endémicas, viagem a zona com surto ativo, permanência em instalações de saúde inadequadas.
Detalhes das complicações
Complicações potenciais
Mortalidade 25–90%, falência múltipla, vírus persiste no sémen 12 meses.
Recuperação e perspetivas
Resultados esperados e recuperação
Doença por vírus Ébola (Zaire ebolavirus):
-
TL média: 50% (intervalo 25–90% dependendo do surto e da disponibilidade de cuidados de saúde).
-
Com cuidados de suporte (fluidos IV, gestão de eletrólitos): TL 30–40%.
-
Com cuidados avançados (UCI, terapêutica de substituição renal): TL <20% em surtos recentes.
-
Tratamento com anticorpos monoclonais (mAb114/Inmazeb, REGN-EB3): TL reduzida para 6–11% no ensaio PALM.
Marcadores prognósticos: Carga viral elevada (>10⁸ cópias/mL), creatinina elevada, AST >1.000, idade >40, manifestações hemorrágicas predizem mau resultado.
Recuperação: Os sobreviventes podem apresentar síndrome pós-Ébola (dor articular, fadiga, cefaleias, problemas visuais/auditivos) durante meses a anos. O vírus pode persistir em locais imunologicamente privilegiados (olho, testículos, SNC).
