Visão geral
Febre hemorrágica viral por mosquitos. Vacina exigida sob RSI 2005.
Sintomas
Sintomas | Frequência | Gravidade | Início |
|---|---|---|---|
| Dor nas costas | 75% | Moderado | Fase inicial |
| Bradicardia | 35% | Ligeiro | Fase inicial |
| Arrepios | 85% | Ligeiro | Fase inicial |
| Febre | 95% | Moderado | Fase inicial |
| Cefaleia | 90% | Moderado | Fase inicial |
| Mialgia | 80% | Moderado | Fase inicial |
| Conjuntivite | 35% | Ligeiro | Fase inicial |
| Tonturas | 40% | Ligeiro | Fase inicial |
| Fadiga | 65% | Ligeiro | Fase inicial |
| Perda de apetite | 50% | Ligeiro | Fase inicial |
| Náuseas | 70% | Ligeiro | Fase inicial |
| Vómitos | 55% | Ligeiro | Fase inicial |
| Dor abdominal | 14% | Grave | Fase aguda |
| Hemorragia gengival | 11% | Grave | Fase aguda |
| Hemorragia | 10% | Crítico | Fase aguda |
| Febre alta | 12% | Crítico | Fase aguda |
| Icterícia | 17% | Grave | Fase aguda |
| Petéquias | 9% | Grave | Fase aguda |
| Confusão mental | 5% | Crítico | Fase aguda |
| Urina escura | 8% | Grave | Fase aguda |
| Desidratação | 6% | Moderado | Fase aguda |
| Hipotensão | 4% | Crítico | Fase aguda |
| Oligúria | 7% | Grave | Fase aguda |
| Convulsões | 3% | Crítico | Fase aguda |
| Choque | 4% | Crítico | Fase aguda |
Transmissão
Visão geral
A febre amarela é uma doença viral hemorrágica aguda causada pelo vírus da febre amarela (VFA), da família Flaviviridae. A transmissão ocorre pela picada de mosquitos Aedes e Haemagogus infetados. Três ciclos de transmissão: silvático, intermédio (savana) e urbano (Aedes aegypti). Endémica nas regiões tropicais de África e América do Sul. Sujeita ao Regulamento Sanitário Internacional (RSI) — pode ser exigido Certificado Internacional de Vacinação.
Visão geral
A febre amarela é causada pelo YFV (Flaviviridae), transmitida por mosquitos Haemagogus/Sabethes (ciclo silvestre) e Aedes aegypti (ciclo urbano). Única doença com vacina LEGALMENTE EXIGIDA para viagem internacional (IHR 2005). CIVP obrigatório para ~40 países. NÃO existe em Portugal nem na Europa. Endémica na África Subsaariana e América do Sul tropical. Letalidade das formas graves: 20–60%. Vacina 17D (dose única, proteção vitalícia) disponível na consulta do viajante. DDO IMEDIATA ao SINAVE.
Sinais de emergência
Febre + icterícia após viagem a área endémica. Hemorragia (hematémese, epistaxe, equimoses). Diminuição de urina. Confusão. Piora após melhoria aparente. 112 (INEM). DDO IMEDIATA.
Sintomas detalhados
Sinais e sintomas mais comuns
Incubação 3–6 dias. Maioria assintomática. Evolução bifásica: 1) Fase de infeção: febre alta abrupta, mialgia, cefaleias, bradicardia relativa (Faget). 2) Período de remissão (melhoria aparente). 3) Fase de intoxicação: icterícia intensa, hemorragias ("vómito negro" — hematémese), IRA, insuficiência hepática, choque.
Conhecer os sintomas é o primeiro passo para uma resposta rápida.
Curso da doença
Curso típico da doença:
- Período de incubação: 3–6 dias.
- Período de infeção (3–4 dias): Início súbito de febre (39–40°C), cefaleia, mialgias, dorsalgia, náuseas, vómitos. Sinal de Faget (bradicardia relativa apesar da febre). Viremia presente — os mosquitos podem ficar infetados.
- Período de remissão (24–48 horas): A febre e os sintomas atenuam-se temporariamente. A maioria dos doentes recupera nesta fase.
- Período de intoxicação ("fase tóxica", 15% dos casos): Retorno da febre com icterícia (insuficiência hepática), manifestações hemorrágicas (hematémese — "vómito negro", hemorragia mucosa), insuficiência renal (oligúria, creatinina crescente), coagulação intravascular disseminada (CID).
- Resolução ou morte (7–10 dias após o início): A morte ocorre habitualmente 7–10 dias após o início, tipicamente por falência multiorgânica. Os sobreviventes recuperam gradualmente ao longo de 2–4 semanas.
Diagnóstico
Como esta doença é identificada
RT-PCR (dias 1–5, padrão-ouro). IgM (≥5.º dia — reatividade cruzada com dengue/Zika). PRNT confirmatório. ALT/AST, bilirrubinas, INR. DDO IMEDIATA.
Tratamento
Métodos de tratamento disponíveis
NÃO há antiviral. Suporte intensivo: correção de coagulopatia, hemodiálise, suporte hemodinâmico, VM. PROIBIDO AAS. Formas graves: mortalidade 20–60% mesmo com UCI.
A maioria dos casos é tratada eficazmente com um diagnóstico precoce.
Detalhes de prevenção
Como se proteger
Vacina 17D (viva atenuada): dose única, proteção vitalícia (OMS 2016). CIVP válido 10 dias após vacinação, validade vitalícia. Disponível na consulta do viajante (DGS, IHMT, centros autorizados). Contraindicações: imunossupressão grave, gravidez (exceto surto), <6 meses, alergia ao ovo, timectomia, >60 anos primovacinação (avaliar risco-benefício). Proteção contra mosquitos (complementar).
A preparação é a melhor proteção.
Conselhos de viagem
CIVP obrigatório para ~40 países. Vacinar ≥10 dias antes da viagem. Consulta do viajante para emissão de CIVP. Destinos de risco para portugueses: Angola, Brasil (áreas rurais/silvestres), Peru, Colômbia, outros países tropicais da África/América do Sul. Proteção contra mosquitos diurnos em áreas florestais.
Quão comum é?
Estatísticas e dados geográficos
Global: ~200.000 casos e ~30.000 mortes/ano (maioria África). Portugal: 0 casos (doença importada possível). Viajantes portugueses em risco: PALOP (Angola), Brasil (Amazónia, Sudeste — surto 2016–2019), Peru.
Fatores de risco
Quem tem mais risco
Ausência de vacinação, viagem/residência em zonas endémicas (África tropical, América do Sul), exposição a mosquitos Aedes/Haemagogus, trabalho ao ar livre em zonas florestais (ciclo silvático), idade >60 anos (risco acrescido de YEL-AVD após vacinação).
Detalhes das complicações
Complicações potenciais
Insuficiência hepática fulminante (AST >5.000 — mau prognóstico). IRA (50–80% das formas graves). Hemorragia (CID). Miocardite. FMO. Mortalidade formas graves: 20–60%.
Recuperação e perspetivas
Resultados esperados e recuperação
Doença ligeira/moderada (~85% dos casos sintomáticos): Autolimitada, recuperação completa em 3–4 dias.
Doença grave (~15% dos casos sintomáticos, "fase tóxica"):
-
TL 20–50% uma vez instalada a fase tóxica.
-
Hepatite grave, insuficiência renal, manifestações hemorrágicas, disfunção multiorgânica.
-
Não existe tratamento antiviral específico — a abordagem é puramente de suporte.
No geral: A maioria das infeções é assintomática ou ligeira. Dos que desenvolvem sintomas, ~15% progridem para doença grave. Taxa de letalidade por infeção global: ~3–7,5%.
Recuperação: Os sobreviventes desenvolvem imunidade vitalícia. Sem estado de portador crónico.