Visão geral
Doença parasitária potencialmente fatal por mosquitos Anopheles.
Sintomas
Sintomas | Frequência | Gravidade | Início |
|---|---|---|---|
| Arrepios | 85% | Moderado | Fase inicial |
| Cefaleia | 80% | Moderado | Fase inicial |
| Mal-estar | 80% | Ligeiro | Fase inicial |
| Rigor (calafrio intenso) | 70% | Moderado | Fase inicial |
| Perda de apetite | 65% | Ligeiro | Fase inicial |
| Mialgia | 60% | Ligeiro | Fase inicial |
| Artralgia | 40% | Ligeiro | Fase inicial |
| Dor nas costas | 30% | Ligeiro | Fase inicial |
| Suores noturnos | 65% | Ligeiro | Fase aguda |
| Esplenomegalia | 60% | Ligeiro | Fase aguda |
| Urina escura | 20% | Moderado | Fase aguda |
| Desidratação | 40% | Moderado | Fase aguda |
| Hepatomegalia | 40% | Ligeiro | Fase aguda |
| Icterícia | 25% | Moderado | Fase aguda |
| Náuseas | 55% | Ligeiro | Fase aguda |
| Taquicardia | 50% | Ligeiro | Fase aguda |
| Vómitos | 45% | Ligeiro | Fase aguda |
| Dor abdominal | 35% | Ligeiro | Fase aguda |
| Diarreia | 30% | Ligeiro | Fase aguda |
| Hipotensão | 15% | Grave | Fase aguda |
| Alteração da consciência | 8% | Crítico | Fase tardia |
| Confusão mental | 10% | Grave | Fase tardia |
| Convulsões | 5% | Crítico | Fase tardia |
| Dispneia | 10% | Grave | Fase tardia |
| Fadiga | 85% | Ligeiro | Qualquer fase |
| Febre | 95% | Grave | Qualquer fase |
| Tosse | 25% | Ligeiro | Qualquer fase |
Transmissão
Visão geral
A malária é uma doença parasitária potencialmente fatal causada por Plasmodium spp., transmitida pela picada de fêmeas infetadas de mosquitos Anopheles. Cinco espécies: P. falciparum (grave, fatal), P. vivax, P. ovale, P. malariae, P. knowlesi. ~249 milhões de casos e ~608 000 óbitos (2022), >90% na África Subsariana. As crianças <5 anos suportam a maior carga de doença.
Visão geral
A malária é causada por protozoários do género Plasmodium (P. falciparum, P. vivax, P. malariae, P. ovale, P. knowlesi), transmitidos por fêmeas de mosquitos Anopheles. É a doença parasitária mais letal do mundo — 249 milhões de casos e 608.000 mortes em 2023 (OMS). A malária NÃO é endémica em Portugal continental nem na Madeira/Açores (eliminada em 1973). No entanto, Portugal regista ~200–300 casos importados/ano (DGS/SINAVE), predominantemente em viajantes/imigrantes provenientes de PALOP (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau) e, em menor grau, do Brasil e Sudeste Asiático. O IHMT (Instituto de Higiene e Medicina Tropical) é o centro de referência nacional para diagnóstico e investigação. A malária é DDO IMEDIATA ao SINAVE. O diagnóstico e tratamento tardios são o principal fator de letalidade em casos importados — os médicos portugueses devem manter alto índice de suspeição em viajantes febris provenientes de áreas endémicas.
Sinais de emergência
FEBRE em viajante de área endémica → URGÊNCIA IMEDIATA. Alteração da consciência, convulsões (malária cerebral). Icterícia + febre. Urina escura (hemoglobinúria). Dispneia (SDRA). Palidez extrema. Ausência de urina. 112 (INEM). IHMT: 21 365 26 00.
Sintomas detalhados
Sinais e sintomas mais comuns
Incubação: P. falciparum 8–15 dias; P. vivax 12–17 dias (até 12 meses). Paroxismo malárico: calafrios → febre alta (39–41°C) → sudorese profusa. Cefaleias intensas, mialgia, artralgia, anorexia, náusea, vómitos. Esplenomegália (>50% após 1.ª semana). Trombocitopénia. Malária grave (P. falciparum): malária cerebral (coma, convulsões), anemia grave (Hb <5g/dL), IRA, SDRA, hipoglicémia, acidose, hiperparasitémia, choque.
Conhecer os sintomas é o primeiro passo para uma resposta rápida.
Curso da doença
Curso típico da doença (P. falciparum):
- Período de incubação: 7–30 dias (P. falciparum), até meses/anos para P. vivax/P. ovale (reativação de hipnozoítos).
- Pródromo (1–2 dias): Mal-estar, cefaleia, mialgias, anorexia.
- Fase paroxística: Ciclo clássico do paroxismo malárico:
- Fase fria (15–60 min): Arrepios, calafrios intensos, vasoconstrição periférica.
- Fase quente (2–6 horas): Febre alta (39–41°C), rubor, cefaleia, taquicardia.
- Fase de sudorese (2–4 horas): Sudorese profusa, queda da temperatura, exaustão.
- Ciclo repete-se cada 48h (P. falciparum, P. vivax, P. ovale) ou 72h (P. malariae). P. falciparum apresenta frequentemente padrões febris irregulares.
- Doença progressiva (se P. falciparum não tratado): Agravamento da anemia, esplenomegalia, disfunção orgânica em dias.
Perigo do P. falciparum: Pode progredir de não complicado para grave/fatal em 24–48 horas. Qualquer viajante febril regressado de uma área endémica de malária deve ser testado com urgência.
Diagnóstico
Como esta doença é identificada
Esfregaço e gota espessa (padrão-ouro) — resultado em <1h, OBRIGATÓRIO. TDR (teste rápido de diagnóstico). PCR (parasitémia baixa). Hemograma: anemia, trombocitopénia. Na região extra-endémica (Portugal): manter ALTO índice de suspeição — qualquer febre em viajante proveniente de área endémica é malária até prova em contrário. DDO IMEDIATA ao SINAVE.
Tratamento
Métodos de tratamento disponíveis
P. falciparum não complicada: Arteméter-Lumefantrina (Riamet/Coartem) 4 comp 2×/dia 3 dias — primeira linha. Atovaquona-proguanil (Malarone). P. vivax: Cloroquina + Primaquina 14 dias (testar G6PD antes). Malária grave: Artesunato IV 2,4 mg/kg (0, 12, 24h, depois 1×/dia) — DROGA SALVA-VIDAS. UCI obrigatória. Hemodiálise se IRA. Transfusão se Hb <5. VM se SDRA. Quimioprofilaxia viajantes: Atovaquona-proguanil (Malarone) 1 comp/dia, Doxiciclina 100 mg/dia, ou Mefloquina 250 mg/semana.
A maioria dos casos é tratada eficazmente com um diagnóstico precoce.
Detalhes de prevenção
Como se proteger
Quimioprofilaxia OBRIGATÓRIA para viajantes a áreas endémicas. Consulta do viajante (IHMT, consultas de medicina tropical). Proteção contra picadas (mosquiteiros impregnados, DEET, roupas protetoras) — Anopheles pica à NOITE. NÃO existe vacina para viajantes (RTS,S e R21 para crianças em África).
A preparação é a melhor proteção.
Conselhos de viagem
Consulta do viajante OBRIGATÓRIA antes de viagem a áreas endémicas. Prescrição de quimioprofilaxia. Destinos de alto risco para portugueses: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, S. Tomé, Timor-Leste, Índia, SE Asiático, Brasil (Amazónia). QUALQUER febre em <1 ano após viagem: procurar urgência e informar viagem. Diagnóstico em <24h salva vidas.
Quão comum é?
Estatísticas e dados geográficos
Portugal: ~200–300 casos importados/ano (DGS/SINAVE 2023). Maioria de PALOP (Angola ~45%, Moçambique ~25%, Guiné-Bissau ~15%). Letalidade em Portugal: ~1–2% (diagnóstico tardio é o principal fator). Sem transmissão autóctone desde 1973. ECDC: ~8.000 casos importados/ano na UE/EEA.
Fatores de risco
Quem tem mais risco
Viagem/permanência em regiões endémicas sem quimioprofilaxia, ausência de proteção contra mosquitos, permanência em zonas rurais, gravidez (evolução mais grave), crianças <5 anos (maior mortalidade), asplenia, coinfeção por VIH, ausência de imunidade (primeira exposição).
Detalhes das complicações
Complicações potenciais
Malária cerebral (mortalidade 15–20%), anemia grave, IRA (20–30% adultos graves), SDRA (pode surgir APÓS início do tratamento), hipoglicémia, acidose, CID, "febre hemoglobinúrica" (blackwater fever). Recaídas por hipnozoítos (P. vivax/ovale). Mortalidade P. falciparum grave: 10–20% com UCI, 30–80% sem.
Recuperação e perspetivas
Resultados esperados e recuperação
P. falciparum (mais perigoso):
-
Sem tratamento: TL até 20% em indivíduos não imunes. Malária cerebral TL: 15–20% mesmo com tratamento.
-
Com tratamento ACT imediato: TL <0,1% em casos não complicados.
-
Complicações da malária grave: malária cerebral, anemia grave, dificuldade respiratória (SDRA), insuficiência renal, acidose metabólica.
-
Crianças <5 anos e grávidas apresentam maior risco.
P. vivax/P. ovale: Raramente fatal. Recidiva possível a partir de hipnozoítos hepáticos dormentes (meses a anos depois). Requer cura radical com primaquina/tafenoquina (verificar estado de G6PD).
P. malariae: Parasitemia baixa, infeção crónica possível. Síndrome nefrótica (complicação rara).
P. knowlesi: Pode causar doença grave com multiplicação rápida do parasita. TL 1–2%.
A longo prazo: Desenvolve-se imunidade parcial após infeções repetidas em áreas endémicas. Viajantes não imunes não têm proteção.